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	<title>Psicologia e Ciência &#187; Análise Experimental do Comportamento</title>
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		<title>Autocontrole: você pode ter???</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Oct 2009 00:46:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Conceitos]]></category>
		<category><![CDATA[Análise do Comportamento]]></category>
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		<description><![CDATA[Tratado geralmente como uma características das pessoas, no sentido de que alguns têm autocontrole e outros não têm, a análise do comportamento tem proposto explicar fenômenos como este a partir das relações entre o ambiente e as respostas. Preparados para mudar sua forma de ver o autocontrole?


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			<content:encoded><![CDATA[<p>Tratado geralmente como uma características das pessoas, no sentido de que alguns têm e outros não, a análise do comportamento tem proposto explicar fenômenos como este a partir das relações entre o ambiente e o organismo. Preparados para mudarem sua forma de ver o autocontrole?</p>
<p>Primeiramente, uma concepção internalista trata o autocontrole como derivado de traços de personalidade, de características inatas e de forças interiores. Argumentos à parte, tais concepções facilmente sucumbiriam a indagações tais como “por que as pessoas demonstram diferentes níveis de autocontrole em diferentes situações?”, “por que uma pessoa tem mais autocontrole em uma fase da vida e menos em outra?” e “por que as crianças são mais impulsivas que os adultos?”. São perguntas que enfraquecem o argumento de que o autocontrole pode ser determinado por um eu iniciador localizado no interior do sujeito.</p>
<p>A partir daí, podemos começar a buscar uma explicação externalista, ou seja, que parte da análise da interação entre resposta e ambiente para caracterizar o autocontrole. O primeiro passo para uma definição operacional do autocontrole é delimitar o que se pretende estudar. Os analistas do comportamento propõem que o autocontrole trata-se da escolha por um reforçador de maior magnitude com maior atraso atrasado em detrimento da escolha por um reforçador de menor magnitude e com menor atraso. A imagem abaixo ilustra esta definição:</p>
<p><img title="autocontrole" src="http://www.psicologiaeciencia.com.br/wp-content/uploads/2009/10/autocontrole1-300x128.jpg" alt="autocontrole" width="300" height="128" /></p>
<p>Como podemos ver, o autocontrole é a preferência por uma recompensa maior que ocorrerá no futuro, ao invés de uma recompensa menor que está disponível no presente. Esta definição parece útil, pois retrata bem o que pode ser entendido como autocontrole no cotidiano. Por exemplo, eu digo que tenho autocontrole quando resisto a um belo pedaço de bolo de chocolate. Em outras palavras, estou optando por ser paquerado na praia durante o verão e talvez até arrumar um casamento (um reforçador de maior magnitude e mais atrasado), ao invés de comer um pedaço de bolo que logo será esquecido (um reforçador menor e imediato).</p>
<p>Porém, em que condições alguém escolhe a alternativa de autocontrole ao invés da alternativa de impulsividade? Os analistas experimentais tentaram responder a esta pergunta e encontraram resultados interessantes.</p>
<p>O primeiro deles vem das pesquisas sobre a escolha de compromisso. Nestas pesquisas, um sujeito (pombo, rato, criança etc.) poderia optar por uma contingência em que escolheria entre um reforçador menor e imediato ou um reforçador maior e mais atrasado (em geral o reforçador era tempo de acesso a alimento); ou por outra contingência em que somente poderia ter acesso ao reforçador maior e mais atrasado (chamada <em>elo de compromisso</em>). Os resultados demonstram que os sujeitos preferem a primeira contingência e acessam ao reforçador menor e imediato quando o intervalo entre a escolha desta contingência e o acesso ao alimento é pequeno; porém os sujeitos preferem apenas o elo de compromisso – aquela contingência que só permite acesso ao reforçador maior e mais atrasado – quando há um intervalo maior entre a escolha das contingências e o acesso aos reforçadores. É como se os sujeitos dissessem “já que eu tenho que esperar mesmo, então vou esperar só pelo que vale a pena”. Outro resultado interessante é que os participantes escolhem a contingência que não os permitem “cair na tentação” de optar pela impulsividade.</p>
<p>Um fenômeno observado a partir dos estudos de autocontrole é a inversão de preferência. Os pesquisadores demonstraram que a magnitude do reforçador estabelece um determinado intervalo de tempo em que aquele reforçador controla a resposta que o produz. Ou seja, um reforçador de maior magnitude pode controlar uma resposta mesmo estando mais distante no tempo, ao passo que um reforçador menor somente pode controlar uma resposta mais imediata. Assim, os reforçadores disponíveis no ambiente poderiam concorrer pela resposta, sendo que a distancia temporal determinaria a escolha. Tentarei explicar melhor a partir da figura abaixo: <br />
<img class="aligncenter size-medium wp-image-1988" title="maria" src="http://www.psicologiaeciencia.com.br/wp-content/uploads/2009/10/maria1-300x153.jpg" alt="maria" width="300" height="153" /></p>
<p>Suponhamos que a moça rosa seja Maria, que tem diante de si a possibilidade de escolher entre dois reforçadores: um carro ou algumas guloseimas. O custo implicado em comprar um carro é maior que aquele implicado em comprar guloseimas, mas estão relacionados – então se Maria sempre comprar doces, dificilmente conseguirá comprar seu carro. Porém, o fato é que o carro é um reforçador de maior magnitude (GM) e controla o comportamento de Maria mesmo distante no tempo (linha amarela). Já as guloseimas são reforçadores menores (Gm) e só controlam o comportamento de Maria quando estão disponíveis imediatamente (linha verde). O fenômeno da inversão de preferência prevê, então, que Maria se comportará para comprar o seu carro mesmo muito antes de ir à concessionária (ponto x), poupando dinheiro por exemplo. Porém, quando Maria estiver passeando no shopping e ver uma loja com muitas guloseimas (ponto y), é muito provável que ela torre o dinheiro e compre suas balas prediletas. O ponto i da figura indica o momento em que Maria tende tanto a poupar como a torrar; é quando Maria fica confusa e seu comportamento é imprevisível.</p>
<p>A contribuição aplicada da análise do comportamento mais proeminente é a proposição de um procedimento que pode gerar a escolha pelo autocontrole em sujeitos que não demonstrem este repertório. O procedimento básico consiste em apresentar um reforçador de maior magnitude e um outro reforçador de menor magnitude simultaneamente, sendo que o sujeito pode escolher livremente entre ambos reforçadores. Uma vez observada a preferência pelo reforçador de maior magnitude, deve-se aumentar o intervalo de tempo ou o custo de resposta necessário para produzir o reforçador de maior magnitude. Este aumente deve ser realizado segundo um procedimento conhecido como <em>esvanecimento aditivo</em>, que é caracterizado pelo aumento gradual no intervalo ou no custo da resposta. Um exemplo é oferecer uma intervenção a crianças com TDAH que consista na apresentação de um prêmio maior e outro menor pela resolução de duas contas de matemática com nível de dificuldade semelhante. A partir do momento que a criança começar a preferir aquela conta que permite acesso ao reforçador de maior de magnitude, o terapeuta pode aumentar gradualmente a dificuldade dos problemas correlacionados ao reforço maior e manter o mesmo nível de dificuldade para aquele problema que permite acesso ao reforçador de menor magnitude. Em geral os resultados deste tipo de intervenção demonstram preferência pelos problemas de maior dificuldade em comparação ao repertório apresentado pela criança antes da intervenção.</p>
<p> <img title="estudando" src="http://www.psicologiaeciencia.com.br/wp-content/uploads/2009/10/estudando-300x225.jpg" alt="estudando" width="300" height="225" /></p>
<p>Então, como você vê o autocontrole agora? Se antes este só poderia ser entendido como uma aptidão inata, agora você pode contar com a compreensão analítico-comportamental deste complexo fenômeno estudado pela psicologia. E se você não sabia responder à pergunta-título desta publicação, o que me diria agora?</p>
<p> </p>
<p>Texto base: Hanna, E. S. &amp; Ribeiro, M. R. (2005). Autocontrole: um caso especial de comportamento de escolha. Em: J. Abreu-Rodrigues &amp; M. R. Ribeiro. <em>Análise do comportamento: teoria, pesquisa e aplicação</em>. Porto Alegre: Artmed.</p>


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		<title>Conceitos Básicos de AC – Parte 8 – Esquemas de reforço.</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Sep 2009 13:38:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Beh. Radical]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
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		<description><![CDATA[Grande parte de nossas respostas não são reforçadas em 100% das vezes em que são emitidas. Por exemplo, não são todas as vezes em que você liga a sua televisão que você encontra alguma coisa interessante para assistir - o comportamento "ligar a  televisão, neste caso, não é reforçado todas as vezes-, mas mesmo assim você volta a  ligá-la em outra ocasião.


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			<content:encoded><![CDATA[<p>Grande parte de nossas respostas não são reforçadas em 100% das vezes em que são emitidas. Por exemplo, não são todas as vezes em que você liga a sua televisão que você encontra alguma coisa interessante para assistir &#8211; o comportamento &#8220;ligar a  televisão, neste caso, não é reforçado todas as vezes-, mas mesmo assim você volta a  ligá-la em outra ocasião.</p>
<p>Se um comportamento é mantido por reforço, como explicar o fato de que ele volta a ocorrer mesmo não sendo reforçado em todas às vezes?</p>
<p>É aí que entra o que os Analistas do Comportamento chamam de &#8220;Esquemas de reforço&#8221;, conceito que traz consigo a idéia de que não só a apresentação de uma consequência vai alterar a  frequência de ocorrência de uma resposta, mas também, o modo ou esquema em que esta consequência é apresentada irá exercer controle sobre ela.</p>
<p>Na natureza existem diversos esquemas de reforço. Este texto, no entanto, irá se prender apenas aos principais.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="como-jogar-poker" src="../wp-content/uploads/2009/09/como-jogar-poker-248x300.jpg" alt="como-jogar-poker" width="248" height="300" /></p>
<p><strong>Esquema de Reforço Contínuo (CRF)</strong></p>
<p>No esquema de <strong>Reforço Contínuo </strong>(CRF), todas as respostas &#8211; sem exceção -, são reforçadas. Para compreender melhor, pense naquele namorado apaixonado que realiza todos os pedidos de sua namorada. Ele simplesmente não nega nada a ela. Todas as vezes que o comportamento da namorada&#8221;pedir algo&#8221; é emitido, ele  é reforçado. Este é o esquema de reforço mais adequado para que um determinado comportamento seja modelado.</p>
<p><strong>Esquemas de reforço intermitente.</strong></p>
<p>Agora, imagine um outro casal de namorados em que, nem todos os pedidos da namorada são atendidos pelo rapaz. Ele atender ou não, obedece a alguns critérios, dentre os quais podem estar a quantidade de vezes (insistência) em que a namorada pede, ou o tempo (espera) entre um pedido e o outro. A este esquema, os Analistas do Comportamento chamam de &#8220;Esquema de reforço intermitente&#8221;.</p>
<p>O esquema de reforço intermitente é tido como o mais eficaz na manutenção de respostas já modeladas. Uma de suas principais características, é tornar a resposta mais resistente à extinção; isto é, pode ser emitida mais vezes sem que necessariamente o reforçador tenha de ser apresentado.</p>
<p>Os esquemas de reforço intermitente dividem-se em <strong>Esquemas de Razão</strong> e <strong>Esquemas de Intervalo</strong>. Nos esquemas de razão, a apresentação do reforçador depende da quantidade de vezes em que uma resposta é emitida. Nos esquemas de intervalo, a apresentação do reforçador depende do tempo decorrido entre uma e outra apresentações do reforçador.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Esquemas de Razão.</strong></p>
<p>Os esquemas de Razão dividem-se em Esquemas de Razão Fixa (FR) e Esquemas de Razão Variada (VR).</p>
<p>Nos esquemas de <strong>Razão</strong> <strong>Fixa (FR),</strong> o organismo deve emitir uma quantidade fixa e invariável de respostas para que o reforçador seja apresentado. A quantidade de respostas <span style="text-decoration: underline;">não varia</span> entre um reforçador e outro.</p>
<p>Pense naquele vendedor de botas de couro que só recebe o seu salário a cada 30 botas vendidas. Antes que ele consiga vender as 30 botas, o seu patrão não lhe paga. Neste caso, temos um esquema de reforço de Razão Fixa (FR = 30), no qual a cada 30 (essa quantidade não varia) botas vendidas o reforçador é apresentado.</p>
<p>Este esquema é caracterizado pela alta taxa de respostas produzidas, uma vez que, como o reforço depende única e exclusivamente do responder do organismo, se ele responder com rapidez, irá produzir reforço também com maior rapidez. Logo após o reforço, o organismo demora um pouco para voltar a responder. Este tempo é chamado <em>pausa após reforço.</em> Esta pausa é atribuída ao fato de que não há produção de reforço imediatamente após um reforçamento anterior, permitindo discriminar de maneira clara que o próximo reforçador não estará disponível imediatamente após a primeira resposta emitida.</p>
<p>No esquema de <strong>Razão Variável</strong> (VR), a quantidade de respostas exigida para a apresentação do reforçador não é fixa. Ela <span style="text-decoration: underline;">varia</span>.</p>
<p>Um cabeleireiro corta cabelos neste esquema. Se ele recebe uma quantia de oito reais por corte, o reforço será contingente ao número de tesouradas que ele dará no cabelo de cada pessoa. No entanto, o número de tesouradas necessárias para cortar o cabelo de cada pessoa varia, o que significa que a razão (quantidade de tesouradas) é variável (VR).</p>
<p>Este esquema é caracterizado por pausas curtas, ou mesmo ausência de pausa após reforço. Isso ocorre porque não há como discriminar se o número de respostas para o próximo reforço é grande ou pequeno, uma vez que é variável. Este esquema é o que produz maiores taxas de respostas, já que exigem um número indeterminado de respostas para a disponibilização do próximo reforço, e por não apresentarem pausas após reforço. Para fazer alguém trabalhar muito e ganhar pouco, este é o esquema mais indicado.</p>
<p><strong>Esquemas de Intervalo.</strong></p>
<p>Nos esquemas de intervalo, a quantidade de respostas emitidas entre a apresentação de um reforçador e outro é irrelevante. Basta que alguma resposta seja emitida, de acordo com o intervalo. O que de fato determina se o reforçador será ou não apresentado, é o tempo decorrido desde a ultima apresentação de reforço.</p>
<p><span style="text-decoration: underline;">Este esquema também se subdivide em Fixo e Variável.</span></p>
<p>No esquema de <strong>Intervalo Fixo</strong> (FI), o período exigido entre a apresentação do último reforçador e a disponibilidade do próximo reforçador é sempre o mesmo. Por exemplo, um atleta em treinamento recebe um beijo de sua namorada a cada 20 minutos de treino. Antes que ele complete os 20 minutos, sob hipótese alguma a sua namorada o beijará. Neste caso, temos um esquema de reforçamento de Intervalo Fixo (FI = 20).</p>
<p>Este é o esquema que produz as menores taxas de respostas. Os motivos pelos quais isso acontece, são 1) não é exigido um número mínimo de respostas para que o reforço seja disponibilizado; ou seja, tanto faz se o organismo responde muito ou pouco. O que importa para que o reforçador seja apresentado, é a resposta ser emitida no momento certo. E, 2) é o esquema que produz as maiores pausas após reforço. A discriminação temporal entre o reforçamento e o não reforçamento é facilitada pela regularidade dos intervalos.</p>
<p>O esquema de <strong>Intervalo Variado</strong> (VI) tem o mesmo raciocínio que o de intervalo fixo, com a diferença de que, no esquema em questão, os intervalos (tempo) entre o último reforçador e a próxima disponibilidade não são os mesmos, ou seja, são variáveis.</p>
<p>Achar uma música agradável no rádio está sob controle deste esquema. De tempos em tempos é possível encontrar, mas nunca se sabe quanto tempo exatamente é preciso ficar procurando pra achar.</p>
<p>Este esquema, apesar de ser um esquema de intervalo, produz um padrão com uma taxa relativamente alta de respostas. Não há como prever quando o próximo reforçador estará disponível. O organismo responderá quase o tempo todo. Caso ele fique muito tempo sem responder, perderá reforços; deste modo, permanecerá respondendo moderadamente o tempo todo.</p>
<p>Esequias Caetano de Almeida Neto.</p>


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