O notícias do dia de hoje vai focar em um tema especial: filhos e pais.
Navegando pela web, encontrei um artigo que apresenta um dado estarrecedor: ter filhos não traz felicidade; pelo contrário, diminui a felicidade dos pais. É possível ler o texto original aqui (em inglês). Dada a importância e extravagância dos resultados apresentados, decidi submeter o texto a um tradutor automático. Isso resultou na tradução que pode ser lida aqui. O texto em portugês ficou visivelmente mal traduzido, mas é o melhor que é possível fazer nesse momento.
A primeira coisa a ser notada é como as pesquisas vão contra nosso senso comum. Está na boca de todos nós: crianças trazem felicidade. Apesar de sabermos que os pais dedicam menos tempo a si mesmos, necessitam trabalhar mais para pagar as contas da casa e deixam de namorar com a mesma frequência com que faziam antes dos filhos, para nós sempre foi claro: filhos nos fazem felizes.
Eu, como cientista, no entanto, não posso ignorar os dados. As pesquisas mostram que nosso senso comum está errado. Crianças tornam seus pais menos felizes. A união matrimonial passa por situação inversa. É comum ouvir que casamento é perda de tempo, uma porta para problemas sem fim. As pesquisas mostram que isso é falso. Casamento torna as pessoas felizes. Os casados são mais satisfeitos com a vida, menos propensos a doenças e mais otimistas em relação ao futuro.
Voltemos aos filhos. O autor do artigo afirma que os problemas começam nas fantasias que temos. Pensamos, invariavelmente, em crianças perfeitas, sem nenhuma falha: estupendos resumos de nós mesmos, com uma vida de maravilhosas realizações pela frente. A realidade é outra, porém. Amamos nossos filhos, mas temos que aprender que eles ficam doentes, choram de madrugada e não cursam a faculdade esperada.
Por que existe a crença de que filhos trazem felicidade? De acordo com o texto, provavelmente porque somente quem acredita nela tem filhos. Ou seja, aqueles que não acreditam na felicidade trazida pelos filhos simplesmente não têm filhos e, portanto, não passam a crença adiante. A idéia é interessante, mas não pode ser facilmente testada.
Parte da crença de que filhos trazem felicidade é originada da idéia de que os momentos de prazer proporcionado pelas crianças são extremamente recompensadores, ultrapassando de longe o trabalho extra que um filho requer. O primeiro sorriso, a primeira palavra, a formatura, o casamento dos filhos realmente são uma injeção de ânimo e felicidade nos pais. No entanto, ao contrário do que se pensa, esse ânimo não supera o estresse constante de ter que trocar fraldas, acordar de noite, preocupar-se com o futuro profissional do filho, etc. Esse argumento é suportado por pesquisas que mostram que ganhadores da loteria têm um pico imediato de felicidade, mas invariavelmente retornam ao seu nível de satisfação anterior.
Os argumentos apresentados nesse texto, e a análise cuidadosa de todo o estresse e trabalho produzidos pelos filhos pode até fazer com que aceitemos racionalmente a idéia de que filhos não trazem felicidade. Mas o fato é crenças envolvem mais do que a análise inteligente. Envolvem emoção. Estou certo de que, como eu, muitos leitores não aceitarão integralmente a idéia de que filhos tornam seus pais infelizes.
Seria perigoso se todos aceitássemos que filhos produzem infelicidade. Em um cenário desastroso, teríamos cada vez menos crianças. Nesse caso, ter filhos, no futuro, poderia vir a ser um trabalho remunerado, cujo objetivo seria a manutenção da espécie humana.
Deixemos os cenários desastrosos de lado. Acreditem que os filhos trazem felicidade. Tenham filhos. Eu terei. No entanto, se sentirem infelizes posteriormente, não digam que os cientistas não avisaram…
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