O que é relação terapêutica?
São as interações que ocorrem entre terapeuta e cliente durante o processo terapêutico. Tais interações podem ser positivas, negativas ou sem nenhuma carga emocional. Algumas modalidades de terapia, como a psicanálise clássica, defendem que o profissional deve evitar qualquer tipo de proximidade com o cliente. Outras abordagens, como o humanismo (especialmente com Rogers) e a terapia comportamental (mais explicitamente a partir da década de 80), argumentam que um terapeuta paciente e atencioso podem beneficiar o cliente.
Em 1953, Skinner já falava sobre a importância da boa relação terapeuta-cliente. No livro “Ciência e Comportamento Humano”, o autor defende que o terapeuta deve ser não-punitivo, no sentido de aceitar as peculiaridades (positivas e negativas) das pessoas que o procuram pedindo ajuda. O raciocínio do autor era bastante claro e simples: aqueles que buscam terapia, que estão sofrendo, provavelmente o fazem porque são punidos de algum modo; a aceitação incondicional do terapeuta mostra ao cliente que ele pode ser quem ele é e falar qualquer coisa que precisar. A liberdade proporcionada pela terapia, em teoria, ajudaria na resolução dos problemas apresentados.
A boa relação terapêutica
As pesquisas têm demonstrado que a reflexão de Skinner estava certa. A qualidade da relação terapêutica tem, sim, efeitos sobre o sucesso da terapia. Com base em dados científicos, é possível realizar uma listagem das características do terapeuta que foram mais eficazes em ajudar os clientes: postura empática e compreensiva, aceitação desprovida de julgamentos, autenticidade, auto-confiança, flexibilidade, comprometimento, tolerância e interesse. Com relação a comportamentos terapêuticos específicos, os mais funcionais são: altas taxas de comportamentos gestuais, manutenção do contato visual, verbalizações acerca de pensamentos e sentimentos, postura não-diretiva e orientações ocasionais.
Os dados relatados acima (retirado de Meyer e Vermes, 2001) podem ser tomados como um resumo das posturas terapêuticas consideradas positivas pelos clientes. Percebe-se um padrão bem claro: os clientes preferem terapeutas que os aceitam, compreendem e mostram verdadeiro interesse em ajudar. Por que isso, e como isso funciona na terapia?
Como funciona a relação terapêutica na prática
Apesar da listagem de características do terapeuta que produzem bons resultados na terapia, é necessário considerar que determinados clientes podem ter peculiaridades que necessitam de modos particulares de intervenção. Sendo assim, ao invés de discutir a lista apresentada acima, é mais válido considerar a função da relação terapêutica sem especificar um modelo.
A Psicoterapia Analítica Funcional (FAP) vai nesse sentido. No livro que a apresenta (veja mais aqui), argumenta-se que a boa relação terapêutica é aquela capaz de simular, na terapia, os problemas do cotidiano do cliente, o que permite lidar com eles em um contexto mais afetivo e reforçador. Em outras palavras, o terapeuta deve ser sensível o suficiente para identificar o tipo de relação terapêutica necessitada pelo cliente. É essa sensibilidade e a relação humana de aceitação e interesse que tem função terapêutica.
Outra forma de pensar a relação terapêutica é a considerando positiva quando há semelhança entre os objetivos do terapeuta e do cliente para a terapia. Se ambos dividem metas, significa que haverá colaboração mútua, ampliando a possibilidade de o tratamento ser bem sucedido. Essa definição de boa relação terapêutica deixa implícito algo bastante interessante: a importância da participação do cliente na terapia (vejam este texto). O profissional deixa de ser pensado como alguém com conhecimento superior que ajudará alguém com problemas. Ambos passam a ser iguais em uma relação, sendo que um deles tem o objetivo de facilitar as descobertas do outro.
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Isso encerra a série sobre Terapia Comportamental. No entanto, mais textos sobre a Terapia devem ser publicados em breve
Robson Faggiani
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