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	<title>Psicologia e Ciência &#187; Conceitos</title>
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		<title>Por que as pessoas sentem e praticam homofobia?</title>
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		<pubDate>Tue, 16 Nov 2010 13:51:51 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Mas a questão principal aqui é entender porque uma pessoa age como o personagem Dave. Qual a razão para alguém odiar e a motivação para coagir homossexuais? Deve haver várias razões e cada pessoa se relaciona de forma única com o mundo, mas algumas regularidades podem ser observadas em fenômenos comportamentais e, partido dessa perspectiva, propõe-se este post.



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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.youtube.com/watch?v=9LWeBtmZUwg" class="broken_link" ><img class="alignnone" title="Dave e Kurt" src="http://blogna.tv/wp-content/uploads/2010/11/glee-2x6.jpg" alt="" width="539" height="287" /></a><br />
Clique para ver a cena no YouTube</p>
<p>Dave é um adolescente. Popular, Dave joga futebol no time de primeira linha da escola, anda com os figurões, é forte, alto e faz sucesso com as garotas. Ele também é durão. Persegue e aterroriza Kurt em todas as oportunidades. Tanto que Kurt cogitou mudar de escola. Kurt é gay e, por sorte, encontrou um cara apaixonante que lhe deu forças para encarar Dave. Em uma situação de bullyng já corriqueira, Kurt decide revidar e fala umas boas verdades. No meio da discussão Dave surpreende Kurt com um beijo. Mas Kurt rejeita o segundo beijo e Dave se vai confuso.</p>
<p>Essa é provavelmente a cena mais surpreendente do seriado Glee, que foi ao ar na última terça feira (09/11/2010), às 21h no canal americano Fox. O seriado é comprometido com a filosofia de educação inclusiva e em seu elenco principal há judeus, negros, latinos e orientais – minorias americanas. O seriado conta com atores com síndrome de down e o autor faz questão de ter personagens gays interpretados por atores heterossexuais e vice versa.</p>
<p>Mas a questão principal aqui é entender porque uma pessoa age como o personagem Dave. Qual a razão para alguém odiar e a motivação para coagir homossexuais? Deve haver várias razões e cada pessoa se relaciona de forma única com o mundo, mas algumas regularidades podem ser observadas em fenômenos comportamentais e, partido dessa perspectiva, propõe-se este post.</p>
<p>Um estudo realizado por psicólogos da Universidade de Geórgia, EUA, em 1996, comparou homens universitários em relação a seus sentimentos direcionados aos gays e sua excitação ao assistirem vídeos de sexo gay masculino. Os jovens primeiramente responderam a um questionário que dividiu a amostra entre homofóbicos e não homofóbicos. Foram classificados homofóbicos aqueles que responderam dizendo possuir sentimentos de aversão e interesse em coagir pessoas gays. Foram classificados como não homofóbicos aqueles que responderam não se interessar ou se incomodar pela orientação sexual das outras pessoas.</p>
<p>Depois a resposta sexual dos participantes foi medida enquanto eles assistiam a vídeos de sexo. Os participantes classificados como homofóbicos apresentaram resposta de excitação sexual ao assistirem filmes de sexo gay masculino, enquanto os não homofóbicos apresentaram excitação apenas diante de vídeos de sexo heterossexual ou homossexual feminino. Estes resultados sugerem uma questão intrigante: porque pessoas homofóbicas ficam excitadas ao assistirem sexo gay?</p>
<p>Murray Sidman, em seu livro <em>Coerção e suas Implicações</em>, publicado no Brasil pela Editorial Psy em 1989, faz uma análise comportamental dos mecanismos de defesa primeiramente apresentados por Sigmund Freud. Sidman propõe que os mecanismos de defesa são uma resposta natural das pessoas à coerção e apresenta a formação reativa como um desses mecanismos.</p>
<p>Para Sidman, a formação reativa tem a função de remover uma fonte de controle aversivo <a href="http://www.psicologiaeciencia.com.br/conceitos-basicos-da-ac-parte-iv-a-punicao-o-controle-aversivo-e-a-extincao/">(veja mais aqui)</a> e é caracterizada pela exibição de um comportamento oposto àquele que foi punido. Ela surge do conflito entre consequências positivamente reforçadoras e aversivas.</p>
<p>Dessa forma, fica fácil entender que uma pessoa, ao expressar suas primeiras tendências de interesse pelo mesmo sexo e, sendo fortemente reprimida e coagida por esta expressão, passaria a demonstrar uma tendência oposta ao comportamento que foi punido. “Quando somos fortemente impelidos em direção a uma ação que inevitavelmente trará um choque, uma maneira efetiva de nos impedirmos de fazê-lo é fazer o oposto” (p. 182). É o que acontece com nosso personagem Dave. Ao perseguir Kurt, ele provavelmente evita as consequências aversivas de expressar sua própria tendência homossexual. Evita essas consequências, podemos especular, por já ter sido exposto a elas – exibindo tendências ou o próprio comportamento.</p>
<p>A questão que se impõe a esta análise já foi adiantada por Sidman. “A formação reativa pode limitar nossas opções, impedindo-nos de nos expor a oportunidades de experiência e crescimento. Aqueles que aprenderam a reagir ao amor com fuga, a responder à generosidade com desconfiança ou a considerar a sexualidade impura, estão limitando a qualidade e a amplitude de suas vidas tão efetivamente quanto se estivessem fisicamente restringidos” (p. 183). Uma vez que somos pessoas adultas, muitos reforçadores já foram condicionados em nossa história de vida e dificilmente deixarão de exercer controle sobre nosso comportamento. Evitar o acesso a estes reforçadores representa, como disse Sidman, limitar nossas opções para sermos felizes. Estar junto de outro homem seria bom para Dave, reforçaria seus comportamentos. Porém também poderia produzir estimulação aversiva &#8211; o que explica sua formação reativa.</p>
<p>Uma sociedade menos coercitiva seria o terreno fértil para a expressão de comportamento positivamente reforçado e diminuição de comportamentos mantidos por esquiva. Em um mundo onde os Daves não são punidos, eles não precisam reproduzir sua homofobia contra aqueles que expressam sua homossexualidade livremente.</p>
<p> </p>
<p>Sugestões de leitura:</p>
<p>Sidman, M. (1989). Coerção e suas implicações. Campinas: Editorial Psy.</p>
<p>Adams, H. E., Wright Jr., L. W., Lohr, B. A. (1996). Is Homophobia associated with homosexual arousal? Journal of abnormal psychology, v. 105, n. 3, p. 440-445.</p>


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		<title>Desenvolvimento infantil: uma leitura comportamental</title>
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		<pubDate>Thu, 27 May 2010 05:51:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Neto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Dentro da Psicologia, diversos autores postularam fases ou estágios (ou estádios, como alguns autores colocam) do desenvolvimento; nas quais, cada fase destas, engloba um conjunto de comportamentos, cognições e sentimentos que o indivíduo pode apresentar. Nestes estádios ou fases, geralmente agrupados por 1) estruturas psíquicas da personalidade; 2) estruturas cognitivas ou redes de pensamento possíveis; [...]


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			<content:encoded><![CDATA[<p>Dentro da Psicologia, diversos autores postularam fases ou estágios (ou estádios, como alguns autores colocam) do desenvolvimento; nas quais, cada fase destas, engloba um conjunto de comportamentos, cognições e sentimentos que o indivíduo pode apresentar. Nestes estádios ou fases, geralmente agrupados por 1) estruturas psíquicas da personalidade; 2) estruturas cognitivas ou redes de pensamento possíveis; e, por fim, 3) idade cronológica da pessoa.</p>
<p style="text-align: left;"><img class="aligncenter" src="http://3.bp.blogspot.com/_lVW-QTf4SN0/SYoopvespPI/AAAAAAAAANw/Ik2Fpyk_pF0/s400/crianca-brincando1.jpg" alt="" width="400" height="300" /><br />
A exemplo de autores que teorizam dentro do primeiro tipo de divisão dos estágios do desenvolvimento, podemos citar Freud e Erickson, com suas teorias do desenvolvimento psicossexual e psicossocial, respectivamente. No segundo modelo, o autor mais proeminente talvez seja Piaget, o qual postula sobre os estádios do desenvolvimento cognitivo. Quanto à divisão por idade cronológica, podem ser citados Hurlock e Gesell, os quais se referem ao comportamento dos três anos, comportamento dos quatro anos, e assim por diante.</p>
<p>Bijou e Baer (1980) levantam certas críticas a estes modelos de teoria do desenvolvimento e apresentam a proposta de Kantor, autor interbehaviorista, que explica o desenvolvimento não com base em estruturas da personalidade ou cognitivas, mas no tipo de interação que o indivíduo é capaz de estabelecer com o ambiente. Os autores explicam que embora estas divisões pela idade cronológica ou teorias da personalidade sejam bastantes práticas e objetivas, elas são muito arbitrárias para alguém que deseje realizar um estudo mais detalhado das relações entre períodos sucessivos. Advertem também que interações significativas não ocorrem de maneira sincronizada o bastante para que se fale de comportamentos esperados por cada fase da vida, e que, mais do que esta fase, são as relações que a criança estabelece com seu meio que favorecem ou não o aparecimento de certos tipos de comportamento.</p>
<p>Conforme explicam os autores, ao eliminarmos as teorias que dividem o desenvolvimento pela idade cronológica ou teorias da personalidade, nos resta dividir e delimitar o fim de cada estágio de acordo com dois outros tipos de critérios. O primeiro baseia-se em fatos observáveis, manifestações comportamentais, eventos sociais e maturação biológica. O segundo, por sua vez, divide o desenvolvimento de acordo com o tipo de interação que o indivíduo é capaz de estabelecer com o meio que o cerca. É esta segunda perspectiva a adotada por Kantor.</p>
<p>Bijou e Baer (p. 30) apresentam os três estágios propostos por Kantor. São eles:</p>
<p>1-    Fundamental: “aquele no qual o indivíduo comporta-se como um sistema unificado – um organismo –, mas é bastante limitado pelas suas características orgânicas”. As interações que o indivíduo estabelece nesta fase são basicamente reflexas, e são de certo modo comuns a todos da espécie. Além dos reflexos, são também apresentados movimentos aleatórios, descoordenados, aparentemente desligados ainda de estimulação ambiental e, basicamente, sob controle orgânico. Quando confrontados com o meio, estes movimentos serão modelados de modo a tornarem-se coordenados e adquirirem funções no ambiente. Deste modo, a criança passa a ser capaz de estabelecer outros tipos de interações ao longo do tempo, passando ao próximo estágio.</p>
<p>2-    Básico: A movimentação aleatória e reflexa inicial vai dando lugar a movimentos coordenados, sistemáticos, os quais agem sobre o ambiente com certa finalidade. Torna-se mais independente de seus cuidadores, sendo capaz de executar tarefas cada vez mais complexas. “É nesse momento em que a criança passa por experiências que não são comuns a todas as crianças (&#8230;), e as habilidades e conhecimentos adquiridos na fase anterior – e nesta também &#8211; tornam-se mais elaboradas”, à medida que a criança vai experienciando e explorando o mundo.</p>
<p>3-    Societário: é neste estágio em que a criança começa a se socializar e explorar as regras sociais, instrução formal, elementos culturais e simbólicos cada vez mais complexos. Novamente, esta habilidade vai se desenvolvendo e tornando-se cada vez mais refinada à medida que a criança vai experienciando o mundo.<br />
Bijou e Baer (p. 31) ainda lembram que, em geral, podemos dizer que o primeiro estágio tem início no pré-natal e vai até a idade em que comumente se chama de fim da infância. O segundo estágio, por sua vez, começa neste ponto e vai até a idade escolar ou pré-escolar. Já o terceiro, no qual a criança torna-se um ser social, começa neste ponto e vai até a idade adulta.</p>
<p>Como é possível observar, a divisão em estágios do desenvolvimento se dá, em uma perspectiva comportamental, de acordo com o caráter predominante das interações que o indivíduo estabelece naquele período. Estes marcos são, nas palavras de Bijou e Baer (p.31), simples acidentes sociológicos, e não essências do desenvolvimento. É bastante comum que se observem características de múltiplos estágios em uma criança só, pois um esvai-se no outro à medida que a criança é estimulada.</p>


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		<title>O que o behaviorismo é e o que ele não é</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Nov 2009 01:02:41 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo</dc:creator>
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<p>“aplica um tratamento diferenciado, sob a justificativa de uma concepção educacional retrógada, que se baseia na punição e/ou na compensação (behaviorista).”</p>
<p>A presidenta da Associação Brasileira de Psicoterapia e Medicina Comportamental, Martha Hübner, afortunadamente pronunciou-se contra a infeliz menção à abordagem. Em sua carta, esclareceu:</p>
<p>“a origem e prática da denominada ‘recompensa’ não são, obviamente, behavioristas. O que o Behaviorismo fez foi estudar empiricamente seus efeitos (&#8230;). Há outros reforços [para além do reforço monetário], que chamamos de participação, atenção especial e tempo, muitos deles tão reivindicados pelo movimento sindical que seus dirigentes e os membros da sua base até poderiam ser chamados de behavioristas: solicitação de opiniões e idéias, intervalo extra, oportunidade de formação e voz ativa em decisões, citando só alguns.”</p>
<p>É lamentável notar que representantes tão sérios da opinião publica pouco se importam com a própria opinião pública, como fica claro na carta de Hübner – o estado do Espírito Santo está repleto de professores behavioristas que inevitavelmente se ofenderiam com as colocações apresentadas no site. E a ofensa repousa, principalmente, no desconhecimento daquilo que o behaviorismo é (uma ciência) e daquilo que o behaviorismo não é (um instrumento do controle coercitivo).</p>
<p>Equipe PeC</p>
<p>Leia a <a href="http://www.psicologiaeciencia.com.br/wp-content/uploads/2009/11/Carta-da-ABPMC-ao-SINDIUPES.pdf">Carta da ABPMC ao SINDIUPES</a></p>


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		<title>Autocontrole: você pode ter???</title>
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		<pubDate>Sun, 25 Oct 2009 00:46:48 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Tratado geralmente como uma características das pessoas, no sentido de que alguns têm autocontrole e outros não têm, a análise do comportamento tem proposto explicar fenômenos como este a partir das relações entre o ambiente e as respostas. Preparados para mudar sua forma de ver o autocontrole?


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			<content:encoded><![CDATA[<p>Tratado geralmente como uma características das pessoas, no sentido de que alguns têm e outros não, a análise do comportamento tem proposto explicar fenômenos como este a partir das relações entre o ambiente e o organismo. Preparados para mudarem sua forma de ver o autocontrole?</p>
<p>Primeiramente, uma concepção internalista trata o autocontrole como derivado de traços de personalidade, de características inatas e de forças interiores. Argumentos à parte, tais concepções facilmente sucumbiriam a indagações tais como “por que as pessoas demonstram diferentes níveis de autocontrole em diferentes situações?”, “por que uma pessoa tem mais autocontrole em uma fase da vida e menos em outra?” e “por que as crianças são mais impulsivas que os adultos?”. São perguntas que enfraquecem o argumento de que o autocontrole pode ser determinado por um eu iniciador localizado no interior do sujeito.</p>
<p>A partir daí, podemos começar a buscar uma explicação externalista, ou seja, que parte da análise da interação entre resposta e ambiente para caracterizar o autocontrole. O primeiro passo para uma definição operacional do autocontrole é delimitar o que se pretende estudar. Os analistas do comportamento propõem que o autocontrole trata-se da escolha por um reforçador de maior magnitude com maior atraso atrasado em detrimento da escolha por um reforçador de menor magnitude e com menor atraso. A imagem abaixo ilustra esta definição:</p>
<p><img title="autocontrole" src="http://www.psicologiaeciencia.com.br/wp-content/uploads/2009/10/autocontrole1-300x128.jpg" alt="autocontrole" width="300" height="128" /></p>
<p>Como podemos ver, o autocontrole é a preferência por uma recompensa maior que ocorrerá no futuro, ao invés de uma recompensa menor que está disponível no presente. Esta definição parece útil, pois retrata bem o que pode ser entendido como autocontrole no cotidiano. Por exemplo, eu digo que tenho autocontrole quando resisto a um belo pedaço de bolo de chocolate. Em outras palavras, estou optando por ser paquerado na praia durante o verão e talvez até arrumar um casamento (um reforçador de maior magnitude e mais atrasado), ao invés de comer um pedaço de bolo que logo será esquecido (um reforçador menor e imediato).</p>
<p>Porém, em que condições alguém escolhe a alternativa de autocontrole ao invés da alternativa de impulsividade? Os analistas experimentais tentaram responder a esta pergunta e encontraram resultados interessantes.</p>
<p>O primeiro deles vem das pesquisas sobre a escolha de compromisso. Nestas pesquisas, um sujeito (pombo, rato, criança etc.) poderia optar por uma contingência em que escolheria entre um reforçador menor e imediato ou um reforçador maior e mais atrasado (em geral o reforçador era tempo de acesso a alimento); ou por outra contingência em que somente poderia ter acesso ao reforçador maior e mais atrasado (chamada <em>elo de compromisso</em>). Os resultados demonstram que os sujeitos preferem a primeira contingência e acessam ao reforçador menor e imediato quando o intervalo entre a escolha desta contingência e o acesso ao alimento é pequeno; porém os sujeitos preferem apenas o elo de compromisso – aquela contingência que só permite acesso ao reforçador maior e mais atrasado – quando há um intervalo maior entre a escolha das contingências e o acesso aos reforçadores. É como se os sujeitos dissessem “já que eu tenho que esperar mesmo, então vou esperar só pelo que vale a pena”. Outro resultado interessante é que os participantes escolhem a contingência que não os permitem “cair na tentação” de optar pela impulsividade.</p>
<p>Um fenômeno observado a partir dos estudos de autocontrole é a inversão de preferência. Os pesquisadores demonstraram que a magnitude do reforçador estabelece um determinado intervalo de tempo em que aquele reforçador controla a resposta que o produz. Ou seja, um reforçador de maior magnitude pode controlar uma resposta mesmo estando mais distante no tempo, ao passo que um reforçador menor somente pode controlar uma resposta mais imediata. Assim, os reforçadores disponíveis no ambiente poderiam concorrer pela resposta, sendo que a distancia temporal determinaria a escolha. Tentarei explicar melhor a partir da figura abaixo: <br />
<img class="aligncenter size-medium wp-image-1988" title="maria" src="http://www.psicologiaeciencia.com.br/wp-content/uploads/2009/10/maria1-300x153.jpg" alt="maria" width="300" height="153" /></p>
<p>Suponhamos que a moça rosa seja Maria, que tem diante de si a possibilidade de escolher entre dois reforçadores: um carro ou algumas guloseimas. O custo implicado em comprar um carro é maior que aquele implicado em comprar guloseimas, mas estão relacionados – então se Maria sempre comprar doces, dificilmente conseguirá comprar seu carro. Porém, o fato é que o carro é um reforçador de maior magnitude (GM) e controla o comportamento de Maria mesmo distante no tempo (linha amarela). Já as guloseimas são reforçadores menores (Gm) e só controlam o comportamento de Maria quando estão disponíveis imediatamente (linha verde). O fenômeno da inversão de preferência prevê, então, que Maria se comportará para comprar o seu carro mesmo muito antes de ir à concessionária (ponto x), poupando dinheiro por exemplo. Porém, quando Maria estiver passeando no shopping e ver uma loja com muitas guloseimas (ponto y), é muito provável que ela torre o dinheiro e compre suas balas prediletas. O ponto i da figura indica o momento em que Maria tende tanto a poupar como a torrar; é quando Maria fica confusa e seu comportamento é imprevisível.</p>
<p>A contribuição aplicada da análise do comportamento mais proeminente é a proposição de um procedimento que pode gerar a escolha pelo autocontrole em sujeitos que não demonstrem este repertório. O procedimento básico consiste em apresentar um reforçador de maior magnitude e um outro reforçador de menor magnitude simultaneamente, sendo que o sujeito pode escolher livremente entre ambos reforçadores. Uma vez observada a preferência pelo reforçador de maior magnitude, deve-se aumentar o intervalo de tempo ou o custo de resposta necessário para produzir o reforçador de maior magnitude. Este aumente deve ser realizado segundo um procedimento conhecido como <em>esvanecimento aditivo</em>, que é caracterizado pelo aumento gradual no intervalo ou no custo da resposta. Um exemplo é oferecer uma intervenção a crianças com TDAH que consista na apresentação de um prêmio maior e outro menor pela resolução de duas contas de matemática com nível de dificuldade semelhante. A partir do momento que a criança começar a preferir aquela conta que permite acesso ao reforçador de maior de magnitude, o terapeuta pode aumentar gradualmente a dificuldade dos problemas correlacionados ao reforço maior e manter o mesmo nível de dificuldade para aquele problema que permite acesso ao reforçador de menor magnitude. Em geral os resultados deste tipo de intervenção demonstram preferência pelos problemas de maior dificuldade em comparação ao repertório apresentado pela criança antes da intervenção.</p>
<p> <img title="estudando" src="http://www.psicologiaeciencia.com.br/wp-content/uploads/2009/10/estudando-300x225.jpg" alt="estudando" width="300" height="225" /></p>
<p>Então, como você vê o autocontrole agora? Se antes este só poderia ser entendido como uma aptidão inata, agora você pode contar com a compreensão analítico-comportamental deste complexo fenômeno estudado pela psicologia. E se você não sabia responder à pergunta-título desta publicação, o que me diria agora?</p>
<p> </p>
<p>Texto base: Hanna, E. S. &amp; Ribeiro, M. R. (2005). Autocontrole: um caso especial de comportamento de escolha. Em: J. Abreu-Rodrigues &amp; M. R. Ribeiro. <em>Análise do comportamento: teoria, pesquisa e aplicação</em>. Porto Alegre: Artmed.</p>


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		<title>Conceitos básicos de AC &#8211; parte 9 &#8211; Comportamento Verbal &#8211; Definição</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Sep 2009 11:33:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Brino Faggiani</dc:creator>
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<p>Dada a extensão do tema, vou dividi-lo em partes. Nesta primeira, vou definir comportamento verbal e comentar algumas de suas implicações. Depois, vou comentar sobre os diferentes tipos de operantes verbais e como eles podem ajudar na prática profissional.</p>
<p>Em consonância com o Behaviorismo Radical, Skinner definiu comportamento verbal como um (1) comportamento operante (2) reforçado pela mediação de um ouvinte (3) especialmente treinado para fazê-lo por uma comunidade verbal.</p>
<p><strong>1 &#8211; Comportamento operante</strong></p>
<p>Definir comportamento verbal como operante significa dizer que a ‘linguagem’ não tem nenhuma propriedade especial: ela é afetada pelo ambiente da mesma forma que qualquer outro comportamento. Essa é uma virada radical na concepção tradicional de linguagem como algo superior ou como uma ferramenta a ser utilizada por aqueles que a dominam. Sendo comportamento, não pode ser utilizada: é a própria ação; e não pode ser superior porque segue os mesmos princípios de qualquer comportamento. Vamos ver algumas implicações disso.</p>
<p>A primeira delas é que temos que analisar cada comportamento verbal isoladamente. Por exemplo, pedir por água não é igual a dizer água diante dela. Cada um desses comportamentos ocorre em um contexto específico e é aprendido separadamente. Pedimos por água controlados pela sede e o reforçador é o próprio líquido. Dizer ‘água’ quando a vemos está sob controle do estímulo água e o reforçamento é generalizado (não está sob controle de algo específico).</p>
<p>Na formulação de Skinner, portanto, a mesma forma verbal “água” pode ter diferentes funções, e ser capaz de falar “água” em um contexto não é sinal de saber falar “água” em todas as situações possíveis. A partir dessa concepção, Skinner criou algumas categorias funcionais para classificar o comportamento verbal (elas serão o assunto do próximo texto).</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.psicologiaeciencia.com.br/wp-content/uploads/2009/09/coptoverbal.png" target="_blank"><img class="size-medium wp-image-1833 aligncenter" title="coptoverbal" src="http://www.psicologiaeciencia.com.br/wp-content/uploads/2009/09/coptoverbal-300x172.png" alt="coptoverbal" width="300" height="172" /></a></p>
<p style="text-align: center;">Clique para ampliar</p>
<p>Outra implicação de o comportamento verbal ser operante é o fato de que o repertório de uma pessoa é produto de sua história de reforçamento. O modo como falamos e o quê falamos estão relacionados com os contextos em que fomos ensinados e as respostas que foram reforçadas. Um exemplo: atenção especial a verbalizações de melhora do cliente fazem com que relatos de avanço aumentem, enquanto o aparecimento de queixas diminui. A importância de saber disso é clara: é necessário tomar cuidado para não reforçar somente queixas nem somente melhoras, caso contrário a terapia pode ocorrer de maneira inadequada.</p>
<p><strong>2. Reforçado pela mediação de um ouvinte</strong></p>
<p>Apesar de o comportamento verbal ser operante, ele tem uma especificidade fundamental: é verbal somente o que é reforçado pela mediação de um ouvinte. Ir à cozinha e pegar a água é reforçado pela própria ação de quem se comportou. Pedir por água é reforçado pela ação de alguém que traz a água.</p>
<p>Dada que a especificidade do comportamento verbal é o fato de ele ser mediado, abre-se um grande leque de comportamentos que são considerados verbais pela análise do comportamento. Por exemplo, acenar, piscar o olho, cumprimentar apertando demasiadamente a mão, são comportamentos verbais, pois são reforçados por conta da ação de outra pessoa.</p>
<p>É importante notar que falante e ouvinte são definições funcionais, e não se referem a duas pessoas necessariamente. Assim sendo, uma pessoa pode ser ouvinte de si mesma, reforçando o próprio comportamento. É comum que nos surpreendamos falando conosco mesmo, escrevendo planos em uma agenda ou descrevendo as nossas ações enquanto as executamos.</p>
<p><strong>3. Treinado especialmente para fazê-lo por uma comunidade verbal</strong></p>
<p>Para que possamos dizer que uma pessoa é ouvinte, precisamos estar certos de que ela foi treinada nas especificidades de determinado idioma. Pedir água para um americano poderia não ser reforçado e, portanto, não seria um comportamento verbal. No entanto, pedir “water” resultaria na água. Isso acontece porque a comunidade verbal americana é diferente da brasileira e disso decorre que os falantes e ouvintes dessas comunidades possuem comportamentos verbais próprios.</p>
<p><strong>Síntese</strong></p>
<p>Agora que cada trecho da definição foi apresentado, veja-a novamente: comportamento verbal é um comportamento operante reforçado pela mediação de um ouvinte especialmente treinado para fazê-lo por uma comunidade verbal.</p>
<p>Notem que é uma definição funcional, não fazendo referência a formas específicas de resposta. Uma grande vantagem de se considerar linguagem como comportamento é a possibilidade de analisá-la em suas unidades funcionais e pesquisar maneiras de mudar esse comportamento para o benefício da comunidade. Um terapeuta ou professor experiente podem analisar os comportamentos verbais de seus clientes e alunos, identificando quais assuntos são necessários tratar ou ensinar e que tipo de repertório verbal vale a pena reforçar.</p>
<p>Em seguida, vou descrever os tipos de comportamento verbal e como esse conhecimento pode ser utlizado na prática profissional.</p>
<p>Robson Faggiani</p>


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		<title>Conceitos Básicos de AC – Parte 8 – Esquemas de reforço.</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Sep 2009 13:38:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Beh. Radical]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Conceitos]]></category>
		<category><![CDATA[Educativos]]></category>
		<category><![CDATA[Análise Experimental do Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Conceitos Básicos de Análise do Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Esquemas de Reforço]]></category>

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		<description><![CDATA[Grande parte de nossas respostas não são reforçadas em 100% das vezes em que são emitidas. Por exemplo, não são todas as vezes em que você liga a sua televisão que você encontra alguma coisa interessante para assistir - o comportamento "ligar a  televisão, neste caso, não é reforçado todas as vezes-, mas mesmo assim você volta a  ligá-la em outra ocasião.


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			<content:encoded><![CDATA[<p>Grande parte de nossas respostas não são reforçadas em 100% das vezes em que são emitidas. Por exemplo, não são todas as vezes em que você liga a sua televisão que você encontra alguma coisa interessante para assistir &#8211; o comportamento &#8220;ligar a  televisão, neste caso, não é reforçado todas as vezes-, mas mesmo assim você volta a  ligá-la em outra ocasião.</p>
<p>Se um comportamento é mantido por reforço, como explicar o fato de que ele volta a ocorrer mesmo não sendo reforçado em todas às vezes?</p>
<p>É aí que entra o que os Analistas do Comportamento chamam de &#8220;Esquemas de reforço&#8221;, conceito que traz consigo a idéia de que não só a apresentação de uma consequência vai alterar a  frequência de ocorrência de uma resposta, mas também, o modo ou esquema em que esta consequência é apresentada irá exercer controle sobre ela.</p>
<p>Na natureza existem diversos esquemas de reforço. Este texto, no entanto, irá se prender apenas aos principais.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="como-jogar-poker" src="../wp-content/uploads/2009/09/como-jogar-poker-248x300.jpg" alt="como-jogar-poker" width="248" height="300" /></p>
<p><strong>Esquema de Reforço Contínuo (CRF)</strong></p>
<p>No esquema de <strong>Reforço Contínuo </strong>(CRF), todas as respostas &#8211; sem exceção -, são reforçadas. Para compreender melhor, pense naquele namorado apaixonado que realiza todos os pedidos de sua namorada. Ele simplesmente não nega nada a ela. Todas as vezes que o comportamento da namorada&#8221;pedir algo&#8221; é emitido, ele  é reforçado. Este é o esquema de reforço mais adequado para que um determinado comportamento seja modelado.</p>
<p><strong>Esquemas de reforço intermitente.</strong></p>
<p>Agora, imagine um outro casal de namorados em que, nem todos os pedidos da namorada são atendidos pelo rapaz. Ele atender ou não, obedece a alguns critérios, dentre os quais podem estar a quantidade de vezes (insistência) em que a namorada pede, ou o tempo (espera) entre um pedido e o outro. A este esquema, os Analistas do Comportamento chamam de &#8220;Esquema de reforço intermitente&#8221;.</p>
<p>O esquema de reforço intermitente é tido como o mais eficaz na manutenção de respostas já modeladas. Uma de suas principais características, é tornar a resposta mais resistente à extinção; isto é, pode ser emitida mais vezes sem que necessariamente o reforçador tenha de ser apresentado.</p>
<p>Os esquemas de reforço intermitente dividem-se em <strong>Esquemas de Razão</strong> e <strong>Esquemas de Intervalo</strong>. Nos esquemas de razão, a apresentação do reforçador depende da quantidade de vezes em que uma resposta é emitida. Nos esquemas de intervalo, a apresentação do reforçador depende do tempo decorrido entre uma e outra apresentações do reforçador.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Esquemas de Razão.</strong></p>
<p>Os esquemas de Razão dividem-se em Esquemas de Razão Fixa (FR) e Esquemas de Razão Variada (VR).</p>
<p>Nos esquemas de <strong>Razão</strong> <strong>Fixa (FR),</strong> o organismo deve emitir uma quantidade fixa e invariável de respostas para que o reforçador seja apresentado. A quantidade de respostas <span style="text-decoration: underline;">não varia</span> entre um reforçador e outro.</p>
<p>Pense naquele vendedor de botas de couro que só recebe o seu salário a cada 30 botas vendidas. Antes que ele consiga vender as 30 botas, o seu patrão não lhe paga. Neste caso, temos um esquema de reforço de Razão Fixa (FR = 30), no qual a cada 30 (essa quantidade não varia) botas vendidas o reforçador é apresentado.</p>
<p>Este esquema é caracterizado pela alta taxa de respostas produzidas, uma vez que, como o reforço depende única e exclusivamente do responder do organismo, se ele responder com rapidez, irá produzir reforço também com maior rapidez. Logo após o reforço, o organismo demora um pouco para voltar a responder. Este tempo é chamado <em>pausa após reforço.</em> Esta pausa é atribuída ao fato de que não há produção de reforço imediatamente após um reforçamento anterior, permitindo discriminar de maneira clara que o próximo reforçador não estará disponível imediatamente após a primeira resposta emitida.</p>
<p>No esquema de <strong>Razão Variável</strong> (VR), a quantidade de respostas exigida para a apresentação do reforçador não é fixa. Ela <span style="text-decoration: underline;">varia</span>.</p>
<p>Um cabeleireiro corta cabelos neste esquema. Se ele recebe uma quantia de oito reais por corte, o reforço será contingente ao número de tesouradas que ele dará no cabelo de cada pessoa. No entanto, o número de tesouradas necessárias para cortar o cabelo de cada pessoa varia, o que significa que a razão (quantidade de tesouradas) é variável (VR).</p>
<p>Este esquema é caracterizado por pausas curtas, ou mesmo ausência de pausa após reforço. Isso ocorre porque não há como discriminar se o número de respostas para o próximo reforço é grande ou pequeno, uma vez que é variável. Este esquema é o que produz maiores taxas de respostas, já que exigem um número indeterminado de respostas para a disponibilização do próximo reforço, e por não apresentarem pausas após reforço. Para fazer alguém trabalhar muito e ganhar pouco, este é o esquema mais indicado.</p>
<p><strong>Esquemas de Intervalo.</strong></p>
<p>Nos esquemas de intervalo, a quantidade de respostas emitidas entre a apresentação de um reforçador e outro é irrelevante. Basta que alguma resposta seja emitida, de acordo com o intervalo. O que de fato determina se o reforçador será ou não apresentado, é o tempo decorrido desde a ultima apresentação de reforço.</p>
<p><span style="text-decoration: underline;">Este esquema também se subdivide em Fixo e Variável.</span></p>
<p>No esquema de <strong>Intervalo Fixo</strong> (FI), o período exigido entre a apresentação do último reforçador e a disponibilidade do próximo reforçador é sempre o mesmo. Por exemplo, um atleta em treinamento recebe um beijo de sua namorada a cada 20 minutos de treino. Antes que ele complete os 20 minutos, sob hipótese alguma a sua namorada o beijará. Neste caso, temos um esquema de reforçamento de Intervalo Fixo (FI = 20).</p>
<p>Este é o esquema que produz as menores taxas de respostas. Os motivos pelos quais isso acontece, são 1) não é exigido um número mínimo de respostas para que o reforço seja disponibilizado; ou seja, tanto faz se o organismo responde muito ou pouco. O que importa para que o reforçador seja apresentado, é a resposta ser emitida no momento certo. E, 2) é o esquema que produz as maiores pausas após reforço. A discriminação temporal entre o reforçamento e o não reforçamento é facilitada pela regularidade dos intervalos.</p>
<p>O esquema de <strong>Intervalo Variado</strong> (VI) tem o mesmo raciocínio que o de intervalo fixo, com a diferença de que, no esquema em questão, os intervalos (tempo) entre o último reforçador e a próxima disponibilidade não são os mesmos, ou seja, são variáveis.</p>
<p>Achar uma música agradável no rádio está sob controle deste esquema. De tempos em tempos é possível encontrar, mas nunca se sabe quanto tempo exatamente é preciso ficar procurando pra achar.</p>
<p>Este esquema, apesar de ser um esquema de intervalo, produz um padrão com uma taxa relativamente alta de respostas. Não há como prever quando o próximo reforçador estará disponível. O organismo responderá quase o tempo todo. Caso ele fique muito tempo sem responder, perderá reforços; deste modo, permanecerá respondendo moderadamente o tempo todo.</p>
<p>Esequias Caetano de Almeida Neto.</p>


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		<title>Conceitos Básicos de AC &#8211; Parte 7 &#8211; Contexto (Controle de Estímulos)</title>
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		<pubDate>Sat, 12 Sep 2009 19:40:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Brino Faggiani</dc:creator>
				<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Conceitos]]></category>
		<category><![CDATA[Análise do Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Beh. Radical]]></category>
		<category><![CDATA[Conceitos Básicos de Análise do Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Controle de Estímulos]]></category>
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<p>Compreender a ideia de contexto é um excelente passo para se começar a entender a Psicologia. Nós, psicólogos (sejamos analistas do comportamento ou não) adoramos este conceito. Para ser honesto, a noção de contexto não é querida apenas por psicólogos, mas por todos os cientistas que lidam com aspectos da conduta humana. A paixão pelo termo deriva de um fato muito simples: ele ajuda a tornar clara a complexidade humana.</p>
<p>Dada a amplitude da noção de contexto e sua apropriação por diversas áreas, não cabe neste texto explicar cada um dos seus usos. Ao invés disso, discutirei como contexto é definido e utilizado na análise do comportamento (no entanto, não vou falar sobre cultura).</p>
<p>Vamos começar, então. O primeiro passo é esquecer o nome &#8220;contexto&#8221; e entender o que é &#8220;controle de estímulos&#8221;.</p>
<h2>Controle de Estímulos</h2>
<p>A história começa com pombos e ratos. Acalmem-se, chegaremos até o conceito de atenção. Por enquanto, vamos entender como animais &#8216;inferiores&#8217; podem nos ajudar a compreender comportamentos humanos complexos.</p>
<p>No início dos seus estudos, Skinner colocava ratos e pompos em caixas de condicionamento (popularmente conhecidas como caixas de Skinner). Os animais podiam ganhar alimento ou água caso fizessem alguma coisa que o investigador julgasse bacana. Geralmente, os experimentadores achavam supimpa que os pombos bicassem um disco e os ratos pressionassem uma barra. E assim era. Quando eles emitiam esses comportamentos podiam se regozijar em um delicioso banquete de água e ração. Skinner percebeu que todo comportamento que precedia o banquete ocorria com mais frequência. A relação era relativamente simples: uma resposta (pressionar a barra) produzia um estímulo (o banquete). A comida produzida fortalecia a resposta que a precedia. Esse fenômeno é chamado de reforçamento. Você pode ler sobre ele <a href="http://www.psicologiaeciencia.com.br/conceitos-basicos-da-analise-do-comportamento-parte-5-o-reforcamento/" target="_blank">aqui</a>. Divirta-se.</p>
<p>O conceito de reforçamento abalou a Psicologia. Mas Skinner, que nunca foi um cara distraído, percebeu que havia mais na relação comportamental do que simplesmente o reforço. Ele notou que o contexto (olha ele aí) controlava o comportamento e fez experimentos que demonstraram que isso de fato ocorria. Os experimentos eram muito simples, mas mudaram o mundo dos pombos e ratos. Agora, os animais só podiam desfrutar de seu banquete caso uma luz colorida estivesse acesa. Quando ela estava apagada, os animais não recebiam suas delícias; não importava se dançassem, cantassem ou recitassem Shakespeare, não havia comida com a luz apagada.</p>
<p>Resumindo: com a luz acesa, pressionar a barra produzia água. Com a luz apagada, nada feito. Inicialmente, os animais agiam da mesma forma quer a luz estivesse ligada ou não. No entanto, não demorava muito para que eles passassem a pressionar a barra apenas com a luz acesa. Parecia que os ratos &#8220;sabiam&#8221; que só poderiam mergulhar em ração quando a luz banhasse sua calorosa morada. Skinner assim definiu o ocorrido: &#8220;a luz sinaliza a disponibilidade do reforçador contingente à resposta&#8221;. Traduzindo em palavras mais normais, os estímulos controlam o comportamento por estarem relacionados a eventos reforçadores. Eis uma notação do ocorrido:</p>
<p><em><span style="font-weight: normal;">contexto</span></em><em> &#8211;&gt; </em>resposta<em> &#8211;&gt; <span style="text-decoration: underline;"><span style="font-style: normal;"><span style="font-weight: normal;">resultado</span></span></span></em></p>
<p><em>luz acesa</em> &#8211;&gt; <strong>pressionar a barra</strong> &#8211;&gt; <span style="text-decoration: underline;">luxuoso banquete</span></p>
<p><em>luz apagada</em> &#8211;&gt; <strong>pressionar a barra</strong> &#8211;&gt; <span style="text-decoration: underline;">nada não</span></p>
<p>Diz-se que a resposta de pressionar a barra está sob controle da luz: daí o termo “controle de estímulos”.</p>
<p>Olhando a notação acima, é comum pensar &#8220;até eu que sou mais bobo deixaria de pressionar a barra com a luz apagada&#8221;. Eu não poderia concordar mais. Acontece que essa descoberta simples ajudou a entender o que é a percepção. Vamos a ela?</p>
<h2>Percepção</h2>
<p><img class="alignright size-full wp-image-1737" title="1272437.paquera_ig_estilo_225_300" src="http://www.psicologiaeciencia.com.br/wp-content/uploads/2009/09/1272437.paquera_ig_estilo_225_300.jpg" alt="1272437.paquera_ig_estilo_225_300" width="300" height="225" /></p>
<p>Lá está você, mais jovem, aprendendo o que são garotos(as). Inicialmente, você se comporta &#8220;como uma metralhadora&#8221; e atira seus papos e esforços para todos os lados. Depois de muitas falhas e algumas conquistas, você quase que automaticamente passa a notar um padrão bem claro. As pessoas que te olham e sorriem são aquelas com quem a conversa flui melhor. Com o tempo, sua percepção é aguçada e seus esforços não são mais desperdiçados; seu alvo é claro: a pessoa com sorriso aberto e olhar insinuante. É isso: você percebe os sinais. Já que o rato ganhou uma, eis também para você uma notação do ocorrido:</p>
<p><em>pessoa bacana sorrindo</em> &#8211;&gt; <strong>puxar conversa </strong>&#8211;&gt; <span style="text-decoration: underline;">papo agradável</span> (beijos, até)</p>
<p><em>pessoa bacana séria</em> &#8211;&gt; <strong>puxar conversa</strong> &#8211;&gt; <span style="text-decoration: underline;">tente outra vez</span></p>
<p>Nesse momento, algo deve ficar claríssimo: aprendemos a perceber somente os objetos e eventos relacionados ao que nos é importante de alguma forma. É o que ocorre após a resposta (seu resultado) que produz a percepção. Você não teria aprendido a diferenciar qual o melhor tipo de pessoa para paquerar se não tivesse resultados diferentes em situações diferentes. Foi o papo agradável, no seu caso, e a água, no caso do rato, que tornaram a luz acesa e os sorrisos eventos a serem notados. Se você obtivesse a mesma consequência com pessoas sorridentes e sérias, o sorriso não seria algo notável.</p>
<p>Pense em profissionais de diferentes áreas. Um dermatologista é capaz de dizer muito mais sobre um pedaço da pele do que você. Um psicólogo experiente parece ter uma percepção quase sobrenatural sobre os padrões de comportamento de alguém. Um bom engenheiro pode dizer sobre os pontos fortes e fracos de uma casa apenas observando suas colunas. Os pintores olham para um quadro e são capazes de descrever a direção das pinceladas, a técnica utilizada e o estilo do autor. A percepção aguçada dos bons profissionais é resultado de treino especial para detectar detalhes que outras pessoas não notam; é isso o que os faz especialistas. Mas eu disse que o controle pelo contexto (o controle de estímulos) é estabelecido por sua relação com algo importante. O que os profissionais ganham sabendo se comportar de forma diferente diante de estímulos específicos? Ora, para começar, dinheiro. E, mais importante ainda, sucesso e reconhecimento por algo que fazem bem.</p>
<p>É comum a muitas correntes da Psicologia, e mesmo pessoas leigas, afirmarem que a Percepção é pessoal e moldada pela experiência de cada um. Isso não podia ser mais verdade. Uma árvore é percebida de forma diferente por pessoas distintas. Um lenhador, por exemplo, que aprendeu sobre diferentes tipos de madeira durante sua profissão, provavelmente percebe a árvore em termos financeiros. Um casal de namorados pode perceber a árvore como um espaço romântico para estender uma toalha e dizer palavras de amor. O lenhador e os namorados percebem a árvore de forma diferente, pois ela está relacionada com consequências e respostas distintas para eles.</p>
<p>O exemplo dado acima é satisfatório, mas o comportamento humano é muito mais complexo. O lenhador pode perceber a árvore de forma diferente em contextos diferentes. Quando ele põe sua roupa de trabalho e é pressionado pelo chefe, uma árvore é dinheiro. Por outro lado, se ele está passeando com sua namorada em um parque, uma árvore pode lhe parecer o local perfeito para o amor. Essas aparentes, e falsas, contradições ocorrem porque o comportamento é, geralmente, controlado por muitos estímulos simultaneamente. Eis uma notação do comportamento do lenhador nos dois exemplos dados:</p>
<p><em>no trabalho + árvore</em> &#8211;&gt; <strong>derrubar</strong> &#8211;&gt; <span style="text-decoration: underline;">dinheiro</span></p>
<p><em> com a namorada + árvore</em> &#8211;&gt; <strong>conversar</strong> &#8211;&gt; <span style="text-decoration: underline;">carinhos e palavras de amor</span></p>
<p><img class="alignleft size-medium wp-image-1738" title="SinaisTr_nsitoFeminino" src="http://www.psicologiaeciencia.com.br/wp-content/uploads/2009/09/SinaisTr_nsitoFeminino-300x220.png" alt="SinaisTr_nsitoFeminino" width="300" height="220" />Há algo a ser dito. Vejam como cada contexto controla uma resposta diferente. Por que? Porque se o lenhador levar a namorada para conversar debaixo de uma árvore no meio do trabalho, vai ser mandado embora. Da mesma forma, se derrubar uma árvore no parque quando passeia com a namorada, provavelmente levará um fora. Os diferentes contextos controlam respostas diferentes porque cada contexto está relacionado a um reforçador específico. No caso, ora dinheiro, ora carinho.</p>
<p>Chega de percepção. Como faço para manter a atenção de vocês? Vamos ver!</p>
<h2>Atenção</h2>
<p>Assim como a percepção, a atenção está relacionada a consequências importantes para o comportamento. Vamos ao exemplo que vocês adoram: a paquera. Quando você está em um bar à procura de alguém interessante, você deliberadamente olha para todos os lados procurando o sinal da fortuna: sorrisos. Em outras palavras, você está &#8220;atento&#8221;. Atentar, nesse sentido, nada mais é do que procurar por uma indicação de que algo interessante está disponível. Achar esse sinal é importantíssimo para as pessoas. Para os animais também! O pombo que ganha água quando bica o disco na presença da luz azul e nunca da vermelha, praticamente não se importa quando a luz vermelha aparece. Mas a luz azul é tão interessante para o bichinho que até parece amor. Agora, duvido alguém me contrariar e afirmar que não adora o sorriso de quem se está paquerando.</p>
<p>Outro modo de entender o que é a “atenção” é no caso em que olhamos fixamente para algo (ou nos concentramos em ouvir, saborear, etc). De forma semelhante ao que foi dito anteriormente, essa forma de atentar está sob controle de estímulos relacionados a eventos importantes para nós. Os exemplos são muitos. Alguém que ouve música fica atento a ela porque isso lhe dá prazer. Um segurança olha fixamente para a tela que mostra o exterior do edifício porque caso algo lhe escape ele terá problemas. Prestamos atenção especialmente em alguns textos porque disso depende a nossa boa nota em uma disciplina ou simplesmente porque o texto é prazeroso.</p>
<p>Atenção também pode ser compreendida de outro modo, como uma reação natural a mudanças do ambiente. Parece que o nosso organismo foi filogeneticamente preparado para atentar a novos estímulos  automaticamente. Isso, claro, é uma forma de defesa: evita que sejamos pegos de surpresa. Qualquer barulho ou movimento inesperado chama a nossa &#8220;atenção&#8221; rapidamente, permitindo que nos preparemos para o que pode acontecer.</p>
<p>Os conceito de atenção e percepção têm implicações importantíssimas para a educação. Alunos só prestam atenção a informações que lhes são relevantes em algum nível. O fato de ser comum ouvir alunos reclamando sobre o que aprendem e ouvir professores reclamando sobre a falta de atenção e interesse dos alunos aponta para algo alarmante: estão ensinando conteúdos sem relação com o cotidiano dos estudantes.</p>
<p>Se você é professor, ou apenas alguém que gosta de chamar a atenção para si, lembrem-se da máxima: atenção é interesse. Enquanto você estiver mostrando informações relevantes terá toda a atenção da platéia.</p>
<h2>Conclusão: o Contexto</h2>
<p>Todas as ideias apresentadas acima se relacionam ao tema maior &#8220;contexto&#8221;. Quando dizemos que as pessoas se comportam de acordo com seu contexto, estamos nos referindo ao tipo de eventos descritos como controle de estímulos, percepção e atenção. Há, ainda, mais conceitos que poderiam ser discutidos dentro deste tema, como abstração, inteligência e cultura. No entanto, isso extrapolaria o objetivo central de explicar de forma resumida como a análise do comportamento compreende o contexto (controle de estímulos).</p>
<p>Fiquem à vontade para fazer comentários e tirar dúvidas&#8230;</p>
<p>Robson Brino Faggiani</p>


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		<title>Conceitos básicos da AC &#8211; Parte 6 &#8211; A punição, o controle aversivo e a extinção</title>
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		<pubDate>Mon, 07 Sep 2009 18:58:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Conceitos]]></category>
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		<category><![CDATA[Interessante]]></category>
		<category><![CDATA[Reforçamento positivo]]></category>

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			<content:encoded><![CDATA[<p>Neste post trataremos dos conceitos relacionados aos processos de punição, de controle aversivo e de extinção.</p>
<p>A punição é uma operação que faz parte do reforçamento, isso porque também se trata de uma conseqüência que altera a probabilidade de uma resposta.</p>
<p>Porém a forma como a punição produz tal alteração é uma questão controversa. Há duas correntes teóricas que definem a punição de formas diferentes. Uma delas defende que a punição é um processo que diminui a probabilidade da emissão das respostas. Isso quer dizer que se alguém se comporta de determinada maneira, ou seja, se costuma fazer algo como andar de bicicleta ou pintar quadros, e tem esse comportamento punido, a probabilidade dessa pessoa voltar a fazer estas mesmas coisas será menor.</p>
<p><img title="punição" src="http://www.psicologiaeciencia.com.br/wp-content/uploads/2009/09/punição-300x240.jpg" alt="punição" width="300" height="240" /></p>
<p>Uma outra corrente teórica diz que a punição na verdade elicia reações emocionais e aumenta a probabilidade de respostas de fuga e esquiva – e por causa destes processos que a resposta sob análise se torna menos provável de ocorrer. Isso quer dizer que se eu puno o comportamento “andar de bicicleta” de alguém, essa pessoa passa a andar menos para não sentir ansiedade, medo ou para evitar que eu a puna novamente.</p>
<p>Apesar da semelhança entre as duas correntes, a diferença entre elas subsidia discussões sobre questões éticas para o uso da punição como método de modificação do comportamento. Porém, esclarecidas estas duas possibilidades de entender os processos punitivos, vamos às definições de punição positiva e negativa</p>
<p><em>A punição positiva</em></p>
<p>A compreensão deste processo requer um retorno ao conceito de reforço negativo. Lembre-se que um reforçador negativo é um estímulo que uma pessoa se comporta para remover. Lembre-se também que este estímulo também pode ser chamado de estímulo aversivo.</p>
<p>Pense agora em uma situação em que alguém faz alguma coisa e, como conseqüência, aquele mesmo estímulo aversivo é produzido pela resposta daquela pessoa. Por isso este processo é chamado de punição positiva, porque se trata da produção/adição de um estímulo aversivo.</p>
<p>Vamos supor que aquela mesma pessoa que fecha a janela pra evitar a chuva agora descobre uma chave em uma parede de sua casa. A pessoa gira a chave e um cano começa a jorrar água fria sobre a cabeça dela. Este é um processo de punição positiva: a resposta produz um estímulo aversivo. Um critério para averiguar se de fato se tratou de uma punição é a observação da diminuição da taxa da resposta. Se a pessoa não abrir mais aquela chave, de fato o jato de água fria puniu.</p>
<p><em>A punição negativa</em></p>
<p><em> </em>Este processo recai sobre o conceito de reforço positivo. Lembre-se que um estímulo reforçador é aquele que, quando produzido, aumenta a probabilidade da resposta que o produziu. Então, se passarmos agora a retirar um estímulo reforçador que está presente no ambiente da pessoa quando ela emite uma determinada resposta, dizemos que houve punição negativa – e este processo deve implicar na diminuição da probabilidade de emissão da resposta. É daí que surge o nome de punição negativa, pois trata-se da retirada/subtração de um estímulo reforçador produzida pela resposta.</p>
<p>Por exemplo, imagine um terapeuta que está sempre atento e pronto a discutir os temas relevantes na vida de seu cliente e isto tem feito o cliente trazer, a cada sessão, mais e mais temas para discutir com seu terapeuta. Porém agora o cliente passa a abordar temas que tratam da vida pessoal do terapeuta e, nestes momentos, o terapeuta se cala e não dá oportunidades para que o cliente prossiga na discussão. A partir daí, o cliente provavelmente não perguntará mais sobre este assunto. O terapeuta estaria, provavelmente, punindo negativamente a resposta de seu cliente. Este é um exemplo que dificilmente acontecerá na prática, mas serve apenas para ilustrar o conceito.</p>
<p><em>O controle aversivo</em></p>
<p>É importante considerar brevemente que o reforço negativo e a punição são estudados sob o tema de controle aversivo, pois todos tratam-se de variáveis de controle do comportamento por outras vias que não o reforçamento positivo. São processos amplamente discutidos devido aos efeitos que este tipo de controle pode gerar no comportamento, como supressão condicionada (parar de responder), os subprodutos emocionais (como o medo e a ansiedade) e o aumento de respostas de agressão quando uma pessoa está sob controle aversivo.</p>
<p><em>A extinção</em></p>
<p>Outra consideração importante se faz necessária para quando conseqüências que vinham sendo produzidas pelas respostas não mais as são. Se determinados estímulos reforçadores ou aversivos não são mais apresentados ou retirados, a tendência do responder é retornar à probabilidade de ocorrência anterior do processo de reforçamento.</p>
<p>Assim, se riscar o papel não o pinta mais, a criança desiste de desenhar; se fechar a janela não impede mais a chuva, a pessoa a larga como está; se abrir a chave não mais produz um banho frio, a pessoa volta a abri-la quando quiser; e se o terapeuta volta a atentar aos tópicos abordados pelo cliente, este volta a perguntar o que havia deixado de lado.</p>
<p>Ou seja, a extinção é o efeito da suspensão do reforçamento sobre o responder –- significa o retorno da probabilidade do responder a taxas anteriores.<strong></strong></p>


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		<title>Conceitos básicos da AC &#8211; Parte 5 &#8211; O reforçamento</title>
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		<pubDate>Thu, 03 Sep 2009 19:59:23 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo</dc:creator>
				<category><![CDATA[Beh. Radical]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
		<category><![CDATA[Conceitos]]></category>
		<category><![CDATA[Análise do Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Conceitos Básicos de Análise do Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Reforçamento positivo]]></category>

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		<description><![CDATA[Por reforçamento pode-se entender qualquer operação que altere a chance de uma resposta ocorrer no futuro. Assim, operações como reforçamento positivo, reforçamento negativo, extinção, punição positiva e punição negativa podem ser englobadas em um único e amplo conceito chamado reforçamento. Primeiramente vamos nos ater às operações conhecidas como reforçamento (ou reforço) positivo e reforçamento (ou reforço) negativo.


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			<content:encoded><![CDATA[<p>Por reforçamento pode-se entender qualquer operação que altere a chance de uma resposta ocorrer no futuro. Assim, operações como reforçamento positivo, reforçamento negativo, extinção, punição positiva e punição negativa podem ser englobadas em um único e amplo conceito chamado reforçamento.</p>
<p>Primeiramente vamos nos ater às operações conhecidas como reforçamento (ou reforço) positivo e reforçamento (ou reforço) negativo. Um breve parêntese pode ser importante: quando usamos a palavra reforço, podemos estar nos referindo a três coisas diferentes: 1. Um reforçador, quer dizer, um estímulo que quando produzido por uma resposta aumenta a probabilidade desta; 2. Um reforçamento, ou seja, uma operação em que reforçadores são apresentados; e 3. Um reforçamento enquanto procedimento, ou seja, uma situação em que alguém deliberadamente provê conseqüências especialmente para instalar, manter ou manejar o responder de um organismo.</p>
<p>Agora podemos passar a uma apresentação melhor das operações de reforço.</p>
<p><em>O reforço positivo</em></p>
<p>Reforço positivo é uma operação em que um evento produzido por uma resposta aumenta a probabilidade desta resposta ocorrer no futuro.</p>
<p>Vejamos uma situação natural em que esta operação pode ocorrer. Se uma criança, brincando com materiais gráficos, produz no papel um risco colorido com um lápis de cor e, depois disto, passa a riscar papéis quando os encontra pela frente, podemos dizer que o risco (ou o papel riscado) reforçou positivamente a resposta de riscar.</p>
<p>O mesmo pode acontecer em uma situação planejada, como quando um terapeuta discute com o cliente como ele pode resolver os problemas que ele acabou de contar na sessão – o terapeuta reforçou respostas do cliente relacionadas a discutir as dificuldades de sua vida, o que é de muito interesse de um terapeuta.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter size-medium wp-image-1703" title="terapeuta" src="http://www.psicologiaeciencia.com.br/wp-content/uploads/2009/09/terapeuta-300x225.jpg" alt="terapeuta" width="300" height="225" /></p>
<p>De maneira mais geral, uma representação gráfica da relação entre a resposta e o reforçador positivo pode ser formulada da seguinte maneira:</p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-1711" title="reforçopositivo" src="http://www.psicologiaeciencia.com.br/wp-content/uploads/2009/09/reforçopositivo2.jpg" alt="reforçopositivo" width="91" height="81" /></p>
<p>Esta representação provavelmente será lida por um analista do comportamento da seguinte forma: dada a emissão de uma resposta, um estímulo é produzido e este estímulo retroage sobre a probabilidade futura de ocorrência desta resposta. Isso quer dizer que, se a pessoa faz algo que produz um reforço, então é bem capaz que ela volte a fazer isso.</p>
<p>Uma observação final é a de que muitos autores já definiram o reforço como um estímulo agradável, apetitivo, prazeroso, etc. Hoje este tipo de definição não é aceita, sendo que a única característica do estimulo que o caracteriza como reforçador é o aumento da probabilidade de ocorrência da resposta que o produziu.</p>
<p><em>O reforço negativo</em></p>
<p>Se por um lado o reforço positivo é marcado pela produção de um evento, o reforço negativo é marcado pela eliminação de um evento. Daí os nomes positivo (produção, adição) e negativo (eliminação, subtração). Desta forma, reforçamento negativo é uma operação em que uma resposta tem sua probabilidade de ocorrência aumentada pela eliminação de um estímulo.</p>
<p>Por exemplo, se uma pessoa está do lado de uma janela e começa a chover no seu rosto, ela pode fechar a janela e impedir que a chuva continue a molhando. Se das próximas vezes que chover ela fechar a janela, a porta, etc., podemos dizer que estas respostas foram negativamente reforçadas pela remoção da chuva.</p>
<p>Os analistas do comportamento chamam de estímulo aversivo o evento que é eliminado no reforçamento negativo. Existem muitos estímulos aversivos conhecidos, como o choque elétrico, os jatos de ar quente, as estimulações dolorosas diversas, etc. Mas definiremos um estímulo aversivo baseados principalmente na probabilidade de uma pessoa, ou um animal, se comportar para eliminar este estímulo.</p>
<p>As respostas negativamente reforçadas são chamadas de fuga na literatura analítico-comportamental. Um esquema gráfico de uma resposta de fuga pode ser este apresentado a seguir:</p>
<p><img title="reforçonegativo" src="http://www.psicologiaeciencia.com.br/wp-content/uploads/2009/09/reforçonegativo1.jpg" alt="reforçonegativo" width="138" height="58" /></p>
<p>Você pode ler este esquema da seguinte forma: dado um estímulo aversivo, uma resposta que o elimine será negativamente reforçada. Isso quer dizer que se uma pessoa fizer algo que termine uma estimulação aversiva, é muito provável que ela volte a fazer isso quando a estimulação aversiva voltar a acontecer.</p>
<p>Um outro tipo de resposta negativamente reforçada é chamado de esquiva. Na esquiva, o estimulo aversivo não precisa ser apresentado – exige-se apenas a presença de um outro evento que indique que o aversivo pode aparecer. Por exemplo, aquela pessoa que aprendeu a fechar a janela pra se livrar da chuva pode começar a fechar a casa toda quando o céu ficar cheio de nuvens carregadas.</p>
<p>Em resumo, pode-se dizer que reforço positivo e negativo são processos em que as conseqüências do responder aumentam a probabilidade futura da emissão de uma dada resposta.</p>


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		<title>Conceitos básicos da AC &#8211; Parte 4 &#8211; O Comportamento Operante</title>
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		<pubDate>Mon, 31 Aug 2009 00:01:32 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Rodrigo</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Conceitos Básicos de Análise do Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[História da Análise do Comportamento]]></category>

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		<description><![CDATA[Há um tipo de comportamento caracterizado por uma dada propriedade: sua causa está nas modificações que são operadas no mundo. Assim é o comportamento operante, um tipo especial de responder que é sensível às conseqüências que produz. 


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			<content:encoded><![CDATA[<p>Como foi discutido até agora, há um tipo de comportamento que tem sua origem na história evolutiva das espécies e é caracterizado pela relação entre um estímulo eliciador e uma resposta. Porém há um tipo de comportamento caracterizado por outra propriedade: sua causa está nas modificações que são <em>operadas</em> no mundo. Assim é o comportamento operante, um tipo especial de responder que é sensível às conseqüências que produz. Por causa desta sensibilidade às conseqüências que cozinhamos, construímos, namoramos e brincamos, pois depois de fazer tais coisas obtemos saciação, abrigo, carinho e satisfação.</p>
<p>O comportamento operante tem um componente derivado da seleção natural, que é tal sensibilidade às conseqüências. Porém é caracterizado por uma variedade infinita de possibilidades: uma conseqüência pode ser produzida de qualquer forma, seja por um toque de mãos ou por um pedido, e a forma como se produziu aquela conseqüência tenderá a se repedir no tempo.</p>
<p>O conceito de operante é muito relevante para a ciência como um todo, pois contraria uma proposição científica que influenciou a psicologia por muito tempo. Em geral, entendia-se que um comportamento só poderia ser causado por algo que o precedesse. Porém a definição de controle pelas conseqüências trata-se de uma descoberta empírica (apoiada em dados observados com rigor experimental) e é compatível com compreensões científicas contemporâneas, como a física quântica e a seleção natural.</p>
<p>A análise do comportamento operante requer a compreensão de alguns conceitos. Os mais importantes aqui são <em>comportamento, antecedente, resposta </em>e <em>conseqüência.</em> Vamos a eles:</p>
<ul>
<li><em>Comp<img class="alignleft size-medium wp-image-1687" title="futebol" src="http://www.psicologiaeciencia.com.br/wp-content/uploads/2009/08/futebol-300x201.jpg" alt="futebol" width="300" height="201" />ortamento:</em> é a relação entre estímulos e respostas. Usualmente se diz que um comportamento é algo que uma pessoa faz, como chutar. Na verdade, quando nos referimos a um comportamento precisamos descrever o que a pessoa faz e alguma relação entre este fazer e o ambiente. Podemos completar o exemplo acima dizendo que um comportamento é algo que uma pessoa faz com alguma coisa, como chutar a bola que o outro jogador tocou e marcar um gol.<em></em></li>
<li><em>Antecedente: </em>É alguma propriedade do ambiente que sinaliza uma oportunidade para a resposta ser emitida. No exemplo acima, o toque da bola pelo outro jogador é um antecedente para chutar a gol. Este conceito será melhor explorado na postagem sobre controle de estímulos.<em></em></li>
<li><em>Resposta: </em>É o que uma pessoa faz, como olhar para a bola, mirar o gol, sentir a adrenalina, chutar, gritar, etc. Quando analisamos uma resposta, nem sempre é necessário descrever sua relação com os estímulos do ambiente. Nestes casos, o mais importante é verificar se a resposta foi ou não emitida.<em></em></li>
<li><em>Conseqüência: </em>é uma modificação no ambiente efetivamente produzida pela resposta. O gol de nosso exemplo foi produzido pelo chute.<em></em></li>
</ul>


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