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	<title>Psicologia e Ciência &#187; Dicas</title>
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		<title>Como lidar com os filhos</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Jun 2009 20:59:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Brino Faggiani</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educativos]]></category>
		<category><![CDATA[Análise do Comportamento]]></category>
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		<description><![CDATA[O bem estar da criança está intimamente ligado com a habilidade de seus pais. Não é incomum encontrar, na clínica infantil, crianças cujos problemas poderiam ser resolvidos caso os pais tivessem alguma instrução sobre análise do comportamento. Este pequeno guia sobre como lidar com os filhos tem o objetivo de prevenir problemas e fornecer ferramentas [...]


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			<content:encoded><![CDATA[<p>O bem estar da criança está intimamente ligado com a habilidade de seus pais. Não é incomum encontrar, na clínica infantil, crianças cujos problemas poderiam ser resolvidos caso os pais tivessem alguma instrução sobre análise do comportamento. Este pequeno guia sobre como lidar com os filhos tem o objetivo de prevenir problemas e fornecer ferramentas aos pais para resolverem possíveis problemas de comportamento dos filhos.</p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-1253" title="pais e filhos" src="http://www.psicologiaeciencia.com.br/wp-content/uploads/2009/06/pais-e-filhos.gif" alt="pais e filhos" width="288" height="315" /></p>
<p><strong>POR QUE NOS COMPORTAMOS?</strong></p>
<p>Para começar, vamos entender por que nos comportamos.</p>
<p>O mais importante a saber é que fazemos o que fazemos porque fomos ensinados. Tudo o que fazemos é aprendido, até mesmo os comportamentos inadequados dos nossos filhos. Se os pais não ajudam o filho na escola, não pedem para eles arrumarem o quarto, não se preocupam se eles saem à noite, com certeza as crianças vão aprender que não precisam estudar, não precisam arrumar o quarto e podem sair para onde quiserem. O fato de que comportamentos são aprendidos é uma boa notícia: significa que podemos ensinar maneiras diferentes de agir. Podemos identificar quais são os comportamentos dos nossos filhos que são inadequados, e criar situações para que eles aprendam melhores formas de se comportar. Para isso, precisamos entender melhor sobre os motivos do comportamento.</p>
<p>Em primeiro lugar, as pessoas se comportam para conseguir algo que querem. Por exemplo: abrimos a geladeira para pegar água, vamos à escola para aprender, convidamos nossos amigos para brincar porque eles nos fazem bem, e assim por diante. Também nos comportamos para evitar algo que é desagradável. Por exemplo: colocamos blusas quando está frio, estudamos para não ir mal à prova, tiramos o sapato se há uma pedra, etc.</p>
<p>Outra propriedade importante do comportamento é que ele é diferente em lugares diferentes. O comportamento na sala de aula difere do comportamento no recreio. As ações diante do chefe diferem das realizada na presença do marido ou da esposa. É importante saber disso porque é comum que nossos filhos se comportem de maneira inadequada com o pai, mas não com a mãe, ou somente na escola e nunca em casa. Se conseguirmos identificar em que situações e com quais pessoas nossos filhos se comportam de forma errada, mais facilmente podemos corrigir esse comportamento.</p>
<p>Vamos usar o exemplo da criança que faz arte na presença do pai e não da mãe. Podemos supor que parte do problema está no fato de que o pai não deve estar estabelecendo regras para a criança, enquanto a mãe consegue impor limites. Agora imaginem uma criança que só estuda na véspera da prova. Muito provavelmente ela faz isso porque os pais não a incentivam a estudar um pouco a cada dia. Se a criança cuidada pela avó faz birra somente quando a mãe, que trabalha o dia todo, chega em casa, isso pode significar que ela está tentando chamar a atenção da mãe com a birra. Esses exemplos mostram a importância de saber em quais situações e com quais pessoas as crianças se comportam inadequadamente. A identificação desses momentos é fundamental para planejar a mudança do comportamento.</p>
<p><strong>A RESPONSABILIDADE DOS PAIS</strong></p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-1254" title="Pai e filho estudando" src="http://www.psicologiaeciencia.com.br/wp-content/uploads/2009/06/Pai-e-filho-estudando.jpg" alt="Pai e filho estudando" width="314" height="208" />Os pais, se desejam ajudar os filhos a corrigir comportamentos problemáticos, devem assumir a responsabilidade pelo que está acontecendo. O que os filhos fazem está relacionado com o comportamento dos pais. Portanto, há sempre algo que pode ser feito para o bem das crianças. É fundamental que os pais assumam a responsabilidade porque eles são as pessoas mais importantes para os filhos e é principalmente na convivência familiar que a criança se desenvolve.</p>
<p>Agora que já foi falado sobre os motivos do comportamento, os pais precisam saber que existem quatro formas diferente de lidar com as ações dos filhos.</p>
<p>A primeira e mais recomendável forma de lidar com os comportamentos dos filhos é premiar as ações positivas com elogios, carinhos, presentes, passeios, comidas preferidas, etc. O comportamento positivo premiado tende a ocorrer novamente. Esse prêmio, no entanto, não deve vir após uma ameaça e deve ocorrer da forma mais natural e menos planejada possível. O prêmio também não deve ser apresentado sempre, mas apenas de vez em quando. Crianças que ouvem palavras de incentivo dos pais crescem felizes, saudáveis e autoconfiantes. Os melhores pais são aqueles capazes de dar atenção aos filhos. É preciso tomar cuidado para o prêmio não virar chantagem. Repito: o prêmio (seja carinho, passeio, etc) deve ser o mais natural e menos planejado possível. Pais que premiam sempre e fazem todas as vontades dos filhos podem estar criando crianças mimadas que terão problemas de se adaptar à realidade. Crianças que têm tudo o que querem não desenvolvem autoconfiança e têm dificuldades em lidar com a frustração.</p>
<p>A segunda forma de lidar com os comportamentos dos filhos é não fazer nada. Há pais que, independentemente do que os filhos fazem, seja bom ou ruim, nada fazem: não dão prêmios ou broncas, não fazem carinhos nem deixam de castigo. Pais que não se importam para o que os filhos fazem podem estar criando adultos com dificuldade de aprendizagem, com baixa auto-estima e baixa autoconfiança. Essas crianças podem se tornar adultos apáticos, incapazes até mesmo de conhecer suas próprias preferências.</p>
<p>A terceira forma é motivar o filho com algum tipo de ameaça. Por exemplo, há pais que criam regras como “se você não estudar, vai ficar de castigo” ou “ou você arruma o quarto ou vai apanhar”, e assim por diante. Essa forma de lidar com as ações dos filhos apenas empurram o problema para frente, mas não o resolvem. Filhos que crescem recebendo ameaças não são capazes de entender o porquê devem se comportar de maneira positiva. Serão adultos desconfiados e com medo de errarem.</p>
<p>A quarta forma é brigar ou bater nos filhos sempre que eles fazem algo errado. Apesar de parecer a mais funcional das formas, é a menos recomendada. Filhos que apanham ou são xingados pelos pais se tornam adultos violentos, sem nenhum amor próprio e sem autoconfiança. Alguns estudos correlacionam a violência na infância com criminalidade. Por isso, bater ou xingar é a pior maneira de lidar com os filhos. Sempre que possível, os pais devem evitar punir suas crianças. Como dito anteriormente, é muito melhor ensinar os filhos por meio da premiação.</p>
<p><strong>DO QUE AS CRIANÇAS GOSTAM</strong></p>
<p><img class="alignleft size-medium wp-image-1255" title="crianças pulando" src="http://www.psicologiaeciencia.com.br/wp-content/uploads/2009/06/crianças-pulando-300x228.jpg" alt="crianças pulando" width="300" height="228" />Agora que os pais sabem a melhor forma de lidar com os comportamentos dos filhos, é válido falar sobre o que as crianças gostam. Se os pais souberem o que é importante para seus filhos, é mais fácil que cuidem deles com atenção e carinho.</p>
<p>Segue uma lista de coisas que as crianças gostam:</p>
<p>1. Brincar: a brincadeira é fundamental para as crianças aprenderem a se relacionar socialmente e conhecer seus limites. Por meio das brincadeiras, elas desenvolvem sua inteligência, imaginação e passam a aprender a diferenciar suas preferências das de outras pessoas.</p>
<p>2. Receber carinho e atenção: tanto meninas quanto meninos gostam de receber carinho e atenção dos pais. Carinho faz com que as crianças se sintam felizes, possibilitando que cresçam com saúde, auto-estima e autoconfiança.</p>
<p>3. Ser ouvido: permita que seus filhos contem histórias, ainda que fantasiosas. Ser ouvido faz com que a criança se sinta valorizada.</p>
<p>4. Poder decidir: meninos e meninas adoram tomar decisões. Uma vez por semana, deixe seu filho escolher o jantar. Permita que ele escolha qual canal assistir, qual refeição comer, etc. Isso é ótimo para autoconfiança dele e ajuda no crescimento saudável.</p>
<p>5. Aprender coisas novas: crianças são curiosas por natureza. Elas gostam de explorar o ambiente, fazer perguntas, etc. Ajudem-nas nisso. Crianças incentivadas a aprender se tornam mais inteligentes e capazes. Portanto, respondam as dúvidas dos seus filhos.</p>
<p>6. Não ser comparado: não é correto comparar um dos seus filhos com seus irmãos ou com outras crianças. Cada pessoa é única e deve ser tratada assim.</p>
<p>7. Ser valorizado: meninos meninas adoram quando os pais prestam atenção no que fazem e elogiam seu trabalho. Elogiar e prestar atenção é uma boa maneira de criar auto-estima e autoconfiança.</p>
<p><strong>COMO VOCÊ DEVE TRATAR SEU FILHO</strong></p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-1256" title="crianças estudando" src="http://www.psicologiaeciencia.com.br/wp-content/uploads/2009/06/crianças-estudando.jpg" alt="crianças estudando" width="180" height="270" />A melhor forma de evitar dificuldades é prevenindo sua ocorrência. Um lar pacífico evita crianças com problemas de comportamento. Hoje em dia, a pressão do trabalho é grande. Os pais chegam em casa estressados e cansados e não têm vontade, ou tempo, de estar com os filhos. É compreensível. No entanto, isso não pode servir como desculpa para uma má educação. Se os pais se esforçarem e criarem um ambiente agradável em casa, vão chegar do trabalho com mais energia, pois vão encontrar paz e o carinhos dos filhos. Se os pais não dão atenção ao lar, o caos se forma e chegar do trabalho pode se tornar desagradável. Portanto, investir na paz em casa é benéfico tanto para os pais quanto para os filhos.</p>
<p>Seguem algumas dicas para um ambiente saudável e para lidar adequadamente com as crianças:</p>
<p>1. Seja honesto e direto com seus filhos. Às vezes as crianças fazem perguntas desconcertantes, ou querem saber o motivo de certas proibições. O melhor caminho a tomar é explicar para os filhos as razões de tudo. Se uma criança entender por que deve olhar para os dois lados antes de atravessar a rua, é muito mais provável que faça isso com cuidado do que se simplesmente ouvir a regra e levar bronca no caso de não segui-la.</p>
<p>2. Tenha certeza de que ensinou o comportamento correto. Muitas vezes exigimos que nossos filhos façam as coisas do nosso jeito, mas não ensinamos exatamente como é esse jeito. Então, antes de brigar com seu filho, tenha certeza de que você deixou claro para ele qual é a maneira correta de se comportar.</p>
<p>3. Todas as pessoas são diferentes. Lembre-se sempre que cada pessoa é única e tem gostos e preferências particulares. Antes de dar uma ordem, de brigar com seu filho, de dizer que ele não faz nada direito, pense nas preferências dele. Não é justo exigir que todas as pessoas sejam iguais a você. É saudável respeitar as particularidades das pessoas.</p>
<p>4. Seja firme, mas não punitivo. Já foi falado sobre o problema de ser punitivo, mas não dos benefícios de ser firme. Ter firmeza significa não voltar atrás nas suas decisões. Uma proibição deve se manter uma proibição até que a situação mude de alguma forma. Pais que voltam atrás em suas decisões podem gerar filhos sem limites. Por exemplo: é muito comum que os pais deixem o filho de castigo, mas o tirem com antecedência por ficarem com dó da criança. Ser firme, nesse caso, consiste em não tirar a criança do castigo até que a determinação inicial tenha sido cumprida.</p>
<p>5. Passe um tempo com seu filho. Após chegar do trabalho, ou nos fins de semana, passe um tempo com seu filho. O ideal é conversar um pouco e brincar com ele. Se não for possível, pelo menos jantem no mesmo horário e assistam ao programa favorito da criança. Filhos que não passam tempo com os pais podem desenvolver problemas em relacionamentos e dificuldade em confiar em outras pessoas.</p>
<p>6. Interesse-se pelas tarefas da escola. É comum que os pais pensem que o filho tem a obrigação de estudar. Isso é só parcialmente correto. Os filhos devem, sim, freqüentar a escola, mas ao invés de serem forçados, devem ser incentivados a isso. Pais que se interessam pelo que aconteceu na escola, que vistam as tarefas escolares, que ajudam os filhos a estudarem para as provas e que participam dos eventos da escola, estão contribuindo não só para a formação imediata do filho, mas para seu futuro de interesse pelos estudos. Não é preciso saber sobre o que os filhos estão estudando. Mostrar interesse basta para incentivar a criança.</p>
<p>7. Sejam coerentes. Há pais que dividem os papéis. Um deles é o liberal e o outro, o chato. Isso deve ser evitado. O ideal é que os pais entrem em acordo sobre os limites dos filhos e sobre possíveis punições ou prêmios. Pais discordantes podem deixar o filho confuso, além do fato de que as crianças podem passar a preferir um do pais ao outro, o que não é desejável nem saudável.</p>
<p>8. Imponha limites. Crianças precisam saber até onde podem ir. Tratar bem o filho não é sinônimo de deixá-los fazer o que bem entenderem. Os limites são importantes, pois protegem os filhos de fazerem algo perigoso ou que pode ser socialmente considerado ruim. Por meio dos limites, as crianças aprendem que há regras no mundo e que é preciso obedecê-las como todos fazem. Os limites devem ser pensados para não serem muitos nem poucos. Crianças com muitos limites crescem com medo de errarem e arriscarem. Crianças com poucos limites podem se tornar sem valores morais.</p>
<p>9. Reconheça seus erros. Ninguém é infalível. Se você cometeu algum erro com seu filho, não tenha medo de admitir. Além de fazer bem para você e para a criança, isso vai ensiná-la a se responsabilizar por seus atos.</p>
<p>10. Converse também sobre assuntos delicados. Muitas crianças têm curiosidade sobre sexo, morte ou outros assuntos do tipo. O ideal é não esconder delas o que são essas coisas, e falar sobre esses temas de uma forma apropriada para cada idade. Uma criança de 7 anos não precisa saber tudo sobre sexo, mas é bom que saiba o que é isso. Já uma criança de 16 anos precisa saber tudo sobre sua sexualidade. Apesar de esses assuntos serem tabus, eles precisam ser tratados. A honestidade e clareza com a criança pode prevenir problemas futuros.</p>
<p>11. Seja um modelo. Filhos imitam os pais. É injusto exigir do filho um comportamento que os pais não demonstram.</p>
<p>12. Procure ajuda. Caso essas dicas não ajudem, procurem ajuda de um profissional. Problemas graves, como abuso de drogas, podem requerer auxílio de uma pessoa especializada no problema. Não há vergonha em pedir ajuda. Pelo contrário, é nobre querer ajudar o filho.</p>
<p>Essas dicas encerram este pequeno guia. Caso tenha contribuições para complementá-los, deixe-as nos comentários. Caso queria, conheça o serviço de <a href="http://www.psicologiaeciencia.com.br/treino-de-pais/">Treino de Pais</a>.</p>
<p>Robson Faggiani</p>


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		<title>Coerção e suas Implicações</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Mar 2009 15:44:19 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Brino Faggiani</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-589" title="39447" src="http://psicologiafqm.wordpress.com/files/2009/03/39447.jpg" alt="39447" width="133" height="191" />No ano de 1989, Murray Sidman lançou ao mundo um dos melhores livros de Psicologia já escritos: &#8220;Coerção e suas Implicações&#8221;. O livro mostra os malefícios da utilização de punições e coação para controlar o comportamento humano. Trata-se, quase, de um manifesto com bases científicas contra a opressão.</p>
<p>Sidman mostra que a famosa frase &#8220;violência gera mais violência&#8221; é uma verdade científica. Relata experimentos e discute casos reais para comprovar o quanto a punição tem resultados indesejáveis.</p>
<p><span id="more-574"></span></p>
<p>É um livro recomendado não somente a psicólogos, mas a todos que possuem interesse em compreender o comportamento humano. Algumas leituras têm o poder de transformar nossa visão de mundo. &#8220;Coerção e suas Implicações&#8221; tem esse efeito. E nos muda para melhor: a favor de um mundo em que as pessoas se comportam por prazer e não para evitar a dor.</p>
<p>Vale a visita.</p>
<p>Robson Brino Faggiani</p>


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		<title>Os Desafios da Terapia e FAP</title>
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		<pubDate>Mon, 02 Feb 2009 12:12:00 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Brino Faggiani</dc:creator>
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A linha do autor é a Psicanálise. No entanto, o livro deve agradar a gregos e troianos. O [...]


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			<content:encoded><![CDATA[<p>Neste início de semestre estou lendo um livro bastante útil sobre a prática clínica. Trata-se de &#8220;Os Desafios da Terapia&#8221; de Irvin Yalom. É um livro recheado de dicas sobre como lidar com o cliente no processo terapêutico.</p>
<p>A linha do autor é a Psicanálise. No entanto, o livro deve agradar a gregos e troianos. O autor sabiamente optou por não focar em teoria, e sim no relacionamento humano que ocorre nas sessões. Muitas dicas me lembraram o livro Psicoterapia analítica-funcional (de abordagem comportamental), de Kohlenberg e Tsai.</p>
<p><span id="more-531"></span></p>
<p><img class="alignleft" src="http://4.bp.blogspot.com/_UUOK7Z5yN1s/SKr0Qxbo8vI/AAAAAAAAAA8/hI_KPc0d_qk/s200/os+desafios+da+terapia.jpg" alt="" width="134" height="200" /></p>
<p>Em comum, os autores dos volumes defendem uma relação terapêutica profunda e verdadeira. Sugerem que os psicólogos revelem para os clientes o que pensam e sentem sobre eles (quando couber e for terapêutico). A abordagem humana de Yalom e Kohlenberg e Tsai vem ao encontro do que os clientes necessitam: alguém que os ouça e os aceite como são.</p>
<p><img class="alignright" src="http://www.esetec.com.br/capa/webfap.jpg" alt="" width="120" height="176" /></p>
<p>O livro da FAP tem a vantagem de apresentar as razões científicas de uma relação mais humana em terapia. A linha básica de argumentação dos autores é que os clientes se beneficiam quando encontram na sessão terapêutica um ambiente semelhante ao que lhe causa as dificuldades relatadas. Ou seja, é necessário fazer terapia &#8216;onde&#8217; os problemas acontecem. A sugestão de que a relação terapêutica seja mais humana tem origem na constatação da necessidade (e dificuldade) que os clientes têm em desenvolver relações verdadeiras.</p>
<p>Os dois livros valem a leitura, e com certeza ajudarão psicólogos e futuros psicólogos a moldarem sua prática clínica.</p>
<p>Robson Faggiani</p>


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		<title>As habilidades necessárias para um psicólogo &#8211; parte 4 (final) &#8211; conhecer as pessoas</title>
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		<pubDate>Thu, 23 Oct 2008 10:56:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Brino Faggiani</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No segundo texto dessa série, falei sobre a importância do psicólogo ter empatia. Mais do que isso, no entanto, o psicólogo precisa ter um conhecimento geral de como funciona o comportamento humano e do que as pessoas precisam. O profissional de saúde lida com desejos, expectativas, sentimentos, necessidades, etc. Conhecer características comuns das pessoas ajuda [...]


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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.psicologiaeciencia.com.br/wp-content/uploads/2008/10/people.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-390" title="people" src="http://www.robsonfaggiani.com/wp-content/uploads/2008/10/people-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>No segundo texto dessa série, falei sobre a importância do psicólogo ter empatia. Mais do que isso, no entanto, o psicólogo precisa ter um conhecimento geral de como funciona o comportamento humano e do que as pessoas precisam. O profissional de saúde lida com desejos, expectativas, sentimentos, necessidades, etc. Conhecer características comuns das pessoas ajuda a intervir de maneira mais eficiente.</p>
<p>De forma simplista, é possível dizer que as pessoas procuram o que lhes faz bem e evitam o que as incomoda. É a regra geral. A idéia é simples, mas pode confundir. Tem-se sempre que considerar o que é bom e ruim na concepção do cliente, e não aos olhos do psicólogo. Por exemplo, um indivíduo masoquista obtém prazer com a dor. Pode parecer estranho para quem não tem esse prazer, mas o masoquista se satisfaz, sim, com a dor. O referencial é SEMPRE o cliente.</p>
<p>Os indivíduos são imensamente diferentes entre si, e nenhuma afirmação sobre a espécie pode ser generalizada. No entanto, é possível fazer uma lista de alguns desejos e vontades compartilhados por muitas pessoas: ser ouvido, ser compreendido, ser amado, receber toques físicos, fazer sexo, ter sucesso profissional, ser um cônjuge amoroso, ser um pai ou filho amoroso, receber amor do cônjuge, receber amor dos pais e filhos, ter sucesso intelectual, ter amigos e ser reconhecido pelo que faz. Ou seja, de modo geral, as pessoas precisam de <strong>contato social prazeroso, contato físico prazeroso, sucesso e reconhecimento nas atividades realizadas</strong>. Alerta: isso é uma simplificação, não abrangendo de forma alguma toda a complexidade humana, mas é um ponto de partida interessante para análise.</p>
<p>Pessoas que procuram por terapia comumente estão com problemas em uma ou mais áreas listadas acima. Depressão, por exemplo, pode ser causada por falta de contato social ou por falta de sucesso nas atividades realizadas. Síndrome do pânico pode ocorrer quando o indivíduo não está dando conta de todas as suas atividades e não tem apoio afetivo adequado. Fobias são mais viscerais, mas mesmo algumas delas têm componentes afetivo-sociais, como a timidez exagerada ou o medo de multidões.</p>
<p>Outro ponto importante. Além do problema específico trazido pelo cliente que chega à terapia, muito provavelmente ele também necessita ser ouvido e compreendido. Particularmente, jamais atendi um cliente que não se beneficiou da atenção e compreensão que eu mostrava a ele. Esse ato aparentemente tão simples pode produzir resultados fantásticos. Sugiro que ouçam com atenção e deixem claro que estão lá para ajudar o cliente.</p>
<p>Um conselho que considero fundamental é: antes de fazer um diagnóstico ou planejar uma intervenção, tenha bastante certeza das perdas sociais, afetivas e da percepção que o cliente tem de sua capacidade. Independente do problema, conhecer as faltas nessas áreas e ajudar o cliente a superá-las pode ser a diferença entre um tratamento focado apenas na queixa e um tratamento realmente humano e abrangente.</p>
<p>Conhecer as pessoas requer bom senso e percepção. Todos temos muito a aprender. Mas, por sorte, temos as teorias para nos ajudar. Um começo um tanto ultrapassado e criticado, mas ainda interessante, sobre as necessidades das pessoas está na <a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Hierarquia_de_necessidades_de_Maslow" target="_blank">pirâmide de Maslow</a>.</p>
<p>&#8212;&#8212;</p>
<p>Esse texto encerra a série sobre as habilidades necessárias a um psicólogo. Caso queiram saber mais sobre o tema, ou percebam que uma habilidade importante não foi discutida, fiquem à vontade para comentarem.</p>
<p>Robson Faggiani</p>


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		<title>Como escolher uma abordagem &#8211; parte 2 (final)</title>
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		<pubDate>Sat, 18 Oct 2008 12:04:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Brino Faggiani</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.psicologiaeciencia.com.br/wp-content/uploads/2008/10/wegweiser2.jpg"><img class="alignleft size-thumbnail wp-image-288" title="wegweiser2" src="http://www.robsonfaggiani.com/wp-content/uploads/2008/10/wegweiser2-150x150.jpg" alt="" width="105" height="105" /></a>Para escolher uma abordagem, é necessário conhecer sua (1) filosofia de homem, (2) a maneira como descreve as relações dos homens com o mundo e (3) seu sistema de intervenção, críticas e pesquisas sobre seus resultados. Neste texto, discutirei brevemente cada uma dessas características. O objetivo é que, em posse de informações, os estudantes possam decidir melhor sua abordagem.</p>
<p><strong><span style="color: #339966;"><span style="color: #ffffff;">.</span><br />
<span style="color: #000000;">FILOSOFIA</span></span></strong><br />
Vou explicar sobre filosofia de forma bem simplificada. As diferentes abordagens compreendem o humano de maneiras particulares. Enquanto a psicanálise e a análise do comportamento são deterministas, o humanismo e o existencialismo descrevem o homem com mais liberdade. Há abordagens que consideram o homem como um ser indivisível (análise do comportamento e alguns cognitivistas) e outros o separam em mente e corpo (psicanálise, humanismo). Algumas abordagens consideram o homem como um ser com uma busca, outras não estipulam qualquer natureza humana.</p>
<p>Antes de escolher uma abordagem, é necessário investigar qual delas tem uma visão de homem mais compatível com a maneira como você compreende o mundo. Outra opção é se deixar convencer por novas visões de homem. Abordagens mais voltadas para a ciência tendem a ser mais deterministas e não estabelecer natureza humana; abordagens mais filosóficas entendem o homem como um ser em busca de realização, mas possuem pouca ou nenhuma confirmação de seus resultados. A melhor alternativa é estudar e estudar antes de escolher.</p>
<p><span style="color: #000000;"><strong><span>HOMEM E MUNDO E OBJETO DE ESTUDO</span></strong></span><br />
Um pouco baseada na filosofia, cada abordagem tem uma teoria de como homem e mundo se relacionam. A abordagem cognitiva, por exemplo, enfatiza a importância do pensamento na construção dos comportamentos e sentimentos. A psicanálise foca processos inconscientes como os determinantes do homem. A análise do comportamento, por sua vez, enfatiza mais variáveis ambientais que estão fora e dentro do homem como causas dos comportamentos.</p>
<p>O aluno também deve prestar atenção ao objeto de estudo de cada abordagem. Para os analistas do comportamento, por exemplo, a Psicologia deve estudar o comportamento, compreendido como relação entre respostas externas e internas e o ambiente externo e interno. Os psicanalistas preocupam-se com a dinânica dos investimentos inconscientes. A ciência cognitiva foca pensamentos, crenças e regras. Novamente, somente estudo pode ajudar o estudante a tomar uma decisão.</p>
<p><span style="color: #000000;"><strong><span>SISTEMA DE INTERVENÇÃO E PESQUISAS</span></strong></span><br />
A filosofia e a teoria sobre a relação homem e mundo determinam o sistema de intervenção de uma abordagem. Há indicações sobre como lidar com todos os transtornos conhecidos? Existe uma literatura detalhada sobre intervenções em diferentes contextos? Existem pesquisas mostrando a efetividade das intervenções propostas? Como são feitas as críticas a cada abordagem?</p>
<p>A melhor maneira de responder a essas perguntas é procurar por revistas científicas (ou journals internacionais) sobre a abordagem. Livros podem ajudar, mas é nos artigos que as intervenções são, de fato, avaliadas. Na sessão de links existem indicações de sites de procura de artigos.</p>
<p><strong><span style="color: #339966;"><span style="color: #000000;">DICA MINHA</span><br />
</span></strong>Pessoalmente, <strong>escolhi a minha abordagem baseado em sua estreita relação com a ciência</strong>. Conheço colegas que escolheram abordagens por elas terem sistemas teóricos FÁCEIS de serem aprendidos. Outros, por preferência estética (a abordagem falava de modo bonito). Acredito que meus colegas tomaram a decisão errada.</p>
<p><strong>Psicólogos são profissionais que lidam com pessoas em dificuldades. Temos que oferecer a elas um serviço de qualidade, e não um serviço baseado em nossas preferências</strong>. Portanto, sugiro que você escolha uma abordagem analisando, prioritariamente, seus resultados e pesquisas. Lembre-se que você será um profissional e deve ser competente ao intervir.</p>
<p>Boa sorte.</p>
<p>Robson Brino Faggiani</p>


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		<title>As habilidades necessárias para um psicólogo &#8211; parte 3 &#8211; conhecimento teórico</title>
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		<pubDate>Thu, 16 Oct 2008 12:27:54 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Brino Faggiani</dc:creator>
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Nessa série de textos, já discuti as importantes habilidades de se comunicar e de ouvir. Um bom psicólogo deve também ter conhecimento teórico. A teoria é o primeiro passo para uma prática bem sucedida, é com base nela que o profissional inicia seu trabalho de avaliação e intervenção. Mas, o que é preciso conhecer?
Toda abordagem [...]


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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.psicologiaeciencia.com.br/wp-content/uploads/2008/10/festival_of_books.jpg"><br />
</a></p>
<div>
<p><a href="http://www.psicologiaeciencia.com.br/wp-content/uploads/2008/10/festival_of_books.jpg"></a>Nessa série de textos, já discuti as importantes habilidades de se comunicar e de ouvir. Um bom psicólogo deve também ter conhecimento teórico. A teoria é o primeiro passo para uma prática bem sucedida, é com base nela que o profissional inicia seu trabalho de avaliação e intervenção. Mas, o que é preciso conhecer?</p>
<p>Toda abordagem psicológica tem, basicamente, os mesmos elementos: uma concepção filosófica do que é o homem, um corpo de hipóteses do porquê o homem é como é, teorias sobre como o homem e o mundo se relacionam, e técnicas de intervenção baseadas nos três elementos anteriores (esses elementos serão discutidos na série sobre &#8220;Como escolher uma abordagem&#8221;).</p>
<p>Um bom psicólogo deve conhecer detalhadamente cada uma dessas quatro características de uma abordagem. Elas fornecem as ferramentas para a avaliação e intervenção psicológicas. Um psicólogo sem conhecimento teórico, ou que conhece pouco de cada teoria, dificilmente conseguirá avaliar seu cliente de maneira adequada, e terá dificuldades em plajenar uma intervenção eficiente.</p>
<p>Aplicar Psicologia não é aplicar senso comum. As teorias são resultado de décadas de pesquisa e reflexões sobre o comportamento humano e sobre como modificá-lo. É a partir delas que o psicólogo cria hipóteses e as verifica. Finalmente, as teorias constituem o conhecimento que o psicólogo tem disponível sobre o ser humano; um conhecimento baseado ora em características gerais das pessoas, ora em suas particularidades.</p>
<p><a href="http://www.psicologiaeciencia.com.br/wp-content/uploads/2008/10/psychology-head.jpg"></a>Depois de formado, quando lida com um caso inédito, um psicólogo muitas vezes não tem a quem recorrer senão a teoria. Deve saber buscar o material, interpretar as idéias e transformá-las em práticas a serem aplicadas. Felizmente, existe uma infinidade de materiais sobre diferentes psicopatologias e modos específicos de tratamento baseados em abordagens. O acesso a esses materiais é relativamente fácil.</p>
<p>Prova da importância do conhecimento teórico é a freqüente busca de profissionais recém formados por cursos de formação e especialização. Apesar de esses cursos serem importantes, é na graduação que existe a inestimável oportunidade de entrar em contato com a maior quantidade de teorias possíveis. A melhor forma de desenvolver conhecimento teórico é estudando textos originais dos autores preferidos. Os professores podem ajudar nessa tarefa, indicando livros que são considerados clássicos e, principalmente, fornecendo ferramentas de como buscar literatura adequada.</p>
<p>&#8212;&#8211;</p>
<p>No último texto da série, vou discutir uma habilidade fundamental para um psicólogo: conhecer as pessoas. E, por conhecer as pessoas, estou me referindo ao que as pessoas desejam e precisam.</p>
<p>Robson Faggiani</p></div>


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		<title>Como escolher uma abordagem &#8211; parte 1</title>
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		<pubDate>Tue, 07 Oct 2008 18:29:17 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Brino Faggiani</dc:creator>
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		<description><![CDATA[É bastante comum que os alunos do curso de Psicologia tenham dúvidas sobre qual abordagem seguir profissionalmente. Não é realmente uma escolha fácil. De certo modo, a escolha da abordagem é como uma segunda opção de profissão. Neste texto vou comentar sobre alguns fatos que os alunos devem considerar antes de tomar essa decisão.
Existe um [...]


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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.psicologiaeciencia.com.br/wp-content/uploads/2008/10/interrogacao.jpg"><img class="alignleft size-medium wp-image-145" title="interrogacao" src="http://www.robsonfaggiani.com/wp-content/uploads/2008/10/interrogacao-300x212.jpg" alt="" width="173" height="122" /></a>É bastante comum que os alunos do curso de Psicologia tenham dúvidas sobre qual abordagem seguir profissionalmente. Não é realmente uma escolha fácil. De certo modo, a escolha da abordagem é como uma segunda opção de profissão. Neste texto vou comentar sobre alguns fatos que os alunos devem considerar antes de tomar essa decisão.</p>
<p>Existe um pensamento um pouco enganoso na Psicologia. Afirma-se que a pluraridade de abordagens é desejável, que torna a área rica e com muitas possibilidades. No entanto, ter muitas opções só é algo positivo quando a maioria delas tem qualidade. É difícil definir &#8220;ter qualidade&#8221;, mas creio ser de concordância geral que, no mínimo, uma abordagem deve ter uma estrutura filosófica e teórica coerentes, ser capaz de explicar uma grande variedade de fenômenos, ter eficácia comprovada (preferencialmente com demonstração científica) e ser aplicável a uma grande quantidade de problemas práticos.</p>
<p>Como dito acima, escolher uma abordagem é como selecionar uma segunda profissão. A Psicologia é uma área muito ampla e as abordagens são imensamente diferentes entre si. Elas diferem em filosofia, objeto de estudo, teoria, linguagem, formas de pesquisa, dados científicos e práticas de intervenção. Todas essas características resultam em perspectivas muito particulares de como perceber o homem e como lidar com ele profissionalmente, e resultam em certas expectativas de postura do psicólogo. Antes de escolher qual forma de perceber a Psicologia e as pessoas é melhor para você, atente para essas diferenças.</p>
<p><a href="http://www.psicologiaeciencia.com.br/wp-content/uploads/2008/10/globe_hands.jpg"><img class="size-thumbnail wp-image-156 alignright" title="globe_hands" src="http://www.robsonfaggiani.com/wp-content/uploads/2008/10/globe_hands-150x150.jpg" alt="" width="150" height="150" /></a>Infelizmente, ser plurarista, utilizar um pouco de cada perspectiva não é uma solução adequada. Para começar, muitas características das abordagens são incompatíveis entre si, ou seja, juntar elementos pode resultar em um Frankenstein desajeitado e nada efetivo. Em segundo lugar, estudar um pouco de cada abordagem jamais permitirá que realmente se conheça profundamente um sistema teórico e de trabalho; a especialização é necessária, pois está intimamente ligada à qualidade profissional. Finalmente, formar uma colcha de retalhos transforma o psicólogo em um &#8220;despatriado&#8221;; possivelmente, nenhum colega vai considerar seu trabalho produtivo se ele for composto por uma montagem incompatível.</p>
<p><span style="color: #000000;"><strong><span>O primeiro e mais importante passo para escolher uma abordagem é não acreditar em seus professores.</span></strong></span> Vá além do que eles falam: procure textos, critique, tente responder as críticas, leia livros dos principais autores das abordagens. Deixe-se, sim, encantar pelo professor, mas não fique apenas no encanto. As abordagens são muito mais do que é possível explicar em sala de aula: têm história, passaram por crises, possuem conflitos internos, foram bem sucedidas em alguns países e expulsas de outros, regrediram, evoluíram, e assim por diante. É extremamente arriscado escolher uma abordagem sem conhecer seus autores e sua história. A dica de ouro, então, é: <span style="color: #000000;"><strong><span>pesquise, estude, analise</span></strong>.</span></p>
<p>Já ouvi muitas pessoas dizerem que não é o psicólogo que escolhe a abordagem, mas o contrário. Talvez haja um pouco de verdade nessa afirmação. Alunos de Psicologia chegam ao curso com um conjunto de expectativas e opiniões. É natural que algumas abordagens sejam preferidas em função da história de vida do aluno. No entanto, preferência não é a melhor forma de escolha. As características da abordagem devem receber grande atenção dos estudantes. <em>São essas características que começarei a discutir no próximo texto.</em></p>
<p>&#8212;&#8211;</p>
<p>Novamente, peço que entrem em contato para darem opiniões e sugerirem bons critérios de avaliação de uma abordagem.</p>
<p>Robson Faggiani</p>


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		<title>As habilidades necessárias para um psicólogo &#8211; parte 2 &#8211; ouvir</title>
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		<pubDate>Fri, 03 Oct 2008 19:37:53 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Brino Faggiani</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No primeiro texto dessa série, comentei sobre a importância da habilidade de se comunicar. Grande parte dessa habilidade está em ouvir o que o interlocutor tem a dizer. É ouvindo, prestando atenção ao cliente, que o psicólogo coleta os dados que servirão como base para o planejamento de sua intervenção.
A terapia é sobre o cliente: [...]


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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.psicologiaeciencia.com.br/wp-content/uploads/2008/10/listen-to.jpg"><img class="size-medium wp-image-114 alignleft" title="listen-to" src="http://www.robsonfaggiani.com/wp-content/uploads/2008/10/listen-to-300x226.jpg" alt="" width="123" height="92" /></a>No primeiro texto dessa série, comentei sobre a importância da habilidade de se comunicar. Grande parte dessa habilidade está em ouvir o que o interlocutor tem a dizer. É ouvindo, prestando atenção ao cliente, que o psicólogo coleta os dados que servirão como base para o planejamento de sua intervenção.</p>
<p>A terapia é sobre o cliente: o psicólogo é um profissional contratado para lidar com as dificuldades e dúvidas de outra pessoa. Todo o processo terapêutico tem como objetivo auxiliar o cliente a encontrar as respostas que ele procura e a mudar os comportamentos que mantém ou produz sas dificuldades. A terapia, portanto, não é um lugar para o terapeuta exibir suas experiências ou conhecimentos. O cliente é o centro, e o profissional deve orbitá-lo humildemente.</p>
<p>Ouvir não é apenas olhar para o cliente, apenas prestar atenção. São necessárias posturas intelectuais e comportamentais adequadas. Neste texto, vou discutir essas posturas, começando pela comportamental. Em seguida, vou falar sobre empatia.</p>
<p><span style="color: #000000;"><strong><span>POSTURA COMPORTAMENTAL</span></strong></span><br />
O cliente PRECISA saber que o psicólogo está ouvindo. Acredito que a maioria das pessoas que procura um psicólogo o faz porque não tem com quem conversar abertamente, ou porque tem medo de conversar com as pessoas disponíveis. O psicólogo, então, cumpre o papel de ser aquele que ouve com atenção.</p>
<p>Olhar para o cliente, expressar-se não-verbalmente em coerência com o que ele diz, balançar a cabeça para cima e para baixo, olhar nos olhos (não fixamente), manter braços descruzados, são algumas posturas não-verbais que indicam interesse. Muitos clientes podem se beneficiar grandemente apenas com essa demonstração de interesse. Pratique-as com colegas e familiares.</p>
<p>Falar abertamente frases como &#8220;entendo&#8221;, &#8220;imagino como foi difícil&#8221;, &#8220;nós vamos lidar com esse problema&#8221;, etc, são indicativos bastante fortes de que se está prestando atenção. Outros poderosos indicativos são paráfrases e resumos do que o cliente disse. Use-os à vontade, apenas cuidando para não se tornar enfadonho.</p>
<p><strong><span style="color: #339966;"><span style="color: #000000;">POSTURA INTELECTUAL</span><br />
<span style="font-weight: normal; color: #000000;"><a href="http://www.psicologiaeciencia.com.br/wp-content/uploads/2008/10/understand.gif"><img class="size-medium wp-image-122 alignleft" title="understand" src="http://www.robsonfaggiani.com/wp-content/uploads/2008/10/understand-244x300.gif" alt="" width="120" /></a>O que pode fazer um psicólogo que ouve e não compreende o que ouviu? Absolutamente nada. É fundamental ser capaz de interpretar, abstrair e sintetizar os elementos mais importantes do que o cliente diz. Além disso, é necessário relacionar esses elementos com o que se conhece de teoria. A integração do que o cliente descreve com o conhecimento teórico do psicólogo fornece as bases para o planejamento da intevenção.</span></span></strong></p>
<p>Para ouvir, em outras palavras, é preciso entender. A melhor maneira de treinar essa habilidade é por meio de muita leitura, muita conversa e elaborar resumos dessas leituras e conversas. Esse treinamento, além de melhorar a prática profissional, soma conhecimentos ao psicólogo. Estudar, raciocinar, refletir, criticar, pensar, enfim, são habilidades fundamentais e necessitam ser exaustivamente treinadas.</p>
<p><span style="color: #000000;"><strong><span>EMPATIA</span></strong></span><br />
Outra habilidade importante no repertório do psicólogo é a empatia: colocar-se no lugar do outro. Ter empatia pelo cliente, conseguir sentir o que ele sente em algum grau, pode ter efeitos extremamente positivos na terapia. Além de aumentar o grau de entendimento do que o cliente diz, também auxilia no planejamento da intervenção.</p>
<p>Alguns autores dizem que a empatia tem um componente intelectual (um esforço para se colocar no lugar do outro) e um componente emocional (sentir-se como o outro). Imagino que treinar o componente emocional seja tarefa difícil. Por outro lado, é possível imaginar-se no lugar do outro; acredito que treinar o componente intelectual da empatia automaticamente fará desenvolver o componente emocional.</p>
<p>&#8212;&#8211;</p>
<p>Neste texto comentei sobre habilidades relacionadas com a compreensão do cliente. Em seguida, vou discutir a importância do conhecimento teórico para a prática do psicólogo.</p>
<p>Deixe seus comentários e sugestões.</p>
<p>Robson Brino Faggiani</p>


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		<title>As habilidades necessárias para um psicólogo &#8211; parte 1 &#8211; comunicação</title>
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		<pubDate>Mon, 29 Sep 2008 19:05:28 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Brino Faggiani</dc:creator>
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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="size-medium wp-image-90 alignleft" title="ist2_4442203-foam-abc-letters1" src="http://www.robsonfaggiani.com/wp-content/uploads/2008/09/ist2_4442203-foam-abc-letters1-300x204.jpg" alt="" width="131" height="88" />Este é o primeito texto de uma série de pequenos artigos sobre as habilidades necessárias a um psicólogo para que ele exerça sua profissão de maneira adequada. Vou comentar sobre as habilidades que considero mais importantes. Os leitores podem contribuir falando sobre outras habilidades nos comentários desse texto, ou sugerindo algum tema via o Formulário de Contato.</p>
<p>Decidi começar pela habilidade de se comunicar porque falar e ouvir são as principais ferramentas de trabalho do psicólogo. É por meio da comunicação que o profissional avalia as dificuldades do cliente e é por meio da comunicação que intervém nessas dificuldades (interpretando, sugerindo, questionando, etc). Além da importância na atividade profissional em si, as habilidades de comunicação são o cartão de visitas do psicólogo: são a única base que potenciais clientes têm para avalar a qualidade do profissional.</p>
<p>&#8220;Comunicar-se&#8221; é, na verdade, um conjunto de habilidades. Dentro desse conjunto, pretendo discutir a capacidade de utilizar o português correto na fala e na escrita, de se expressar de forma amigável, de adaptar a linguagem ao público, de manter uma postura não-verbal coerente com a fala, e de ouvir atenta e criticamente (esta habilidade será tratada no segundo texto desta série).</p>
<p><strong><span style="color: #339966;"><span style="color: #000000;">UTILIZAR O PORTUGUÊS CORRETO </span><span style="font-weight: normal; color: #000000;"><br />
Um psicólogo tem que utilizar as normas cultas da língua. Deve saber escrever e falar corretamente. Isso demonstra que ele possui conhecimentos e é confiável. Um psicólogo que fale &#8220;hoje nós vai trabalhar aquele assunto&#8221; não inspira respeito.</span></span></strong> Escrever corretamente é também importante. Não raro o psicólogo tem que produzir laudos, pareceres, ou outro tipo de comunicação sobre seu trabalho. A capacidade de organizar as informações e escrever textos coerentes também é uma medida da qualidade do psicólogo.</p>
<p>A expressão correta não depende apenas do conhecimento das normas cultas da língua. A base para uma boa expressão está na capacidade de integrar os diferentes conhecimentos e ser capaz de expor o que for relevante de maneira sintética. Em outras palavras, <strong>uma boa comunicação depende de pensamento e reflexão</strong>. A melhor maneira de treinar essa habilidade é lendo e reescrevendo o que foi lido.  <strong></strong></p>
<p><span style="color: #000000;"><strong><span>EXPRESSAR-SE DE MANEIRA AMIGÁVEL</span></strong></span><br />
Como norma, o psicólogo geralmente lida com pessoas passando por dificuldades. São pessoas que precisam de um profissional que forneça a elas a ajuda que não conseguem em outros lugares. Por isso, o psicólogo deve se comunicar de forma amigável, deixando claro para seus clientes que sua função é ajudá-los. Mesmo quando deve falar sobre algo delicado, ou chamar atenção para um comportamento do cliente que não foi adequado, é necessário ser respeitoso e não punitivo.</p>
<p>Cortes bruscos, tom de voz alto, ironia, desdém, são formas de expressão inadequadas. O cliente pode interpretá-las como sinais de cansaço, falta de paciência ou raiva do psicólogo. Essas interpretações têm grandes chances de levar ao fim da terapia e a uma atitude negativa do cliente com os psicólogos de modo geral.  <span style="color: #339966;"><strong></strong></span></p>
<p><span style="color: #000000;"><strong>ADAPTAR A LINGUAGEM AO PÚBLICO</strong></span> <a href="http://www.psicologiaeciencia.com.br/wp-content/uploads/2008/09/childandadult-talking.jpg"><img class="size-full wp-image-91 alignleft" title="childandadult-talking" src="http://www.psicologiaeciencia.com.br/wp-content/uploads/2008/09/childandadult-talking.jpg" alt="" width="200" height="131" /></a><br />
As normas da língua sempre devem ser observadas, mas as palavras escolhidas na comunicação devem ser compreensíveis ao interlocutor. Utilizar palavras rebuscadas com pessoas sem estudo pode dar a impressão de que o psicólogo está esnobando ou que é inatingível. Escolher palavras simples para pessoas estudadas, por outro lado, pode dar a impressão de ignorância e falta de qualidade profissional.</p>
<p>Um psicólogo deve se adaptar ao público, ser um pouco como um espelho do seu cliente. Para isso, precisa ter conhecimentos o suficiente para se comunicar com qualquer tipo de pessoa.  <strong></strong></p>
<p><span style="color: #000000;"><strong><span>POSTURA NÃO-VERBAL COERENTE</span></strong></span><br />
Alguns estudos afirmam que a maior parte da comunicação entre duas pessoas ocorre por canais não-verbais. Uma fala alegre não é levada a sério quando acompanhada por uma postura contraída. Uma afirmação é interpretada como falsa se dita em tom de voz baixo ou sem contato olho no olho.</p>
<p>O psicólogo precisa atentar para seu próprio comportamento não-verbal. Além de se esforçar por manter uma postura coerente com as palavras usadas, a auto-observação ajuda o psicólogo a conhecer sua reação às falas do seu interlocutor.  Coluna ereta, olhos nos olhos, braços sempre descruzados, acenar que &#8220;sim&#8221; com a cabeça, não realizar comportamentos repetitivos são sinais não-verbais de confiança, de que se está atento e interessado. O cliente percebe tais sinais, ainda que de forma inconsciente.</p>
<p>&#8212;&#8212;-</p>
<p>Todas essas habilidades são fundamentais para o trabalho do psicólogo. Mas apenas falar não é suficiente para garantir a qualidade do profissional. Grande parte da comunicação envolve a capacidade de ouvir atenta e criticamente, e é isso que vou discutir no próximo texto desta série.</p>
<p>Robson Brino Faggiani</p>


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