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Conceitos básicos da AC – Parte 6 – A punição, o controle aversivo e a extinção

Neste post trataremos dos conceitos relacionados aos processos de punição, de controle aversivo e de extinção.

A punição é uma operação que faz parte do reforçamento, isso porque também se trata de uma conseqüência que altera a probabilidade de uma resposta.

Porém a forma como a punição produz tal alteração é uma questão controversa. Há duas correntes teóricas que definem a punição de formas diferentes. Uma delas defende que a punição é um processo que diminui a probabilidade da emissão das respostas. Isso quer dizer que se alguém se comporta de determinada maneira, ou seja, se costuma fazer algo como andar de bicicleta ou pintar quadros, e tem esse comportamento punido, a probabilidade dessa pessoa voltar a fazer estas mesmas coisas será menor.

punição

Uma outra corrente teórica diz que a punição na verdade elicia reações emocionais e aumenta a probabilidade de respostas de fuga e esquiva – e por causa destes processos que a resposta sob análise se torna menos provável de ocorrer. Isso quer dizer que se eu puno o comportamento “andar de bicicleta” de alguém, essa pessoa passa a andar menos para não sentir ansiedade, medo ou para evitar que eu a puna novamente.

Apesar da semelhança entre as duas correntes, a diferença entre elas subsidia discussões sobre questões éticas para o uso da punição como método de modificação do comportamento. Porém, esclarecidas estas duas possibilidades de entender os processos punitivos, vamos às definições de punição positiva e negativa

A punição positiva

A compreensão deste processo requer um retorno ao conceito de reforço negativo. Lembre-se que um reforçador negativo é um estímulo que uma pessoa se comporta para remover. Lembre-se também que este estímulo também pode ser chamado de estímulo aversivo.

Pense agora em uma situação em que alguém faz alguma coisa e, como conseqüência, aquele mesmo estímulo aversivo é produzido pela resposta daquela pessoa. Por isso este processo é chamado de punição positiva, porque se trata da produção/adição de um estímulo aversivo.

Vamos supor que aquela mesma pessoa que fecha a janela pra evitar a chuva agora descobre uma chave em uma parede de sua casa. A pessoa gira a chave e um cano começa a jorrar água fria sobre a cabeça dela. Este é um processo de punição positiva: a resposta produz um estímulo aversivo. Um critério para averiguar se de fato se tratou de uma punição é a observação da diminuição da taxa da resposta. Se a pessoa não abrir mais aquela chave, de fato o jato de água fria puniu.

A punição negativa

Este processo recai sobre o conceito de reforço positivo. Lembre-se que um estímulo reforçador é aquele que, quando produzido, aumenta a probabilidade da resposta que o produziu. Então, se passarmos agora a retirar um estímulo reforçador que está presente no ambiente da pessoa quando ela emite uma determinada resposta, dizemos que houve punição negativa – e este processo deve implicar na diminuição da probabilidade de emissão da resposta. É daí que surge o nome de punição negativa, pois trata-se da retirada/subtração de um estímulo reforçador produzida pela resposta.

Por exemplo, imagine um terapeuta que está sempre atento e pronto a discutir os temas relevantes na vida de seu cliente e isto tem feito o cliente trazer, a cada sessão, mais e mais temas para discutir com seu terapeuta. Porém agora o cliente passa a abordar temas que tratam da vida pessoal do terapeuta e, nestes momentos, o terapeuta se cala e não dá oportunidades para que o cliente prossiga na discussão. A partir daí, o cliente provavelmente não perguntará mais sobre este assunto. O terapeuta estaria, provavelmente, punindo negativamente a resposta de seu cliente. Este é um exemplo que dificilmente acontecerá na prática, mas serve apenas para ilustrar o conceito.

O controle aversivo

É importante considerar brevemente que o reforço negativo e a punição são estudados sob o tema de controle aversivo, pois todos tratam-se de variáveis de controle do comportamento por outras vias que não o reforçamento positivo. São processos amplamente discutidos devido aos efeitos que este tipo de controle pode gerar no comportamento, como supressão condicionada (parar de responder), os subprodutos emocionais (como o medo e a ansiedade) e o aumento de respostas de agressão quando uma pessoa está sob controle aversivo.

A extinção

Outra consideração importante se faz necessária para quando conseqüências que vinham sendo produzidas pelas respostas não mais as são. Se determinados estímulos reforçadores ou aversivos não são mais apresentados ou retirados, a tendência do responder é retornar à probabilidade de ocorrência anterior do processo de reforçamento.

Assim, se riscar o papel não o pinta mais, a criança desiste de desenhar; se fechar a janela não impede mais a chuva, a pessoa a larga como está; se abrir a chave não mais produz um banho frio, a pessoa volta a abri-la quando quiser; e se o terapeuta volta a atentar aos tópicos abordados pelo cliente, este volta a perguntar o que havia deixado de lado.

Ou seja, a extinção é o efeito da suspensão do reforçamento sobre o responder –- significa o retorno da probabilidade do responder a taxas anteriores.

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13 Responses

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  1. Maiara said

    Olá!

    Em primeiro lugar, parabéns pelo site, a leitura é bem didática, o que facilita o entendimento de nós estudantes de psicologia.

    Os conceitos de punição negativa e extinção foram bem esclarecedores, porém eu queria saber qual a diferença entre esses dois procedimentos.

    Grata

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  2. Rodrigo said

    Olá, Maiara!
    Muito obrigado pelos elogios!
    A punição negativa é a retirada do estímulo reforçador contingente à resposta, ou seja, o estímulo cessa por causa da emissão de uma resposta específica. Na extinção, o estímulo deixa de estar disponível no ambiente. Sendo a resposta emitida ou não, o estímulo não será mais produzido. O mais importante é entender que ambos os conceitos tratam de arranjos ambientais que exercem um tipo de controle sobre a resposta. De fato, são arranjos parecidos e os efeitos são parecidos, mas a diferença básica é a relação de contingência que só existe no caso da punição negativa.

    Espero ter ajudado.

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  3. Lia said

    òtimo artigo,simples e claro é assim que deve-se fazer ciência, de maneira clara e objetiva partilhando com todos.parabéns.Lia Carneiro.

  4. Alana said

    Olá,
    A minha professora de língua portuguesa mostrou esse artigo em sala de aula e depois passou a seguinte pergunta:
    “Como ocorre a intertextualidade desse blog em relação ao tema ‘lei da palmada’?”
    Poderia me responder por favor? Não entendi muito bem.

  5. Joyce said

    Olá, queria que me explicasse algo sobre contingência no geral!

  6. bere said

    Ola, poderiam me ajudar a formar um quadrado , abordando os
    pontos que diferenciam a Puniçao e a extinçao.

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  7. suélly said

    oláa…
    adorei o texto e os conceitos estao mt bem defenidos …
    mas tenho uma duvida o k é a contingência? é k nao percebi mt bem esse termo..
    bgada

  8. Rodrigo said

    Suélly, este texto pode ser encontrado no Google e define muito bem o que é contingência para a Análise do Comportamento.
    http://igormadeira.wordpress.com/2009/05/14/o-que-sao-as-contingencias/
    Atenciosamente.

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  9. aline said

    ola, adorei o site
    texto de facil compreencao
    me ajudou muito a entender sobre reforcadores, coercao, e punicoes.

  10. Liara said

    Rodrigo, quais foram as referencias?

  11. Rodrigo Nunes Xavier said

    Você pode ler Ciência e Comportamento Humano (B. F. Skiner), Aprendizagem: Comportamento, linguagem e cognição (C. A. Catania) e Coerção e suas implicações (M. Sidman).

  12. Déborah said

    Nossa ajudou muito, tava difícil achar uma definição tão objetiva como a sua

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