Durante a minha aula de Ética Profissional, ocorrida hoje, discutimos, eu e os alunos, o problema das terapias alternativas. Baseado na conversa com os alunos, decidi escrever um pequeno texto sobre o assunto.
O que são terapias alternativas?
São práticas terapêuticas não utilizadas na medicina tradicional ou na psicologia científica. Apesar de haver algumas execeções, a grande maioria das terapias alternativas seria melhor definida como segue: práticas terapêuticas não comprovadas cientificamente.
Neste link, uma lista com algumas das terapias alternativas disponíveis no mercado. Mas não é uma lista abrangente, já que não comenta sobre as terapia de regressão, as cirurgias espirituais, as sessões de descarrego, etc.
Terapias alternativas funcionam?
A resposta a essa pergunta não é simples. As terapias alternativas não funcionam, mas fazer uso delas promove, sim, mudanças positivas. Essa resposta não é paradoxal; precisa ser analisada em duas etapas. Primeiro, a parte em que diz que elas não funcionam e, em seguida, a parte em que diz que elas produzem mudanças positivas.
- Testes científicos rigorosos mostram que a imensa maioria das práticas alternativas não exerce efeito. Ou seja, nada do que o suposto terapeuta faz promove saúde. As terapias que mostram efeito positivo de fato, comumente deixam de ser “alternativas”. Um exemplo é a acupuntura, que está ganhando espaço junto às terapias tradicionais.
- Apesar da não funcionalidade por meio dos seus métodos, as terapias alternativas exercem efeito placebo. Esse efeito já foi discutido neste texto. A idéia pode ser resmida assim: as ações terapêuticas nada fazem, mas a atenção recebida pelo cliente e a crença de que a terapia vai ajudar, promovem mudanças positivas, sim, ainda que limitadas. Prova disso é que tais terapias continuam existindo.
O que os terapeutas alternativos alegam ser causa de suas ações, é na verdade um efeito psicológico advindo da crença dos clientes. O problema é que esse efeito psicológico, por limitado que seja, é utilizado como argumento de sucesso, tornando as terapias alternativas práticas perigosas.
Por que as terapias alternativas são perigosas?
Porque os indivíduos que confiam nelas não se curam de fato, e podem não procurar um profissional especializado que ajudaria em seus problemas. Apesar de haver o efeito placebo, ele se limita a produzir uma redução da ansiedade e da dor; pode melhorar o funcionamento do sistema imunológico, no entanto, não cura doenças físicas ou psicológicas, como depressão ou síndrome do pânico.
O que a Psicologia tem a ver com isso?
As psicoterapias, por muitos motivos, parecem menos interessantes do que as terapias alternativas para lidar com problemas psicológicos. (1) São mais caras. (2) São mais longas. (3) Exigem trabalho do cliente. (4) São menos atrativas (dizer que um floral vai curar pode parecer, para algumas pessoas, mais interessante do que conversar com um terapeuta). Resta então, às psicoterapias, a eficiência superior. Mas elas são eficientes?
Eu tenho uma opinião radical: a de que a maioria das psicoterapias não é mais funcional do que as terapias alternativas e que as melhoras produzidas por elas podem ser atribuídas ao efeito placebo. Claro que os psicólogos não concordarão. Mas a verdade é que ainda não existem pesquisas que comprovem, de fato, que algumas formas de psicoterapia são eficientes.
Falando dos dados de pesquisa, eles podem ser resumidos assim: a Terapia Cognitivo-Comportamental e a Terapia Comportamental mostraram bons resultados para uma grande variedade de problemas. A Terapia de Orientação Analítica (derivada da Psicanálise) mostra resultados para alguns problemas. Pesquise aqui, aqui, aqui, aqui e aqui.
Ora, se ainda são poucas as psicoterapias com validade comprovada, como afirmar que a psicoterapia é melhor do que as terapias alternativas? Somando esse problema ao fato de elas serem mais longas e mais caras, fica claro que as Psicoterapias precisam de reformulação e de pesquisas.
O Conselho Federal de Psicologia, com ajuda dos Conselhos Regionais de Psicologia, estão fazendo de 2009 o ano da Psicoterapia. É uma excelente oportunidade de fomentar pesquisas e passar um pente fino nas práticas dos psicólogos clínicos. A Psicologia é uma ciência e, portanto, os profissionais da área devem fornecer um trabalho de qualidade.
Deveriam ser permitidas apenas psicoterapias comprovadas cientificamente. Caso contrário, a Psicologia não pode ser considerada diferente das terapias alternativas.
Robson Brino Faggiani
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Gostei muito das explicitações (ou pelo menos) questionamentos levantados por vc neste texto sobre as terapias alternativas.
Estou em fase de acompanhamento psicologico(terapia) e tambem faço parte de grupos holisticos, yoga, e uso homeopatia.E dificil dizer se tudo isso funciona… mas o que tem acontecido é que com todas essas praticas eu tenho conhecido um pouco mais de mim mesma fazendo observaçoes sobre meu comportamento. Acredito que nao seja, se for, so o efeito placebo… sao pequenos momentos de prazer, alivio, de momentos que voce tem para voce mesma e nao para os problemas, cheiro bom, comida boa, transmitir boas vibraçoes as pessoas, ao seu organismo, falar com ele, dar bom dia pra uma arvore, escutar pela primeira vez o som de um passarinho que vem sempre pousar na seu muro e voce nunca parou para escutar, brincar como a criança brinca, redescobrir esse prazer… sao essas coisas que tenho aprendido com as terapias alternativas, com a yoga, com a homeopatia… a me escutar, a escutar meu corpo, a dar voz a meus sentimentos e emoçoes… a ansiedade diminui por algumas horas, a tristeza sede aos poucos, poucos momentos de alegria tornam-se muitas horas no final da semana, no final do mês. Começamos, assim, a resgatar a dignidade, o prazer pela vida, o relaxamento e tranquilidade necessarios para prosseguir… (O problema é que o INSS mal aceita o atestado da psiquiatra, muito menos o da homeopatia… Lá vai mais de um ano tentando nao perder meu emprego e me virando com as dividas depois de pagar a previdencia e nao poder usufruir dela quando voce mais precisa!!!)
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