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Como escolher uma abordagem – parte 1

É bastante comum que os alunos do curso de Psicologia tenham dúvidas sobre qual abordagem seguir profissionalmente. Não é realmente uma escolha fácil. De certo modo, a escolha da abordagem é como uma segunda opção de profissão. Neste texto vou comentar sobre alguns fatos que os alunos devem considerar antes de tomar essa decisão.

Existe um pensamento um pouco enganoso na Psicologia. Afirma-se que a pluraridade de abordagens é desejável, que torna a área rica e com muitas possibilidades. No entanto, ter muitas opções só é algo positivo quando a maioria delas tem qualidade. É difícil definir “ter qualidade”, mas creio ser de concordância geral que, no mínimo, uma abordagem deve ter uma estrutura filosófica e teórica coerentes, ser capaz de explicar uma grande variedade de fenômenos, ter eficácia comprovada (preferencialmente com demonstração científica) e ser aplicável a uma grande quantidade de problemas práticos.

Como dito acima, escolher uma abordagem é como selecionar uma segunda profissão. A Psicologia é uma área muito ampla e as abordagens são imensamente diferentes entre si. Elas diferem em filosofia, objeto de estudo, teoria, linguagem, formas de pesquisa, dados científicos e práticas de intervenção. Todas essas características resultam em perspectivas muito particulares de como perceber o homem e como lidar com ele profissionalmente, e resultam em certas expectativas de postura do psicólogo. Antes de escolher qual forma de perceber a Psicologia e as pessoas é melhor para você, atente para essas diferenças.

Infelizmente, ser plurarista, utilizar um pouco de cada perspectiva não é uma solução adequada. Para começar, muitas características das abordagens são incompatíveis entre si, ou seja, juntar elementos pode resultar em um Frankenstein desajeitado e nada efetivo. Em segundo lugar, estudar um pouco de cada abordagem jamais permitirá que realmente se conheça profundamente um sistema teórico e de trabalho; a especialização é necessária, pois está intimamente ligada à qualidade profissional. Finalmente, formar uma colcha de retalhos transforma o psicólogo em um “despatriado”; possivelmente, nenhum colega vai considerar seu trabalho produtivo se ele for composto por uma montagem incompatível.

O primeiro e mais importante passo para escolher uma abordagem é não acreditar em seus professores. Vá além do que eles falam: procure textos, critique, tente responder as críticas, leia livros dos principais autores das abordagens. Deixe-se, sim, encantar pelo professor, mas não fique apenas no encanto. As abordagens são muito mais do que é possível explicar em sala de aula: têm história, passaram por crises, possuem conflitos internos, foram bem sucedidas em alguns países e expulsas de outros, regrediram, evoluíram, e assim por diante. É extremamente arriscado escolher uma abordagem sem conhecer seus autores e sua história. A dica de ouro, então, é: pesquise, estude, analise.

Já ouvi muitas pessoas dizerem que não é o psicólogo que escolhe a abordagem, mas o contrário. Talvez haja um pouco de verdade nessa afirmação. Alunos de Psicologia chegam ao curso com um conjunto de expectativas e opiniões. É natural que algumas abordagens sejam preferidas em função da história de vida do aluno. No entanto, preferência não é a melhor forma de escolha. As características da abordagem devem receber grande atenção dos estudantes. São essas características que começarei a discutir no próximo texto.

—–

Novamente, peço que entrem em contato para darem opiniões e sugerirem bons critérios de avaliação de uma abordagem.

Robson Faggiani

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17 Responses

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  1. Suzana said

    Nossa, quando li esse texto acima, eu pensei: “obrigado Deus, acho que não estou ficando “louca” ” rsrs
    Estou em pleno conflito em relação a abordagem me formo em junho…ou seja, preciso de orientação!!!!
    SCP

  2. demetrio miranda said

    adorei

  3. Íris said

    Finalmente achei algo que pudesse nos ajudar a escoher uma dentre as múltiplas e atrativas abordagens dentro da psicologia. Eu estou em dúvida entre 2 abordagens, mas gosto de todas. E tenho amigos que gostam tanto de todas as abordagens que não sabem realmente para onde ir. Esse texto vai nos ajudar muito. Obrigada!

  4. Patricia said

    nossa adorei o texto , clareou muito o meu modo de pensar

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  5. THAIS MAIA said

    “…a especialização é necessária, pois está intimamente ligada à qualidade profissional…”
    É uma forma de evitarmos ser “colchas de retalhos”!!!

    Ficamos mesmo confusos com a decisão da abordagem, é um momento crucial do curso, por isso é muito importante termos essa informação!

    Parabens!

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  6. rejane said

    gostaria que voce podesse explicar melhor,pois estou muito confusa mas, deixo o meu agradecimento por estexto que me esclareceu um pouco…
    abraco.

  7. Claudia said

    Estou no 8º semestre de psicologia,e quanto mais leio sobre abordagem comportamental,mais me identifico,acredito que estou no caminho certo.
    eEste texto contribuiu um pouco mais para minha decisão.
    Obrigada…

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  8. sirley said

    Olá, minhas dúvidas tbem são muitas, estou n quarto semestre, estou gostando da fundamentação teórica da tcc, mas falttam kilometros pra se poder tomar uma decisão, realmente o texto é esclarecedor, abroçO.

  9. jessica said

    muito bom, bem explicado!

  10. Juliana said

    Adorei!!!

  11. Gláucia M F Andrade said

    Estou no 4º período de psocologia, gosto muito da área criminal, acho muito interessante e me fascina saber o q se passa na mente de um psicopata por exemplo.Gostaria de saber q abordagem devo seguir.

  12. Jassy said

    Adorei o textoooo, pena só o ter descoberto agora srsrr…
    bgada por postar!!!
    agora vou sim me dedicar á area criminal, essa é a minha paixao..

    abraços cininhos:) :D : *

    desde Portugallllll

  13. SILVANA said

    EU REALMENTE PRECISAVA DE UM TEXTO COMO ESTE.

  14. marisa said

    adorei o texto , e agradeço muito porque me interesei por este curso e estou procurando mais imformaçcoes

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  15. Gostei bastante do texto, ele evita que tomemos decisões irrefletidas.

  16. iracema said

    Gostei do texto, tenho 57 anos e curso o segundo período de psc. Gosto muito porém confesso qe estou bastante asustada, mas quero ir até o fim.

  17. Maria said

    Gostei, muito bem explicado. No curso que fiz quase todos professores eram Psicanalistas e isso fez com que a minha mente ficasse confusa. Hoje vejo que tenho mais afinidade com a comportamental, mas tenho dúvidas.

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