Mas afinal, o que seria o ciúmes ?
Podemos dizer que o ciúmes aparece onde alguma situação serve como sinalizador que o reforço não vai ser apresentado. O parceiro interpreta um estimulo como sendo um aviso que vai perder o objeto reforçador e portanto emite todos os operantes para evitar a perda dos reforçadores ( geralmente respostas aversivas e agressivas modeladas por contingências na historia de vida da pessoa ) e respondentes pareados a processos de extinção que o organismo já sofreu anteriormente.
Diante dos estímulos sinalizadores que são descritas como responsáveis pelo ciúme, muitas vezes a pessoa acaba emitindo operantes como:
Fazer inúmeras perguntas a (o) parceira (o); proibir de sair; brigar; chorar; etc. Situações estas que, certamente são aversivas para o outro (a) parceiro (a). A fim de tentar amenizar a situação, este acaba, sem perceber, reforçando o comportamento dito “ciumento” ao dizer frases como: “eu te amo”,” você fica linda ciumenta”, “não precisa se preocupar, jamais te trocaria por ninguém”; ao enumerar as diversas qualidades do “ciumento”, ao oferecer presentes e/ou qualquer outras provas de amor; bem como atender as determinações do ciumento. Em médio prazo o(a) esposo(a) faz uma ligação entre o comportamento ciumento e reforçadores. Portanto as chances do comportamento ciumento ser mantido e aparecer mais vezes é muito maior. Nesse caso ensinamos que quanto mais a pessoa for ciumenta, maior é o cuidado e carinho ela recebe e portanto menor é a chance do(a) parceiro(a) o abandonar.
Por outro lado o (a) Esposo (a) pode se utilizar da mais pura fuga / esquiva e fingir que não esta ouvindo nada e ignorando todo o jogo agressivo e manhoso do ciumento, entrando em ação o processo de extinção. E é ai que a coisa aperta, já que por definição quando um organismo é colocado sob uma contingência de extinção a resposta vai sofrer um grande aumento, pois o organismo vai variar o comportamento buscando que o reforçador seja novamente apresentado. Se já existe uma história previa de que ser ciumento leva ao recebimento dos reforçadores a coisa piora mais ainda. Muitos casais acabam se separando ou tendo brigas intensas por esse motivo. Quando os terapeutas de casal dizem que a conversa entre os parceiros tem um grande papel nas reconciliações, eles não estão errados.
Tanto em uma situação ( reagir com carinho ou apatia ) vai elevar a freqüência das respostas de ciúmes. Tanto uma quanto a outra por reforçamento negativo, já que a intenção do parceiro não é prolongar a briga e nem recompensar o comportamento de ciúmes. A única intenção nesses momentos é fugir de uma situação aversiva. Mas esse procedimento acaba aliviando o parceiro rapidamente, mas aumenta a probabilidade de acontecer novamente. Aumenta progressivamente a pressão dentro do relacionamento, podendo chegar uma hora onde a briga é inevitável.
Mas e se virar briga, o que fazer?
A resposta é complicada. Se atender estará aumentando a freqüência das perguntas, proibições, brigas, choro, etc. Se não atender, corre o risco de ter que enfrentar uma briga ainda maior ou mesmo o fim do relacionamento. Antes de tudo, precisamos pensar em qual é a função do comportamento ciumento. O que esta por trás de todas as brigas, gritos e choros. A topografia da resposta é particularmente inútil para se entender o que se passa. Devemos ter em mente que o ciumento aprendeu a ser ciumento. Seja por reforçamento positivo, negativo ou por um ambiente coercitivo onde se tornar ciumento, briguento e desafiador foram as únicas formas de sobrevivência que o sujeito encontrou para se relacionar com o meio.
Um dos principais erros que acontecem quando falamos de extinção de comportamentos ciumentos é que o processo acaba nunca chegando ao fim. O que geralmente acaba acontecendo é que a extinção acaba se convertendo em um esquema de razão variável. O parceiro tenta extinguir o comportamento ciumento ignorando, mas acaba não resistindo e reforça intermitentemente, dando flores, levando pra jantar ou então tentando “colocar panos quentes a situação”.
Talvez antes de virar briga, o procedimento mais correto seria expor ao parceiro os motivos de descontentamento. Seja do ponto de vista do ciumento ou seja o ponto de vista do parceiro. É importante um falar e o outro escutar e juntos chegarem a um acordo sobre as situações que despertam ciúmes no parceiro.
E se a briga virar agressão física?
Quando se passa de brigas verbais para agressão física o relacionamento não tem mais chances de se tornar saudável ou reestruturado sem a ajuda de um Psicólogo qualificado. Seja em terapia de casal ou mesmo psicoterapia individual, tanto para agressor quanto para o agredido.
Sabemos que casais se completam, tanto em aspectos positivos quanto em negativos. É necessário entender a função do relacionamento e dos comportamentos de ciumes dentro da história de aprendizagem no casal. Quais foram seus modelos ? Como o casal aprendeu sobre o que é um relacionamento ? Os modelos foram saudaveis ?
Todas essas perguntas são importantes para se entender e ter um panorama de como o casal se formou. Todo comportamento possui uma função, inclusive o comportamento violento ou ciumento. É importante os terapeutas enfatizarem que a agressão é inaceitável e o agressor tem total responsabilidade sobre seus atos. Tanto pela violência quanto pelo fim dela. É necessária uma postura rígida do terapeuta, mas nunca moralista.
Um pouco de ciúmes dizem que apimenta o relacionamento e acredito ser saudável. Mas quando o ciúmes se torna patológico e apresenta agressões físicas, verbais e acaba virando uma relação difícil, sofrida ou perigosa pra um dos parceiros, é necessário urgentemente intervenção psicológica e/ou legal com advogados para que a segurança do parceiro agredido seja restabelecida.
Por : Marcelo C. Souza
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