Em um comentário que li aqui recentemente, o psicólogo inglês Mike Cooper afirma que é o cliente o responsável pelo sucesso terapêutico. Essa idéia está em seu livro “Essential Research Findings in Counselling and Psychotherapy: The Facts are Friendly” (Descobertas de pesquisa essenciais em aconselhamento e psicoterapia: os fatos são amigáveis). Infelizmente, é preciso comprá-lo para entender a origem da idéia de Cooper. De todo modo, vale a pena discuti-las, supondo-as todas corretas:
De acordo com Cooper, os clientes são realmente ajudados por seus psicoterapeutas, mas são principalmente sua própria motivação e vontade de mudar que promovem o sucesso no tratamento. O autor acredita que a principal função do psicoterapeuta é fortalecer os pontos fortes do cliente, de modo a torná-lo capaz de mudar a si mesmo por meio desses pontos fortes. Nesse sentido, Cooper sugere aos clientes que procurem terapeutas (e formas de terapia) cujas intervenções sejam compatíveis com sua maneira de lidar com o mundo.
O autor também afirma que boa relação terapêutica é um forte indicativo de sucesso no tratamento, sendo um fator mais importante do que a abordagem ou técnicas particulares utilizadas pelo terapeuta. Ou seja, é a qualidade da relação entre cliente e terapeuta, se são honestas uma com a outra, se compreendem o que dizem, se têm respeito um pelo outro, que facilita a melhora do cliente.
DISCUTINDO AS AFIRMAÇÕES
Algumas afirmações de Cooper devem ser entendidas com reservas. Há diversas pesquisas mostrando que determinadas formas de terapia são mais bem sucedidas do que outras para lidar com psicopatologias específicas. Vejam aqui. Ou seja, a abordagem importa sim. Mais pesquisas precisam ser realizadas, no entanto, para investigar o peso da relação terapêutica e o peso da habilidade do terapeuta no sucesso do tratamento.
Com relação à motivação do cliente, é difícil discordar de Cooper. Essa informação, em ouvidos atentos, pode produzir uma modificação nas primeiras sessões de psicoterapia. Se Cooper estiver correto, o terapeuta deve ter como objetivos iniciais (1) formar um bom vínculo terapêutico e (2) mostrar ao cliente sua importância no sucesso do tratamento. O segundo objetivo pode ser alcançado com incentivos e atenção especial a verbalizações do cliente que mostram comprometimento, e com explicações detalhadas acerca de como será a intervenção e sobre como o cliente pode potencializá-la.
Um último ponto a ser discutido é a posição confortável que alguns terapeutas podem adotar com relação às suas habilidades e intervenção. “Se é o cliente o responsável pela terapia, a culpa do fracasso não será minha”. Esse pensamento não é correto. Como mostra o site que indiquei acima, diferentes terapias têm, sim, níveis de sucesso diferentes. Além disso, formar um boa relação terapêutica e motivar o cliente requerem conhecimento teórico, prático e humano. Um bom psicólogo faz, sim, boa terapia.
Robson Faggiani
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