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	<title>Psicologia e Ciência &#187; Epistemologia</title>
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		<title>O que o behaviorismo é e o que ele não é</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Nov 2009 01:02:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Na data de hoje, pode ser encontrado no site do Sindicato dos(as) Trabalhadores(as)  em Educação Pública do Espírito Santo mais uma referência – no mínimo incorreta – ao behaviorismo. 


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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="size-medium wp-image-1994 alignleft" title="skinner-80s-smiling" src="http://www.psicologiaeciencia.com.br/wp-content/uploads/2009/11/skinner-80s-smiling-206x300.jpg" alt="skinner-80s-smiling" width="206" height="300" />Na data de hoje, pode ser encontrado no site do Sindicato dos(as) Trabalhadores(as)  em Educação Pública do Espírito Santo (<a href="http://www.sindiupes.org/?sub=92">http://www.sindiupes.org/?sub=92</a>) mais uma referência – no mínimo incorreta – ao behaviorismo. Citando a publicação, o site critica as medidas políticas do estado em relação às bonificações oferecidas aos professores da rede pública estadual da seguinte forma:</p>
<p>“aplica um tratamento diferenciado, sob a justificativa de uma concepção educacional retrógada, que se baseia na punição e/ou na compensação (behaviorista).”</p>
<p>A presidenta da Associação Brasileira de Psicoterapia e Medicina Comportamental, Martha Hübner, afortunadamente pronunciou-se contra a infeliz menção à abordagem. Em sua carta, esclareceu:</p>
<p>“a origem e prática da denominada ‘recompensa’ não são, obviamente, behavioristas. O que o Behaviorismo fez foi estudar empiricamente seus efeitos (&#8230;). Há outros reforços [para além do reforço monetário], que chamamos de participação, atenção especial e tempo, muitos deles tão reivindicados pelo movimento sindical que seus dirigentes e os membros da sua base até poderiam ser chamados de behavioristas: solicitação de opiniões e idéias, intervalo extra, oportunidade de formação e voz ativa em decisões, citando só alguns.”</p>
<p>É lamentável notar que representantes tão sérios da opinião publica pouco se importam com a própria opinião pública, como fica claro na carta de Hübner – o estado do Espírito Santo está repleto de professores behavioristas que inevitavelmente se ofenderiam com as colocações apresentadas no site. E a ofensa repousa, principalmente, no desconhecimento daquilo que o behaviorismo é (uma ciência) e daquilo que o behaviorismo não é (um instrumento do controle coercitivo).</p>
<p>Equipe PeC</p>
<p>Leia a <a href="http://www.psicologiaeciencia.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Carta-da-ABPMC-ao-SINDIUPES.pdf">Carta da ABPMC ao SINDIUPES</a></p>


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		<title>Reducionismo Mentalista: atraso no estudo do comportamento?</title>
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		<pubDate>Fri, 26 Jun 2009 20:31:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Beh. Radical]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Epistemologia]]></category>

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		<description><![CDATA[Assim como hoje muitos entendem o comportamento como algo inacessível à ciência, barrando assim a evolução dos estudos a respeito, há alguns séculos o que hoje se chama de física, química, biologia, também eram barradas pelos mesmos problemas.


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			<content:encoded><![CDATA[<p><span style="font-size: x-small;">“Em suma, precisamos modificar em grande parte o comportamento humano; (&#8230;) o que precisamos é de uma Tecnologia do Comportamento” (Skinner, 1971).</span></p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://expressionando.files.wordpress.com/2009/02/vitruviano.jpg" alt="" width="170" height="200" /></p>
<p>Assim como hoje muitos entendem o comportamento como algo inacessível à ciência, barrando assim a evolução dos estudos a respeito, há alguns séculos o que hoje se chama de física, química, biologia, também eram barradas pelos mesmos problemas. Como comentado no <a href="http://www.psicologiaeciencia.com.br/a-historia-do-conhecimento-um-breve-apanhado/">texto anterior</a>, o físico Galileu Galilei, por exemplo, foi fortemente criticado e punido ao defender o Heliocentrismo, idéia esta que ameaçava o dogma de que a terra era o centro do universo.<br />
<img class="aligncenter" src="http://www.miliarium.com/Monografias/Directiva_Sustancias_Quimicas/Quimica.jpg" alt="" width="200" height="150" /><br />
Na química, atribuíam a natureza  (quente, frio, sólido, líquido, etc.) dos objetos a substâncias metafísicas existentes dentro deles;  substâncias estas que jamais foram estudadas por ninguém, nem ao menos vistas, mas diziam existir com base na suposta complexidade dos processos.  Se houvesse então alguma modificação na natureza ou composição dos objetos, ela era atribuída a uma mudança na quantidade ou qualidade da tal substância escondida e inobservável. Toda e qualquer conclusão a respeito desta substância e dos motivos das mudanças ocorridas no objeto observável não passava de opinião pessoal, impossível de ser verificada. A química nasceu de fato apenas a partir do momento em que deixaram de falar sobre a existência do que ninguém nunca viu, mas todo mundo dava detalhes, e adotou para sí um método de estudo calcado na observação e descrição de relações entre eventos, começando por <span style="color: #333333;">Lavoisier ao formular a lei de conservação da massa, rompendo com a teoria flogística.</span></p>
<blockquote><p><span style="color: #333333;">A teoria flogística dizia que  quando os objetos eram queimados eles perdiam flogisto, substância a que atribuiam o fato das coisas se queimarem. Lavoisier descobriu que, ao invés de perder flogisto, substância imaginária que diziam existir dentro dos objetos que se queimavam, os objetos absorviam oxigênio, substância contida no ar e responsável pelo fato do fogo manter-se aceso. Lavoisier descobriu também o gás carbônico e, posteriormente, ainda atribuiu ao oxigênio a cor vermelha do sangue arterial e ao gás carbônico a cor escura do sangue venoso. </span></p></blockquote>
<p>Na biologia, os estudiosos tiveram de romper com a idéia de que o corpo humano era intocável e movido por uma entidade mágica, chamada <em>vis viva</em> ou alma. Isso começou a acontecer após o século XVI, onde os fisiólogos começaram a dissecar animais e estudar o seu funcionamento; inclusive foi neste século que a Medicina também evoluiu, já que durante a idade média, sofria forte resistência por parte da igreja católica que condenava qualquer tipo de pesquisa científica pelos motivos já citados. Foi apenas no século XVII que Willian Harvey, contrariando toda a tradição filosófico-teológica a respeito do funcionamento do corpo, aventurou-se a abrir o corpo humano, descobrindo então o sistema circulatório e, por consequência, observando que os componentes de nosso organismo mais pareciam com uma máquina onde as partes se correlacionam, trabalhando em conjunto, do que com algo sagrado movido por uma força mágica.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.interney.net/blogs/media/blogs/heresialoira/evolucao_humana.jpg" alt="" width="200" height="170" /></p>
<p>As mesmas críticas sofreu &#8211; e ainda sofre &#8211; Darwin por propor a teoria da evolução das espécies, contradizendo assim a idéia de que o ser humano é o supra-sumo da criação ao demonstrar que somos apenas mais uma espécie como qualquer outra; propondo então que nossas características são fruto da evolução, não de uma força suprema criadora. Sua descoberta gerou muito incômodo e lhe rendeu muitas críticas, tanto é que ele hesitou por muitos anos em publicar o resultado de seus estudos, só o fazendo no momento em que, caso não publicasse seus resultados, perderia o crédito da descoberta para outra pessoa que estava chegando as mesmas conclusões.</p>
<p>Os estudos de Darwin também contribuíram muito para os estudos com humanos. A partir deles, chegou-se à conclusão de que é possível, por exemplo, fazer testagens de remédios (ou estudar o comportamento) em animais infra-humanos antes de estudar nos humanos, bem como utilizar material animal em alguns procedimentos médicos, justamente por terem descoberto que partilhamos de algumas características com os animais.<br />
Todas estas ciências só evoluíram a partir do momento em que adotaram para sí um método de estudo calcado na objetividade, abandonando inferências arbitrárias e desenvolvendo métodos de testagem e descrição de relações entre eventos físicos. Somente a partir do momento em que foi exigida uma certa criteriosidade que envolve a adoção de passos claros, bem descritos, estruturados e sistematizados, estas ciências foram capazes de estarem em condições de evoluírem e contribuírem de maneira sólida e crescente com o nosso conhecimento. O mais preocupante, porém nem tanto, é que para muitos na psicologia, chega a ser ofensa falar a respeito do uso deste tipo de procedimento controlado e sistematizado.<br />
É preocupante porque isso impede o desenvolvimento de técnicas de trabalho bem controladas; técnicas possíveis de manipulação, alteração e capazes de funcionar com qualquer pessoa -, onde realmente se sabe o que está sendo feito, porque está sendo feito, e porque se chega a um determinado resultado.</p>
<p>O que, como dito antes, diminui um pouco a preocupação, é que mesmo Darwin, bem mais antigo do que a psicologia científica, ainda é fortemente criticado e até rejeitado por alguns que não admitem a idéia de não seremos seres especiais, mas apenas uma espécie a mais entre os animais. Além disso, muitos se dizem Darwinistas, porém, ao citarmos o fato de que somos apenas animais que, em função do histórico de interação com o ambiente de nossa espécie desenvolvemos estas características que hoje temos, se sentem ofendidos. Muitos ignoram a teoria Darwinista a tal ponto que tem a capacidade de afirmar que Darwin disse que somos descendentes dos macacos, o que é uma mentira; Darwin nunca disse isso.<br />
Ao inferir a existência de estruturas metafísicas existentes dentro de nós que dão a nosso comportamento suas características, determinando-o assim, caímos no mesmo erro que os filósofos antigos caíam ao atribuir a <em>vis viva, </em>ou os religiosos, a alma, o fato de nosso corpo ter vida. Caímos também no mesmo erro que caiam os filósofos e religiosos ao dizer que a terra era o centro do universo, já que todos os fenômenos importantes observados &#8220;acontecem nela&#8221;. Caímos também, para concluir o raciocínio, no mesmo erro que caíam os filósofos ao atribuir a uma substância existente dentro dos objetos a sua natureza. Todas estas conclusões, assim como a vigente de que o comportamento é determinado por uma estrutura metafísica existente dentro de nós, advém da inferência: método onde o observador, a partir de sua própria experiência pessoal, subjetiva, atribui explicação a um fenômeno emitindo uma opinião pessoal sobre o que imagina que acontece. Uso o termo &#8220;imagina&#8221; porque é isto mesmo o que acontece. É o máximo que se pode fazer a respeito de algo que não pode ser observado e muito menos estudado: imaginar.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://vidaempaz.files.wordpress.com/2008/10/comportamento.jpg" alt="" width="200" height="150" /></p>
<p style="text-align: center;">
<p>Ao dizer que um dado comportamento acontece porque há uma estrutura dentro de nossa cabeça que o controla, chegamos a outro problema: além de termos que explicar o comportamento observado, temos que explicar o funcionamento desta estrutura e como é que se dá a relação dela com o organismo para que este se comporte. Se esta estrutura não é física, não é observável, não é acessível, como estudá-la? O máximo que se pode fazer, é emitir uma opinião. E mais: como algo não físico pode interferir em algo físico?</p>
<p>Qual vantagem investigativa nos dá uma inferência, sabendo que esta trata-se apenas da opinião de quem a faz, estando sujeita a refletir mais da história de vida e aprendizagem proporcionada pela comunidade verbal do sujeito do que sobre o fenômeno o qual ele infere? Que valor pode ter uma opinião pessoal, sem menor possibilidade de verificação ou generalização, quando se fala em compreender alto tão complexo e diverso como o comportamento humano? Diante de uma outra inferência que, por ser feita por outra pessoa, com história de vida diferente, vivências diferentes, que certamente será também diferente, como saber se ela é um avanço ou apenas um ponto de vista diferente com relação aos estudos sobre a inobservável, indescritível e misteriosa mente? Isso é perigoso pois, como não se tem acesso ao objeto de estudo, não sendo possível então conhecer suas características, também não é possível estabelecer qualquer tipo de critério que sirva de base tanto para evolução daquele conhecimento, quanto pra julgar se ele é ou não mais acertado do que o outro anterior, o que se pode ter é apenas mais uma opinião, tão duvidosa e subjetiva quanto a outra. Como é possível avançar tecnologicamente em um campo onde tudo o que se tem são opiniões pessoais que, queira ou não, são construídas culturalmente? Como é possível falar sobre algo que não se conhece, não se observa, não se estuda? Depende única e exclusivamente da fé acreditar que a mente tem as características descritas pelo autor X ou pelo autor Y. Como já dito, mas volto a enfatizar, quando um autor fala a respeito desta entidade mágica, por se tratar apenas de uma opinião dele, ele nos conta mais a seu próprio respeito do que sobre a entidade a que se refere. As características que ele atribui a elas, por não poder observá-la, são características que ele imagina que ela possua, não que realmente possua.<span style="font-size: x-small;"> </span></p>
<p>Uma disciplina que se proponha a estudar algo tão complexo como o comportamento, então, não deve  depender de opiniões pessoais, já que estas, são apenas, com o perdão da redundância: opiniões pessoais. Para falar a respeito das leis que governam o nosso jeito de agir, não podemos nos esquecer, de modo algum, de que cada pessoa possui um modo particular de se comportar, aprendido a partir do momento em que nasce através da interação de sua carga genética com o ambiente onde está inserido; modo este que não pode ser reduzido a especulações ou simples inferências que tem mais a ver com quem as faz do que com o que está sendo estudado, criando então, discordâncias insoluveis entre os teóricos onde cada um fala o que acha que acontece.</p>
<p>Esequias Caetano de Almeida Neto.</p>


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		<title>Reforçamento Positivo na Análise do Comportamento &#8211; Definição e aplicações clínicas</title>
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		<pubDate>Fri, 12 Jun 2009 19:39:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Marcelo</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Terapia Comportamental]]></category>

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		<description><![CDATA[Dentro da Análise do Comportamento, os procedimentos de reforçamento são muito utilizados. Mas será que esses procedimentos podem ser usados em qualquer situação ? O presente texto pretende discutir alguns aspectos do reforçamento positivo enquanto técnica comportamental e suas aplicações na clinica.


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			<content:encoded><![CDATA[<p>Dentro de uma abordagem Analítico-comportamental , o reforçamento positivo está presente em muitas técnicas e sem duvida é um principio importante para a mudança comportamental.</p>
<p>Entender o conceito e a aplicação é fundamental para o analista do comportamento articular as sessões para que classes de respostas alvo sejam constantemente reforçadas afim de se mudar um comportamento problema, caso seja esse o objetivo.</p>
<p>O terapeuta deve no inicio ser um agente reforçador por si só, já que o cliente procura um terapeuta e o tem como alguém que detém um conhecimento que pode ajudá-lo  e qualquer ato ou palavra que alivie o sofrimento já tem um papel reforçador para respostas de compromisso e maior aderência ao processo psicoterápico. Ainda podemos falar que esses processos aprofundam e melhoram a relação terapêutica que se está sendo estabelecida entre terapeuta e cliente.</p>
<p>Ao lidar com o reforço positivo são necessários cuidados, é preciso estabelecer um criterioso levantamento de dados e fazer uma boa análise funcional para definir a princípio qual é o melhor esquema de reforçamento para o caso do cliente dentro dos objetivos da terapia.</p>
<p>Alguns clientes funcionam sobre um esquema de contingência de reforço positivo muito infrequente. Isso significa que esse cliente tem uma tolerância a frustração muito grande. Sendo assim, acabam não sendo sensiveis a novas contingências reforçadoras e não operam no ambiente, pois já se acostumaram a suportar frustração e condições aversivas. Nesse caso mantem seu comportamento inalterado, mesmo que seu padrão de respostas produzam conseqüências aversivas.</p>
<p>Clientes que são expostos a contingências de total privação ou de privação moderada de fontes reforçadoras experimentam um intenso sentimento de culpa assim que os reforçadores são apresentados,  isso acontece por possuírem repertórios modelados de uma extrema tolerância a frustração (Guilhardi, 2002, p. 136).</p>
<p>Contingências de reforçamento positivo escassas podem gerar sujeitos que não possuem repertórios comportamentais capazes de produzir reforçadores em ambiente natural intrinsecamente, precisando sempre de esquemas de reforço extrínseco sugerindo baixa auto-estima e dificuldades em relacionar-se em um ambiente social. Com isso pode-se dizer que o individuo sofre um impacto negativo em sua variabilidade comportamental e portanto vai ter dificuldades em buscar novas formas de reforçamento.</p>
<p>Segundo Horcones (1983), as palavras <em>“extrinseco e intrinseco”</em> referem-se apenas a origem das conseqüências. Se o cliente ao responder a estímulos discriminativos, obtém uma conseqüência reforçadora dizemos que o reforçamento é intrínseco e com isso se configura em uma resposta naturalmente reforçada.</p>
<p>Quando o responder do cliente é reforçado pelo ambiente através do terapeuta, dizemos que o reforço é extrínseco e arbitrário, já que foi possibilitado por outra fonte que não seja o próprio responder do sujeito. Em outras palavras, quando falamos de reforçamento positivo intrínseco, nos referimos ao uma relação entre resposta e conseqüência, em que a conseqüência é produto direto da resposta, ou seja, a conseqüência reforçadora é produto direto da resposta do próprio sujeito. Quando falamos de reforçamento positivo extrínseco, vamos nos referir a uma relação entre conseqüência e resposta, em que a conseqüência depende da própria resposta do individuo somado a outros eventos.</p>
<p>O reforçamento intermitente é mais eficaz que o CRF por facilitar a variabilidade comportamental, já que torna a sessão mais proxima ao ambiente natural onde é preciso operar no ambiente e algumas respostas vão ser reforçadas e outras não. O reforçamento de esquema intermitente mostra melhores resultados por que aumenta a tolerância a frustração e obriga o indivíduo a continuar operando para receber o reforço que outrora era sempre apresentado.  Isso é especialmente verdade quando falamos de comportamento social, onde algumas respostas são reforçadas e outras entram em extinção.</p>
<p>O reforçamento positivo é um processo que consiste em apresentar um estímulo conseqüente que aumente a probabilidade da emissão de respostas. Dentro do contexto clinico, é importante determinar respostas que devem ou não ser conseqüenciadas positivamente.  Mas também é sabido que, como no caso da psicoterapia o reforço é obtido dentro do contexto clínico, pode ser que o mesmo reforço não seja produzido em ambiente natural. É necessário que o terapeuta também ajude o cliente a instrumentarlizar-se para obter esses reforços em seu ambiente fora do contexto clínico, podendo generalizar fontes reforçadoras obtidas através de um novo repertório comportamental que foi ou está sendo modelado em terapia.</p>
<p>A terapia seria falha se o cliente só conseguisse operar em um ambiente clínico e só fosse reforçado nesse ambiente, não levando novos repertórios para seu ambiente natural. O reforço extrínseco deve ser capaz de instalar novos repertórios comportamentais para que o reforço seja intrínseco ao comportamento do cliente. Nesse caso, acontecerá a generalização e conseqüentemente repertórios inadequados, não assertivos e agressivos vão ser extintos.</p>
<p>Em alguns casos o terapeuta sozinho não consegue modelar novos repertórios comportamentais apenas em um ambiente clínico. Para esses casos, o trabalho conjunto com o A.T. (Acompanhante Terapêutico) mostra resultados interessantes. O terapeuta como fonte reforçadora em ambiente clínico modelando novos repertórios comportamentais e o A.T. como fonte reforçadora externa ao contexto clínico, e em alguns casos mais graves, dando modelos de novos repertórios para que o cliente possa ver uma classe de respostas mais ampla e com isso passe a imitar o Acompanhante Terapeutico.</p>
<p>Se espera com esse trabalho em conjunto que a generalização de reforçadores seja facilitada contribuindo para a instalação permanente de novas classes de respostas mais adaptadas e novos repertórios comportamentais. Em um próximo texto discutirei um pouco mais o trabalho do Acompanhante Terapeuta ( A.T.).</p>
<p>Agradeço ao Rodrigo Nunes Xavier a importante contribuição na elaboração do presente texto.</p>
<p>Referencias :</p>
<p>Madi, M. B. B. P. (2004). Reforçamento positivo: princípio, aplicação e efeitos desejáveis. Em C.N. Abreu e H.J. Guilhardi (orgs.) <em>Terapia Comportamental e Cognitivo-comportamental : práticas clínicas.</em> Capitulo 2, 41-54. São Paulo : Roca.</p>
<p>Kohlemberg, R.J. e Tsai, M. (2001). Suportes teóricos da FAP.  Em: <em>Psicoterapia Funcional Analitica: Criando Relações Terapeuticas Intensas e Curativas. </em>Santo André : ESETec. (pp.8-18).</p>
<p>Andery, M.A.P.A.; Sério, T.M. Consequências intrínsecas e extrínsecas. Em : C.E. Costa, J.C. Luzia, H. H. Nunes S´Antana(orgs.) <em>Primeiros Passos em Analise do Comportamento e Cognição, </em>Vol 2. Santo André : Esetec, 2004 (pp 43-48)</p>
<p>Por : Marcelo C. Souza</p>


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		<title>Behaviorismo Radical e Realismo</title>
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		<pubDate>Sat, 30 May 2009 13:11:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Beh. Radical]]></category>
		<category><![CDATA[Educativos]]></category>
		<category><![CDATA[Epistemologia]]></category>
		<category><![CDATA[Filosofia da ciência]]></category>

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		<description><![CDATA[Olhando alguns livros eu encontrei algumas críticas ao Behaviorismo Radical que me chamaram a atenção. Pra variar, essa crítica se parece muito com as tradicionais confusões que acontecem entre o Behaviorismo Radical de Skinner e o Behaviorismo Metodológico.


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			<content:encoded><![CDATA[<div><a href="http://mentedespenteada2.blogs.sapo.pt/arquivo/tortura.png" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"><img style="border: 0px initial initial;" src="http://mentedespenteada2.blogs.sapo.pt/arquivo/tortura.png" border="0" alt="" width="150" height="150" /></a>Olhando alguns livros eu encontrei algumas críticas ao Behaviorismo Radical que me chamaram a atenção. Pra variar, essa crítica se parece muito com as tradicionais confusões que acontecem entre o Behaviorismo Radical de Skinner e o Behaviorismo Metodológico.Queria comentar em especial uma frase que encontrei em meu livro de Personalidade no capítulo onde ele fala sobre o Behaviorismo Radical, eis aqui:</p>
<p style="text-align: center;">&#8220;<em>Não há dúvida que o Behaviorismo &#8216;funciona&#8217;. A tortura também. Coloque-me nas mãos um Behaviorista firme, eficiente e realista, algumas drogas e aparelhos elétricos simples, que em seis meses farei com que ele recite em público o Credo de Anastácia</em><span>&#8220;.</span></p>
<p><span>A </span>brincadeira é de autoria do poeta W. H. Auden e está no livro <span>Teorias da Personalidade &#8211; Da teoria clássica a pesquisa moderna, </span>2ª edição, página 196.</p>
<p>A &#8220;proposta&#8221; do poeta aparentemente explicita que:</p>
<p>1 &#8211; O Behaviorismo Radical é realista.<br />
2 &#8211; O Behaviorista ignora os sentimentos.</p>
<p>O <span>realismo</span> representa a idéia de que os carros, os prédios, as casas, as pessoas que vejo estão lá realmente &#8211; que existe um mundo fora do sujeito e é este mundo que dá origem as nossas experiências. Se dou as costas para um carro, eu acredito que ao me virar ele estará lá novamente. É como se eu dissesse que o carro e tudo mais o que vejo está fora de mim, enquanto minha experiência, minha percepção a respeito disso, meus pensamentos, são coisas que estão dentro de mim.</p>
<p><a href="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/22/Wm_james.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"><img class="alignright" style="border: 0px initial initial;" src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/2/22/Wm_james.jpg" border="0" alt="" width="150" height="200" /></a><br />
Essa corrente filosófica pode ser contrastada com o <span>pragmatismo, </span>que teve como principais precursores Charles Pierce e William James. Para o pragmatista, não importa se o carro, o prédio ou qualquer outra coisa realmente exista, mas sim que este objeto exerça algum poder explicativo ou função no ambiente. Para James, a nossa concepção a respeito de algum objeto consiste em seus efeitos práticos apenas, nada mais.</p>
<p style="text-align: right; "><em><br />
</em></p>
<p>Embora não haja consenso entre todos os autores, Baum (2006) afirma que os <span>Behavioristas Radicais </span>preferem o pragmatismo ao realismo em função do escopo dualista que o realismo carrega. Se você afirma que &#8220;o mundo exterior é real&#8221;, estará levantando a questão &#8220;se estou separado deste mundo exterior real, onde eu estou?&#8221;. A psicologia popular responderia que você tem dentro de sí um mundo interior privado, subjetivo, em que você experimenta sensações, pensamentos e sentimentos. Somente o corpo externo pertence a este mundo exterior. Isso levaria a outra questão, &#8220;como é que esse mundo exterior influencia o comportamento?&#8221;. É impossível se chegar a alguma resposta já que não há como investigar a maneira pela qual uma variável não natural influencia um evento natural.</p>
<p><em><br />
</em></p>
<p><a href="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/a4/Charles_Sanders_Peirce_theb3558.jpg/230px-Charles_Sanders_Peirce_theb3558.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"><img style="border: 0px initial initial;" src="http://upload.wikimedia.org/wikipedia/commons/thumb/a/a4/Charles_Sanders_Peirce_theb3558.jpg/230px-Charles_Sanders_Peirce_theb3558.jpg" border="0" alt="" width="150" height="220" /></a><span>Behaviorismo Metodológico </span>baseava-se no realismo. Eles diziam que a ciência lidava apenas com o objetivo, observável por mais de uma pessoa. Consideravam que a ciência era constituída de métodos para o estudo do mundo &#8220;fora da pessoa&#8221;. Ele supõe que o mundo objetivo está lá fora, acessivel a todos enquanto o subjetivo é a caixa preta, impossível de ser estudada pela ciência.</p>
<p>Se admitíssemos esse dualismo, uma ciência objetiva que lidasse somente com o comportamento exterior pareceria incompleta; por isso os behavioristas costumam ser acusados de ignorar o mundo interior dos pensamentos e dos sentimentos. O erro está em dizer que os Behavioristas Radicais ignoram estes processos internos. Nesse ponto sim existe consenso. Os Behavioristas Radicais estudam os processos internos como pensamento, sentimento, etc., apenas não atribuem a eles a causação dos comportamentos.</p>
<p>Para o <span>Behaviorista Radical </span>os sentimentos e os pensamentos são comportamentos como quaisquer outros. É possível estudá-los e descobrir sua função na contingência, assim como qualquer outro comportamento.</p>
<p>A melhor maneira de combater o preconceito com relação ao Behaviorismo Radical, inicialmente é discutir a respeito destas críticas. Não um debate, mas um esclarecimento sobre como é que o Behaviorismo encara diversos assuntos onde os críticos apontam certas deficiências. É necessário tomar cuidado com reducionismo. Ele também é outra variável que pode levar ao preconceito.</p>
<p>BIBILHOGRAFIA CONSULTADA E LEITURA INDICADA:
</p>
<p class="MsoNormal"><span style="font-family: Arial; font-size: small;">- </span><span style="font-family: Arial;"><span style="font-size: small;">BAUM, W. M. <em>Compreender o behaviorismo</em></span><span style="font-size: small;">: ciência, comportamento e cultura</span><span style="font-size: small;">. Porto Alegre: Artes Médicas, 2006.</span></span></p>
<p class="MsoNormal">
<p class="MsoNormal">Esequias Caetano de Almeida Neto.</p>
</div>


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		<title>A história do conhecimento &#8211; um breve apanhado.</title>
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		<pubDate>Fri, 29 May 2009 20:53:18 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Educativos]]></category>
		<category><![CDATA[Epistemologia]]></category>
		<category><![CDATA[história da ciência]]></category>

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		<description><![CDATA[Todas as ciências originaram-se da Filosofia e posteriormente se separaram dela. Antes que a astronomia existisse, por exemplo, especulava-se a respeito da organização do universo a partir do pressuposto de que Deus havia criado tudo daquele jeito.


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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: center;">
<div style="text-align: center;">
<blockquote style="text-align: center;"><p><span style="font-family: 'lucida grande'; font-size: small;">&#8220;</span><span style="font-size: small;"><span style="font-family: 'lucida grande';">Certas questões sobre a mente tem sido discutidas há mais de 2.500 anos e ainda permanecem sem respostas. Como pode, por exemplo, a mente mover o corpo? A questão foi colocada ainda em 1965 por Karl Popper nos seguintes termos: &#8216;O que queremos compreender é como tais mecanismos não físicos (&#8230;) podem atuar de modo a acarretar mudanças físicas no mundo físico&#8217;. E, é claro, também queremos saber de onde (e como) se originaram estes mecanismos. Para esta questão os gregos já tinham uma resposta simples: dos deuses. Como Dodds já assinalou, os gregos acreditavam que se um homem se comportava de modo insensato era porque um Deus hostil havia introduzido uma paixão desenfreada em seu peito. Um deus amistoso poderia dar a um guerreiro uma quantidade extra de inteligência, com o que poderia lutar brilhantemente. Aristóteles pensava que existia algo de divino no pensamento, e Zeno julgava que o intelecto era</span> <span style="font-family: 'lucida grande';">(o próprio) Deus. </span></span>&#8221; (<span>Beyond Freedom and Dignity</span>, Skinner, p. 14, parênteses adicionados)</p></blockquote>
<div style="text-align: left;"><a href="http://1.bp.blogspot.com/_S4Jk_2LVO7M/SHfZzsVNLOI/AAAAAAAAAAo/4UYKpDwmMpM/S269/Ci%C3%AAncia%2Be%2BReligi%C3%A3o%2B2.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"><img class="aligncenter" src="http://1.bp.blogspot.com/_S4Jk_2LVO7M/SHfZzsVNLOI/AAAAAAAAAAo/4UYKpDwmMpM/S269/Ci%C3%AAncia%2Be%2BReligi%C3%A3o%2B2.jpg" border="0" alt="" width="200" height="200" /></a></p>
<p>Todas as ciências originaram-se da Filosofia e posteriormente se separaram dela. Antes que a astronomia existisse, por exemplo, especulava-se a respeito da organização do universo a partir do pressuposto de que Deus havia criado tudo daquele jeito.</p>
<p>As pessoas desenvolviam um raciocínio bem peculiar a partir de suas experiências pessoais. Com relação ao universo, era mais ou menos assim:</p>
<p>1 &#8211; Todos os eventos importantes acontecem na terra, então ela deve ser o centro do universo, tudo gira em torno dela (<a href="http://www.tiosam.net/enciclopedia/?q=Geocentrismo">geocentrismo</a>);</p>
<p>2 &#8211; O círculo é a forma geométrica mais perfeita, sendo assim, o sol deve girar em torno da terra obedecendo uma órbita circular. A lua, certamente, gira em outra órbita circular mais próxima. As estrelas se organizam em torno do conjunto, formando assim uma esfera perfeita.</p>
<p>A partir do momento em que as pessoas começaram a tentar entender os objetos e fenômenos naturais por meio da observação sistematizada, as coisas começaram a mudar. Nascia então, a ciência!</p>
<p><a href="http://www.suapesquisa.com/biografias/galileu/">Galileu</a>, por exemplo, apontou o telescópio para a lua observando que esta era cheia de crateras, ou seja, estava longe de ser a esfera perfeita que os filósofos imaginavam &#8211; rompendo então com a filosofia. Ele rompeu também com a idéia de que a terra era o centro do universo, apoiando a idéia de Copérnico. Muitas idéias de <a href="http://www.suapesquisa.com/aristoteles/">Aristóteles</a> sobre Física, por exemplo, foram colocadas em xeque com as observações de Galileu (vide links nos nomes deles).</div>
<div>
<p><a href="http://www.pucsp.br/pos/cesima/schenberg/cientistas/galileu2.jpg" class="broken_link"  onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"><img class="aligncenter" src="http://www.pucsp.br/pos/cesima/schenberg/cientistas/galileu2.jpg" border="0" alt="" width="200" height="200" /></a><span style="font-size: x-small;">(Galileu Galilei)</span></div>
<div style="text-align: center;"><span style="font-size: x-small;"><br />
</span></div>
<blockquote style="text-align: left;"><p>Algumas diferenças entre o raciocínio filosófico e o científico são:</p>
<p>• O raciocínio desenvolvido em Filosofia parte de suposições para conclusões. A medida que este vai se desenvolvendo, os argumentos vão tomando forma, criando-se então sentenças do tipo &#8220;se isto fosse assim, então aquilo seria assim&#8221;. O caminho traçado pela ciência é o caminho oposto. O raciocínio científico configura-se a partir de sentenças como &#8220;isto foi observado; o que esses fatos estão nos mostrando, e a que outras observações eles podem levar?&#8221;;</p>
<p>• A verdade filosófica é absoluta: se estas premissas forem enunciadas explicitamente, estando também correto o raciocínio, as conclusões seguem-se necessariamente. A verdade científica, pelo contrário, é sempre relativa e provisória: é suscetível de não ser confirmada por novas observações;</p>
<p>• As suposições filosóficas nos remetem a abstrações além do universo natural, como Deus, harmonia, forma ideal, assim por diante. As suposições científicas que são usadas na construção de teorias referem-se somente ao universo natural e sua possível forma de organização.</p></blockquote>
<p><a href="http://pliniov.blog.uol.com.br/images/aristoteles.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"><img class="aligncenter" src="http://pliniov.blog.uol.com.br/images/aristoteles.jpg" border="0" alt="" width="200" height="200" /></a><span style="font-size: x-small;">(Aristóteles)</span></div>
<div>Assim como especulavam sobre física, os gregos também especulavam sobre a química. Aristóteles, por exemplo, conjecturava que a matéria variava em suas propriedades por ser dotada de certas qualidades, essências ou princípios. O filósofo sugeriu que a matéria continha quatro destas qualidades, sendo elas o <span>quente, o frio, o úmido e o seco </span><span>(a lista foi aumentando com o passar do tempo)</span><span>. </span>Quando a substância era líquida é porque ela possuia em maior quantidade a qualidade <span>úmido; </span>quando era algo sólido, é porque possuía em maior quantidade a qualidade <span>seco;</span> assim por diante. Dizia-se que as substâncias esquentavam porque possuíam internamente a <span>essência calórica</span>. Queimavam porque possuíam <span>flogisto</span>.</p>
<p>Eles acreditavam que estas substâncias eram reais e ficavam escondidas dentro dos materiais (embora ninguém nunca as tivesse encontrado). A partir do momento em que os estudiosos deixaram de lado estas especulações e começaram a desenvolver estudos através da observação sistemática da mudança na matéria, nasceu o que hoje se chama de <span>Química, </span><span>que dentre outros benefícios nos trouxe a tão útil farmacologia.</span></p>
<p>O rompimento da biologia com a filosofia e a teologia se deu do mesmo modo. Antigamente o raciocínio que imperava era que, se existia alguma diferença entre os seres vivos e as coisas não vivas, era porque Deus havia dado às coisas vivas alguma coisa que as não vivas não tinham ganhado. Alguns chamavam essa &#8220;coisa&#8221; de alma; outros, de <span>vis viva</span>. Como o corpo era movido por entidades sagradas, ele era intocável. Ninguém poderia realizar nenhum tipo de procedimento invasivo nele pois, se o fizesse, estaria desrespeitando a Deus. Só a partir do século XVII que os cientistas começaram a dissecar animais e estudar o funcionamento do corpo humano.</p>
<p><a href="http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/WilliHar.html"></a></p>
<blockquote><p><a href="http://www.dec.ufcg.edu.br/biografias/WilliHar.html">Willian Harvey</a> observou como o coração bombeava o sangue através do corpo, descobrindo assim que o funcionamento do ser humano mais parecia com o de uma máquina do que com a ação de uma suposta força mágica. A partir daí, os estudiosos começaram a abandonar a idéia de que o organismo era movido por forças mágicas como a alma ou a <span>vis viva</span>, passando então a estudá-lo de forma sistemática, o que permitiu diversos avanços à medicina que com isto ganhou <span>status</span>científico.</p></blockquote>
<div style="text-align: center;">
<p><a href="http://www.acadciencias.org.br/img/darwin.jpg" onblur="try {parent.deselectBloggerImageGracefully();} catch(e) {}"><img class="aligncenter" src="http://www.acadciencias.org.br/img/darwin.jpg" border="0" alt="" width="200" height="200" /></a> (Darwin)</div>
<div>O mesmo aconteceu com <a href="http://biografias.netsaber.com.br/ver_biografia_c_272.html">Darwin</a> ao publicar sua teoria da evolução das especies através da seleção natural. Muitos se ofenderam porque sua teoria ia contra o relato bíblico de que Deus havia criado todas as plantas e animais do modo que eram e em poucos dias. O próprio Darwin absteve-se de publicar seu livro por muito tempo, só o fazendo no momento em que percebeu que outros estudiosos também estavam chegando à mesma conclusão. A partir do momento em que se descobriu a evolução das espécies, muita coisa mudou no mundo. O ser humano deixou de ser considerado tão especial, passou a ser visto como apenas mais um animal dentre tantos que apenas evoluiu à sua maneira.</p>
<p>Em todos os exemplos citados, houve muita resistência com as novas descobertas científicas. Galileu, por exemplo, foi condenado pela Igreja Católica, sendo obrigado a voltar atrás em Roma e dizer que o heliocentrismo era apenas uma hipótese. Algum tempo depois, ele voltou a defendê-lo.</p>
<p>E, como não poderia deixar de ser, com a psicologia não é diferente. Sua ruptura com a filosofia é relativamente recente e, até a década de 1940, a maioria das universidades não tinha um departamento de Psicologia. Os professores de Psicologia em geral ficavam em departamentos de Filosofia.</p>
<p>Na verdade, ainda hoje, a Psicologia é altamente influenciada pela Filosofia e até pela Teologia. A Psicologia evoluiu muito pouco na prática desde os tempos de Platão e Aristóteles. Ainda hoje os psicólogos prendem-se excessivamente a questões semelhantes às que as outras ciências citadas se prendiam antes de adquirirem condições de evoluir a ponto de trazer maiores benefícios para a sociedade. Não digo que não traziam antes, mas deixo a questão: como estaria o mundo hoje se as ciências citadas não tivessem desenvolvido métodos sistematizados para abordar seus objetos de estudo, continuando assim a tratar deles com base em simples inferências não demonstráveis?</p>
<p>Em uma próxima postagem, trarei a tona a discussão que Skinner faz no primeiro capítulo de seu livro <span>Beyond Freedom and Dignity* </span><span>a respeito da necessidade de uma ciência psicológica que trabalhe com os problemas práticos da realidade e busque soluções para estes, deixando de perder tempo com questões impossíveis de serem estudadas, conjecturando teorias e mais teorias sem fundo natural.</span></p>
<p>*Livro &#8220;Para além da Liberdade e Dignidade&#8221;, traduzido como &#8220;O Mito da Liberdade&#8221; para o português.</p>
<p>Esequias Caetano de Almeida Neto.</p></div>
</div>


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