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	<title>Psicologia e Ciência &#187; Neto</title>
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		<title>Entrevista com Júlio César De Rose</title>
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		<pubDate>Sat, 30 Jul 2011 03:00:58 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[Esequias C. A. Neto
Este ano tive o prazer de realizar a cobertura oficial da X JAC UFSCar pelo Comporte-se (link) e RedePsi (link). Durante o evento realizei entrevistas com diversas personalidades da Análise do Comportamento. Entra elas, Júlio César De Rose.
De Rose é doutor em Psicologia Experimental pela USP &#8211; São Paulo (1981) e Professor [...]


Related posts:<ol><li><a href='http://www.psicologiaeciencia.com.br/entrevista-roosevelt-starling/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Entrevista: Roosevelt Starling'>Entrevista: Roosevelt Starling</a> <small>O Professor Roosevelt Starling concedeu uma entrevista ao blog ["Comporte-se"],...</small></li></ol>]]></description>
			<content:encoded><![CDATA[<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Esequias C. A. Neto</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Este ano tive o prazer de realizar a cobertura oficial da X JAC UFSCar pelo Comporte-se (link) e RedePsi (link). Durante o evento realizei entrevistas com diversas personalidades da Análise do Comportamento. Entra elas, Júlio César De Rose.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">De Rose é doutor em Psicologia Experimental pela USP &#8211; São Paulo (1981) e Professor Titular do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de São Carlos.  Realizou seu pós doutorado em Neurologia Comportamental pelo Eunice Kennedy Shriver Center for Mental Retardation (EUA, 1984-1986), desenvolvendo pesquisas sobre relações simbólicas. Diretor do Centro de Educação e Ciências Humanas da Universidade Federal de São Carlos (1996-2000).</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">É fundador e coordenador do Núcleo de Estudos sobre Comportamento, Cognição e Ensino, apoiado pelo Programa de Apoio a Núcleos de Excelência (Pronex), de 1998 a 2004. Coordenador do Programa de Ciência Translacional do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia sobre Comportamento, Cognição e Ensino e membro do conselho editorial do Journal of Applied Behavior Analysis e do The Psychological Record (fonte).</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">1 – Olá Júlio. Para começar, gostaria de falar um pouquinho sobre a educação. Embora a Análise do Comportamento apresente excelentes resultados no ensino de pessoas com desenvolvimento típico e atípico, ela não é muito usada e nem muito conhecida pelos profissionais da educação. Por que isto acontece? Como contornar este quadro?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Bom! Para começar, temos que saber que a Análise do Comportamento não é muito utilizada no Brasil, na área da educação. No exterior – Estados Unidos, Europa e no Oriente também -, a Análise do Comportamento tem sido muito utilizada no ensino de crianças com desenvolvimento atípico, especialmente com autismo. Então há um uso intenso da abordagem para isto. Isto porque já é bastante reconhecido que a abordagem produz grandes resultados para a intervenção com estas pessoas. E há, inclusive, bastante recursos para intervenção com crianças com autismo. Então isto tem produzido uma grande expansão da Análise do Comportamento no campo da educação. O desafio da Análise do Comportamento, então, é ser aplicada também para o ensino de crianças com desenvolvimento típico. Aí sim, há uma resistência maior. Existem experiências em escolas que a aplicam nos Estados Unidos. Até no Brasil já existe uma.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A gente tem dificuldade de se comunicar em uma linguagem mais inteligível para pessoas que não são Analistas do Comportamento. Acho que isto dificulta muito o diálogo com educadores. Além disso, os educadores tem uma visão em parte equivocada sobre a Análise do Comportamento. Acreditam que ela é uma abordagem mecanicista, reducionista, etc. Isto também é uma barreira para a comunicação com educadores.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A gente ainda não desenvolveu estratégias eficazes para superar estas dificuldades. A forma de apresentar o que a gente faz, ao invés de dissipar estas impressões dos educadores, às vezes a reforça. Então eles até podem achar: “Ah, isto funciona com criança retardada, você condiciona ela e ela melhor. Mas não vem querer condicionar nossos alunos com desenvolvimento típico”. Esta é uma dificuldade que a gente tem.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">2 – Existe este mesmo problema em relação ao diálogo da Análise do Comportamento com áreas como a Medicina, Filosofia, entre outras?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Eu acho que existe um pouco também, devido à linguagem mais hermética do Analistas do Comportamento que dificulta o diálogo com outros profissionais. Em algumas áreas, eu acho que isso tem melhorado. Há uma inserção, também no exterior – mais do que no Brasil – , da Análise do Comportamento na medicina. Também, razoavelmente na Neurociência, tem havido progressos nesta direção. Mas com outras áreas, como Medicina, Antropologia, Ciências Sociais, etc., eu acho que poderia haver muito mais diálogo. Acho que o Analista do Comportamento tem que se preparar para este diálogo, aprendendo a ouvir as outras áreas.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">As vezes parece haver um lado entre os Analistas do Comportamento – isto é uma impressão pessoal, não tenho como provar e nem sei se é uma impressão verdadeira – que evita o diálogo e procura mais a interação com os próprios Analistas do Comportamento, que se reforçam mutuamente e o evitam [o diálogo], porque isso leva a ouvir críticas, a ter que ouvir a posição dos outros também. Isto é mais desafiador, mas é um desafio importante: aprender a ouvir as outras posições, dialogar com elas. Também é preciso admitir as limitações da nossa área, do nosso conhecimento. Se a gente parte do pressuposto de que nós sabemos tudo, então pra que dialogar com alguém?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">3 – O senhor poderia falar um pouquinho destas limitações na área da educação, em que pode ser útil utilizar conhecimento vindo de outras áreas do conhecimento?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Sempre é útil. O Skinner, por exemplo, era um pensador e cientista que buscava muito o conhecimento de outras áreas do saber. O que ele rejeitava eram as teorias, as interpretações, as explicações que estas outras áreas davam. Mas ele nunca rejeitava o conhecimento, em termos de dados, fatos que podiam ser aportados por outras áreas que estudaram muitos fenômenos importantes do comportamento.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Eu vejo isto muito claro no campo da antropologia. Tem muita produção interessante de Analistas do Comportamento sobre a questão da cultura, mais recentemente. E acho que isso poderia se enriquecer com o conhecimento produzido pelos antropólogos sobre cultura. Mesmo que a gente rejeite as explicações que são dadas, os dados que eles tem são muito interessantes e desafiam as interpretações comportamentais sobre este fenômeno.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Na questão da educação, não podemos descartar, talvez, elementos interessantes da produção, por exemplo dos Piagetianos ou Vygostkyanos. Talvez de outras abordagens também, mas são estas as que me ocorrem agora.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">4 – Algumas abordagens da Psicologia produzem bastante sobre arte e em parceria com a arte, como por exemplo, a Psicanálise e a Sócio-Histórica. Pensado agora na Análise do Comportamento, como está este diálogo e produção com a arte?</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Eu conheço pouco. Tenho visto muitas interpretações de arte, principalmente com base na Psicanálise e muito pouco com base na Análise do Comportamento. Até acho que, talvez, pelo fato de a Psicanálise ser mais metafórica, mais literária, ela seja mais atraente para os estudiosos da arte. Mas eu acho que a Análise do Comportamento tem muito a oferecer. A gente acabou de realizar, agora, uma conferência tentando analisar a criatividade musical à partir de um referencial teórico Comportamental¹. São coisas iniciais, ainda. Muito exploratórias. A gente tem um grande caminho a percorrer por aí.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">5 – Para finalizar, gostaria que o senhor deixasse algumas dicas para quem se interessa pelo estudo da Análise do Comportamento.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Este é uma pergunta difícil.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A Psicologia, como um todo, é uma disciplina relativamente nova e que lida com questões tremendamente desafiadoras. A mente ou o comportamento humano (para nós, Analistas do Comportamento, o estudo do Comportamento; para os psicólogos, o estudo dos processos mentais), seja para qual formulação teórica for, são assuntos tremendamente desafiadores sobre os quais ainda se sabe muito pouco. Então, minha primeira dica, é estar disposto a lidar com o desconhecido.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">A Análise do Comportamento tem métodos que permitem fazer perguntas e caminhar na produção de respostas. Ela não tem respostas prontas sobre todos os processos e fenômenos comportamentais, mas tem métodos e maneiras de formular perguntas que podem levar a respostas produtivas.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Acho que é importante, também, a gente ter claro que a Análise do Comportamento é um caminho para as descobertas que nós ainda não não chegamos. Ela não é uma doutrina que dá todas as respostas para as nossas questões sobre comportamento, mas nos diz as maneiras mais produtivas de formular as perguntas e métodos com os quais se pode chegar às respostas.</div>
<div id="_mcePaste" style="position: absolute; left: -10000px; top: 0px; width: 1px; height: 1px; overflow-x: hidden; overflow-y: hidden;">Eu conheço pouco. Tenho visto muitas interpretações de arte, principalmente com base na Psicanálise e muito pouco com base na Análise do Comportamento. Até acho que, talvez, pelo fato de a Psicanálise ser mais metafórica, mais literária, ela seja mais atraente para os estudiosos da arte. Mas eu acho que a Análise do Comportamento tem muito a oferecer. A gente acabou de realizar, agora, uma conferência tentando analisar a criatividade musical à partir de um referencial teórico Comportamental¹. São coisas iniciais, ainda. Muito exploratórias. A gente tem um grande caminho a percorrer por aí</div>
<p>Esequias C. A. Neto</p>
<p>Este ano tive o prazer de realizar a cobertura oficial da X JAC UFSCar pelo Comporte-se (<a href="http://www.comportese.com/2011/06/entrevista-exclusiva-com-dr-julio-cesar.html">link</a>) e RedePsi (<a href="http://www.redepsi.com.br">link</a>). Durante o evento realizei entrevistas com diversas personalidades da Análise do Comportamento. Entra elas, Júlio César De Rose.</p>
<p>De Rose é doutor em Psicologia Experimental pela USP &#8211; São Paulo (1981) e Professor Titular do Departamento de Psicologia da Universidade Federal de São Carlos.  Realizou seu pós doutorado em Neurologia Comportamental pelo Eunice Kennedy Shriver Center for Mental Retardation (EUA, 1984-1986), desenvolvendo pesquisas sobre relações simbólicas. Diretor do Centro de Educação e Ciências Humanas da Universidade Federal de São Carlos (1996-2000).</p>
<p>É fundador e coordenador do Núcleo de Estudos sobre Comportamento, Cognição e Ensino, apoiado pelo Programa de Apoio a Núcleos de Excelência (Pronex), de 1998 a 2004. Coordenador do Programa de Ciência Translacional do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia sobre Comportamento, Cognição e Ensino e membro do conselho editorial do Journal of Applied Behavior Analysis e do The Psychological Record (fonte).</p>
<p><em><br />
</em></p>
<p><em>1 – Olá Júlio. Para começar, gostaria de falar um pouquinho sobre a educação. Embora a Análise do Comportamento apresente excelentes resultados no ensino de pessoas com desenvolvimento típico e atípico, ela não é muito usada e nem muito conhecida pelos profissionais da educação. Por que isto acontece? Como contornar este quadro? </em></p>
<p>Bom! Para começar, temos que saber que a Análise do Comportamento não é muito utilizada no Brasil, na área da educação. No exterior – Estados Unidos, Europa e no Oriente também -, a Análise do Comportamento tem sido muito utilizada no ensino de crianças com desenvolvimento atípico, especialmente com autismo. Então há um uso intenso da abordagem para isto. Isto porque já é bastante reconhecido que a abordagem produz grandes resultados para a intervenção com estas pessoas. E há, inclusive, bastante recursos para intervenção com crianças com autismo. Então isto tem produzido uma grande expansão da Análise do Comportamento no campo da educação. O desafio da Análise do Comportamento, então, é ser aplicada também para o ensino de crianças com desenvolvimento típico. Aí sim, há uma resistência maior. Existem experiências em escolas que a aplicam nos Estados Unidos. Até no Brasil já existe uma.</p>
<p>A gente tem dificuldade de se comunicar em uma linguagem mais inteligível para pessoas que não são Analistas do Comportamento. Acho que isto dificulta muito o diálogo com educadores. Além disso, os educadores tem uma visão em parte equivocada sobre a Análise do Comportamento. Acreditam que ela é uma abordagem mecanicista, reducionista, etc. Isto também é uma barreira para a comunicação com educadores.</p>
<p>A gente ainda não desenvolveu estratégias eficazes para superar estas dificuldades. A forma de apresentar o que a gente faz, ao invés de dissipar estas impressões dos educadores, às vezes a reforça. Então eles até podem achar: “Ah, isto funciona com criança retardada, você condiciona ela e ela melhor. Mas não vem querer condicionar nossos alunos com desenvolvimento típico”. Esta é uma dificuldade que a gente tem.</p>
<p><em>2 – Existe este mesmo problema em relação ao diálogo da Análise do Comportamento com áreas como a Medicina, Filosofia, entre outras?</em></p>
<p>Eu acho que existe um pouco também, devido à linguagem mais hermética do Analistas do Comportamento que dificulta o diálogo com outros profissionais. Em algumas áreas, eu acho que isso tem melhorado. Há uma inserção, também no exterior – mais do que no Brasil – , da Análise do Comportamento na medicina. Também, razoavelmente na Neurociência, tem havido progressos nesta direção. Mas com outras áreas, como Medicina, Antropologia, Ciências Sociais, etc., eu acho que poderia haver muito mais diálogo. Acho que o Analista do Comportamento tem que se preparar para este diálogo, aprendendo a ouvir as outras áreas.</p>
<p>As vezes parece haver um lado entre os Analistas do Comportamento – isto é uma impressão pessoal, não tenho como provar e nem sei se é uma impressão verdadeira – que evita o diálogo e procura mais a interação com os próprios Analistas do Comportamento, que se reforçam mutuamente e o evitam [o diálogo], porque isso leva a ouvir críticas, a ter que ouvir a posição dos outros também. Isto é mais desafiador, mas é um desafio importante: aprender a ouvir as outras posições, dialogar com elas. Também é preciso admitir as limitações da nossa área, do nosso conhecimento. Se a gente parte do pressuposto de que nós sabemos tudo, então pra que dialogar com alguém?</p>
<p><em>3 – O senhor poderia falar um pouquinho destas limitações na área da educação, em que pode ser útil utilizar conhecimento vindo de outras áreas do conhecimento? </em></p>
<p>Sempre é útil. O Skinner, por exemplo, era um pensador e cientista que buscava muito o conhecimento de outras áreas do saber. O que ele rejeitava eram as teorias, as interpretações, as explicações que estas outras áreas davam. Mas ele nunca rejeitava o conhecimento, em termos de dados, fatos que podiam ser aportados por outras áreas que estudaram muitos fenômenos importantes do comportamento.</p>
<p>Eu vejo isto muito claro no campo da antropologia. Tem muita produção interessante de Analistas do Comportamento sobre a questão da cultura, mais recentemente. E acho que isso poderia se enriquecer com o conhecimento produzido pelos antropólogos sobre cultura. Mesmo que a gente rejeite as explicações que são dadas, os dados que eles tem são muito interessantes e desafiam as interpretações comportamentais sobre este fenômeno.</p>
<p>Na questão da educação, não podemos descartar, talvez, elementos interessantes da produção, por exemplo dos Piagetianos ou Vygostkyanos. Talvez de outras abordagens também, mas são estas as que me ocorrem agora.</p>
<p><em>4 – Algumas abordagens da Psicologia produzem bastante sobre arte e em parceria com a arte, como por exemplo, a Psicanálise e a Sócio-Histórica. Pensado agora na Análise do Comportamento, como está este diálogo e produção com a arte?</em></p>
<p>Eu conheço pouco. Tenho visto muitas interpretações de arte, principalmente com base na Psicanálise e muito pouco com base na Análise do Comportamento. Até acho que, talvez, pelo fato de a Psicanálise ser mais metafórica, mais literária, ela seja mais atraente para os estudiosos da arte. Mas eu acho que a Análise do Comportamento tem muito a oferecer. A gente acabou de realizar, agora, uma conferência tentando analisar a criatividade musical à partir de um referencial teórico Comportamental¹. São coisas iniciais, ainda. Muito exploratórias. A gente tem um grande caminho a percorrer por aí.</p>
<p><em>5 – Para finalizar, gostaria que o senhor deixasse algumas dicas para quem se interessa pelo estudo da Análise do Comportamento. </em></p>
<p>Esta é uma pergunta difícil.</p>
<p>A Psicologia, como um todo, é uma disciplina relativamente nova e que lida com questões tremendamente desafiadoras. A mente ou o comportamento humano (para nós, Analistas do Comportamento, o estudo do Comportamento; para os psicólogos, o estudo dos processos mentais), seja para qual formulação teórica for, são assuntos tremendamente desafiadores sobre os quais ainda se sabe muito pouco. Então, minha primeira dica, é estar disposto a lidar com o desconhecido.</p>
<p>A Análise do Comportamento tem métodos que permitem fazer perguntas e caminhar na produção de respostas. Ela não tem respostas prontas sobre todos os processos e fenômenos comportamentais, mas tem métodos e maneiras de formular perguntas que podem levar a respostas produtivas.</p>
<p>Acho que é importante, também, a gente ter claro que a Análise do Comportamento é um caminho para as descobertas que nós ainda não não chegamos. Ela não é uma doutrina que dá todas as respostas para as nossas questões sobre comportamento, mas nos diz as maneiras mais produtivas de formular as perguntas e métodos com os quais se pode chegar às respostas.</p>
<p>Eu conheço pouco. Tenho visto muitas interpretações de arte, principalmente com base na Psicanálise e muito pouco com base na Análise do Comportamento. Até acho que, talvez, pelo fato de a Psicanálise ser mais metafórica, mais literária, ela seja mais atraente para os estudiosos da arte. Mas eu acho que a Análise do Comportamento tem muito a oferecer. A gente acabou de realizar, agora, uma conferência tentando analisar a criatividade musical à partir de um referencial teórico Comportamental¹. São coisas iniciais, ainda. Muito exploratórias. A gente tem um grande caminho a percorrer por aí</p>


<p>Related posts:<ol><li><a href='http://www.psicologiaeciencia.com.br/entrevista-roosevelt-starling/' rel='bookmark' title='Permanent Link: Entrevista: Roosevelt Starling'>Entrevista: Roosevelt Starling</a> <small>O Professor Roosevelt Starling concedeu uma entrevista ao blog ["Comporte-se"],...</small></li></ol></p>]]></content:encoded>
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		<title>Entrevista: Roosevelt Starling</title>
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		<pubDate>Tue, 03 Aug 2010 01:20:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>

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		<description><![CDATA[O Professor Roosevelt Starling concedeu uma entrevista ao blog ["Comporte-se"], na qual fala sobre sua história, e sobre aspectos históricos e políticos da Análise do Comportamento. As respostas podem ser conferidas na íntegra, também aqui, no Psicologia e Ciência.

1 &#8211; Olá Dr. Starling. Primeiro gostaria de saber um pouco de sua história. Em breves linhas, [...]


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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: left;">O Professor Roosevelt Starling concedeu uma entrevista ao blog <a href="http://www.comportese.com/2010/08/normal-0-21-false-false-false-pt-br-x.html">["Comporte-se"]</a>, na qual fala sobre sua história, e sobre aspectos históricos e políticos da Análise do Comportamento. As respostas podem ser conferidas na íntegra, também aqui, no Psicologia e Ciência.</p>
<p style="text-align: left;"><img class="aligncenter" src="http://4.bp.blogspot.com/_IQwIjoYpkBc/TFb9QKj_YuI/AAAAAAAAAac/F69Dwpytl4k/s1600/roosevelt.JPG" alt="" width="325" height="413" /></p>
<p>1 &#8211; Olá Dr. Starling. Primeiro gostaria de saber um pouco de sua história. Em breves linhas, o que te levou à Psicologia e, posteriormente, ao Behaviorismo?</p>
<p>Quando me interessei pela clínica psicológica &#8211; o curso de psicologia foi uma decorrência disso &#8211; já havia cursado duas graduações e encaminhava a terceira. As contingências e suas vicissitudes, parafraseemos, encaminharam meus interesses primeiro para a Física e, a seguir, para a Economia. Contudo, a densidade de reforçamento que uma e outra produziram não foi suficiente para manter minhas respostas cá e, depois, lá. Permanecia incomodado. Em retrospectiva, parece-me que o catalisador da escolha que me conduziu ao curso de psicologia foi a minha terapia pessoal, que então se encaminhava para a sua conclusão. Filho, sobrinho e primo de médicos, havia desde sempre vivido num ambiente de médicos e de hospitais e a minha história de reforçamento apontava o ofício de &#8220;curandeiro&#8221;, aqui na melhor acepção da palavra, como algo desejável.   Minha própria terapia psicológica deu-me o modelo do tipo de &#8220;curandeiro&#8221; que desejava ser e o caminho mais rápido para ele não era a medicina, mas sim a psicologia. Na época, tinha ainda menos clareza do que hoje de que &#8220;rápido&#8221; e &#8220;melhor&#8221; podem conduzir a resultados bem diferentes&#8230;</p>
<p>Não foi exatamente o behaviorismo que me atraiu, mas sim a Análise do Comportamento. Tanto quanto posso me dar conta, este interesse se deu principalmente por dois acontecimentos acidentais superpostos ao pano de fundo de duas histórias incidentais que, creio, haviam deixado prontos os alicerces históricos para que a exposição a um projeto naturalístico para a psicologia de pronto ganhasse a minha atenção. O primeiro deles foi a descoberta e a leitura de um livro encontrado ao bisbilhotar o acervo da biblioteca da PUC-MG, onde cursava economia. Era o &#8220;Principles of Psychology&#8221;, de Fred S. Keller (1899-1996) e William N. Schoenfeld (1915-1996). O segundo foi ter conhecido e me aproximado do Prof. Oyama A. Ramalho, dono de extenso conhecimento da obra de B. F. Skinner (1904-1990) e de uma arguta percepção das implicações dela, sobretudo para a educação, mas que, por circunstâncias históricas e contingências pessoais, é virtualmente desconhecido em nossa comunidade.</p>
<p>Incidentalmente, eu havia sido criado sob a influência de duas pessoas com forte repertório experimentalista e empiricista, meu avô paterno e meu pai, embora pense que ambos ficariam surpresos se isso lhes fosse dito. Finalmente, a primeira graduação que eu cursei, ainda muito jovem, foi em Física, bacharelado, um curso que não promoveu em seus estudantes uma visão naturalística do mundo &#8211; exceto no âmbito restrito dos fenômenos do seu interesse &#8211; mas que instalou um repertório rigoroso quanto à natureza das demonstrações aceitáveis como verdade científica.</p>
<p>Imerso numa dieta de puro mentalismo, que era a dos cursos de psicologia da época, fiquei interessado na conversa daqueles Keller e Schoenfeld e fiquei interessado na conversa do Prof. Oyama. Maravilha: pareceu-me que ali estava uma psicologia que eu podia, literalmente, pegar com as minhas próprias mãos; ali estava uma psicologia que não me exigia fé, mas sim verificação.  E, é claro, ali estava uma psicologia que se  alinhava à minha história de reforçamento. O preço que paguei junto aos professores e colegas da época por tais interesses heréticos e excêntricos é uma lição da história.</p>
<p>2 &#8211; Qual a sua visão sobre a psicologia no Brasil hoje e quais as perspectivas de futuro dela enquanto ciência e profissão? E a Análise do Comportamento, como se situa neste contexto?</p>
<p>Esta e as demais perguntas desta entrevista abordam temas polêmicos e complexos e algumas delas contêm, de fato, duas perguntas em cada formulação.  Dessa forma, não posso esperar senão produzir respostas sinópticas, que por certo falharão em expor e examinar facetas igualmente relevantes dos temas que comentarei, para não falar de uma justa apreciação do contraditório que, comumente, está presente em contingências complexas, nas quais várias respostas, até mesmo respostas contrapositivas umas em relação às outras, podem produzir reforçamento. Supondo que este texto mereça alguma atenção caberá ao leitor, como sempre, suprir essas carências com a sua própria produção verbal.</p>
<p>Como eu vejo, o rótulo &#8220;psicologia&#8221; é um rótulo basicamente histórico e hoje se mantém principalmente por interesses de ordem político-institucional. Formalmente, Wilhelm M. Wundt (1832 &#8211; 1920) fundou na Universidade de Leipzig, entre 1875 e 1879, uma linha de investigações à qual denominou &#8220;psicologia experimental&#8221;, a primeira do seu tipo. Diferenciava-se, assim, da filosofia, até então o domínio disciplinar em cujo bojo se desenvolvia as especulações e investigações dos fenômenos psicológicos. Ao longo dos anos, a psicologia foi se tornando progressivamente mais &#8220;cognitiva&#8221; e menos experimental e passou a abrigar sob essa mesma denominação modelos explicativos diversos quanto ao seu objeto de estudo, quanto ao método de investigação utilizado e quanto aos critérios de validação do conhecimento que produziam. Modelos explicativos que têm por objeto de estudo fenômenos diferentes, que os investigam através de métodos diferentes e que validam o conhecimento que produzem por critérios diferentes são, parece óbvio, diferentes. Mais do que diferentes, são por vezes antagônicos no que diz respeito aos supostos pré-analíticos que mantêm e direcionam a teorização, como é o caso da dicotomia dualismo-monismo. São concepções e teorizações que dificilmente conversam produtivamente entre si porque, singelamente, não tem bases comuns sobre as quais possam fazê-lo. Como falar então numa &#8220;ciência psicológica&#8221;, como falamos numa ciência química ou numa ciência biológica? Assim, parece-me que &#8220;psicologia&#8221;, como uma ciência, não existe. Pelo menos não existe no mesmo sentido em que existe uma ciência biológica ou uma ciência física.</p>
<p>Também penso ser difícil conceber a psicologia como uma profissão, pelo menos no sentido em que se concebe uma profissão médica, uma engenharia ou uma advocacia, pois são tantas e tão diversas as práticas consideradas psicológicas, por vezes até mesmo contrapositivas umas em relação às outras, que não se pode por certo saber o que faria um &#8220;psicólogo&#8221; numa dada situação ou função. Na área da ação psicológica clínica, seja suficiente para ilustrar a afirmação acima a legião de terapias minerais, vegetais, animais, espirituais, luminosas, cromáticas, aquosas, fluídicas, energéticas, dançantes, oculares, neurológicas, geométricas, culinárias, corporais, filosóficas, pedagógicas, hipnóticas, sexuais, mórficas, musicais, artísticas e até mesmo perfurantes e ex post-mortem, cada uma com suas visões-de-mundo, teorizações e práticas particulares (além das combinações entre elas), todas oferecidas e defendidas como práticas psicológicas igualmente confiáveis no mercado da saúde. A meu ver, este &#8220;estado da arte&#8221; não é indicativo de uma vigorosa e saudável diversidade e pluralidade, mas sim do caos comum aos momentos iniciais de qualquer empreendimento.</p>
<p>O ilustrado acima é somente parte do problema de se obter uma definição profissional consistente. Há coisa de dois ou três anos, recordo-me, circulou pela internet um texto no qual colegas interessados em aplicações psicológicas nas organizações se manifestavam contra a proposta da definição da psicologia como uma profissão da área da saúde, que a seu ver os excluiria. Penso que lhes assistia a razão, como igualmente assistiria aos colegas que se interessam pela psicologia jurídica, a dos esportes e assim por diante.</p>
<p>Não se sabendo ao certo o que faz um membro de uma dada classe profissional, existiria, ainda assim, uma profissão da qual ele fizesse parte?</p>
<p>Nessa compreensão, parece que o que os psicólogos têm de fato em comum e o que faz de todos eles igualmente &#8220;psicólogos&#8221; é uma regulamentação política comum e uma representação político-institucional comum, que é a autarquia que os insere no ordenamento jurídico vigente.</p>
<p>Contudo, este estado das coisas não me incomoda.Pelo contrário, acho-o instigante. Para melhor compreender essa minha atitude, convido o leitor a um pequeno exercício. O tempo de existência da nossa espécie, o homo sapiens, é estimado em 200.000 anos. Como é difícil apreciar tamanho lapso temporal, façamos então uma equivalência entre 200.000 anos e 1 ano, construindo uma escala temporal homóloga. O leitor é convidado, então, a imaginar que neste um ano, que agora concentra toda a existência da nossa espécie, estamos nos últimos segundos das últimas horas do último dia do mês de dezembro.  Digamos, às 23h59min59s do dia 31 de dezembro do Ano Zero. Nessa nova escala:</p>
<p>·         A humanidade iniciou suas primeiras tentativas de regular o comportamento social através de regras reunidas em códigos, o direito, somente há nove dias e três horas, ou seja, neste primeiro ano, o Ano Zero da humanidade, as bases formais do direito contemporâneo foram lançadas somente na madrugada do dia 24 de dezembro [3.000 AC, no Egito].</p>
<p>·        Começamos a estudar engenharia há oito dias e oito horas, ou seja, na manhã do dia 24 de dezembro [2550 AC, Imhotep, também no Egito].</p>
<p>·         A filosofia começou a ser estudada sistematicamente somente há quatro dias e 6 horas atrás, ou seja, no amanhecer do dia 27 de dezembro [600 AC - Pré-socráticos].</p>
<p>·           Os princípios da medicina contemporânea, há quatro dias e 19 horas, ou seja, na tarde do dia 27 de dezembro [300 AC - Hipócrates].</p>
<p>·         A ciência natural, segundo as regras que hoje utilizamos, somente há 15 horas, ou seja, na manhã do dia 31 de dezembro [1660 DC - Fundação da Royal Society, na Inglaterra] e aprendemos a anestesia cirúrgica somente há sete horas, ou seja, na noite do dia 31 de dezembro [1846 DC, Hospital Geral de Massachusetts, EUA].</p>
<p>·         A psicologia começou a ser estudada somente nas últimas seis horas do último dia do Ano Zero, ou seja, às seis horas da noite do dia 31 de dezembro [1875 DC, Wundt] e começamos a realizar os primeiros estudos sistemáticos da psicoterapia há três horas, ou seja, às nove horas da noite do dia 31 de dezembro [Década 1940-1950 DC].</p>
<p>·         A primeira apresentação formal da Análise do Comportamento ocorreu alguns minutos antes das nove  da noite do dia 31 de dezembro [1938 DC - Publicação do "The Behavior of Organisms", por B. F. Skinner] e a apresentação sistemática dos seus primeiros estudos aplicados somente há duas horas, portanto, aproximadamente às dez da noite do dia 31 de dezembro do Ano Zero [1968 - 1ª edição do Journal of Applied Behavior Analysis, JABA].</p>
<p>O tempo decorrido desde o início e constituição formal da nossa profissão, seis horas somente (ou 135 anos), é muito pequeno, quando comparado ao já decorrido na constituição de profissões mais antigas, como o direito (nove dias e três horas, ou aproximadamente 5.000 anos), a engenharia (oito dias e oito horas, ou aproximadamente 4.500 anos) e a medicina (quatro dias e 19 horas, ou 2.310 anos.). O leitor por certo concordará que se ele iniciasse agora o estudo de um novo campo disciplinar qualquer, após oito dias e oito horas de estudo e reflexão ele teria a obrigação de saber bem mais do que sabia nas primeiras seis horas de estudo.</p>
<p>A história registra para o início dessas profissões, hoje já amadurecidas, problemas semelhantes aos que enfrentamos hoje na psicologia, quais sejam os de firmar nessas comunidades um consenso majoritário quanto à definição do seu objeto de estudo ou campo de ação profissional, os da seleção da sua metodologia investigativa e os dos critérios para a verdade aceitável.  Nessas profissões, hoje já não se discute mais, exceto perifericamente, estes pontos básicos; o momento histórico delas é mais de refinamento conceitual e de desenvolvimento de novas ferramentas de análise e/ou de observação dos seus fenômenos de interesse.</p>
<p>Dessa forma, não me incomoda que, em meros 135 anos, ainda não tenhamos conseguido para a nossa profissão a consistência e o consenso obtidos em alguns milênios para aquelas outras.</p>
<p>Tendo descrito como eu vejo o presente, devo confessar que não faço a menor idéia das perspectivas futuras desse conglomerado como, aliás, é claro, não faço a menor idéia do futuro de uma maneira geral. Minha linguagem para ver o mundo é a da análise do comportamento e, assim sendo, concebo as interações humano-mundo e humano-humano de um ponto de vista probabilístico nas relações imediatas e por demais complexas nas relações temporalmente dilatadas para que se possa antecipá-las. O exercício da futurologia é, no melhor, especulativo e, no pior, delirante. Por mais fascinante intelectualmente que possa ser esse exercício, outros domínios disciplinares parecem-me mais bem equipados para fazê-lo do que o da ciência natural.</p>
<p>Quando considero a Análise do Comportamento, tenho observações mais pontuais, mas, para alguns desses pontos, não tão diferentes.</p>
<p>Há dez ou mais anos publiquei no sexto volume da coletânea &#8220;Sobre Comportamento e Cognição&#8221; um pequeno artigo no qual dizia que, da maneira como nos apresentávamos no meio social mais amplo, o que fazia de um profissional um &#8220;analista do comportamento&#8221; era, essencialmente, a sua declaração dessa asserção. Noutras palavras, falava sobre o que me parecia a necessidade &#8211; ou a desejabilidade &#8211; de se dispor meios para assegurar um mínimo de coesão e consenso na práxis daqueles que se denominam analistas do comportamento, para que se pudesse manter a função discriminativa do construto.</p>
<p>Para aqueles que se submetem ao crivo da comunidade verbal analítico-comportamental, publicando seus trabalhos ou apresentando-os em congressos, o controle exercido pela comunidade sobre essa declaração de afiliação é mais forte. Para aqueles que não o fazem, o controle é de muito pouco a nenhum. Noutras palavras, para esse grupo, é um &#8220;analista de comportamento&#8221; quem assim se declarar.</p>
<p>O problema continua me parecendo relevante, pois será através dos analistas do comportamento com os quais mantiver contato que a comunidade maior avaliará e formará sua opinião dessa abordagem. Na minha área de atuação mais imediata já tomei conhecimento, através de clientes, da existência de vários &#8220;analistas do comportamento&#8221; ou &#8220;terapeutas comportamentais&#8221;, que é como o grande público nos conhece, que nunca vi nos nossos encontros, que não tem trabalho algum publicado e &#8211; assuntando daqui e dali &#8211; cujos professores desconheço, o que é quase uma impossibilidade, dado ao nosso número ainda pequeno. Fiquei sob a impressão de que essas pessoas leram em algum livro ou artigo algumas &#8220;técnicas comportamentais&#8221; e passaram a aplicá-las, tirando daí, presumo, a identidade profissional que declaram. Vi desastres e já precisei investir um bom tempo para reparar os danos.</p>
<p>Estejamos preparados para mais: dissemina-se no Brasil que o &#8220;método&#8221; ABA é o tratamento de eleição para os transtornos invasivos do desenvolvimento e já se vêm &#8220;especialistas&#8221; oferecendo tratamento e &#8220;cursos&#8221;, boa parte somente com o treinamento da graduação ou declarando especializações estranhas à área e atuando sem supervisão analítico-comportamental competente e experiente nessa aplicação tão delicada. Parece que esses, mais agressivos ou menos bem formados, ou as duas coisas, também aprenderam algumas &#8220;técnicas&#8221; e entreviram uma &#8220;oportunidade de mercado&#8221;, lançando-se prematuramente ao seu encalço. O problema é que esta não é uma &#8220;oportunidade de mercado&#8221;, mais sim algo muito mais precioso e conseqüente: uma oportunidade para ampliar o bem-estar de seres humanos reais ou falhar em fazê-lo, comprometendo e desgastando, no processo, a mais efetiva das oportunidades de tratamento que eles têm.</p>
<p>Nos seus aspectos técnicos, a ciência se parece à mágica: depois que o prestidigitador demonstra como faz para tirar o coelho da cartola, a compreensão da técnica é praticamente imediata para o iniciante ou para o leigo culto, o que não quer dizer de maneira alguma que já se possa então executar o número com competência. &#8220;Técnicas&#8221; são, numa analogia, procedimentos relativamente grosseiros de como parafusar ou desparafusar. Desconhecendo quais parafusos se deveria parafusar e quais não, e quando se deveria desparafusá-los e quando não, e em que ordem se deveria desparafusá-los e que pressão se deveria exercer na chave de fenda, por quanto tempo e por que, o palco para o desastre está montado.</p>
<p>O desenvolvimento da Análise do Comportamento no Brasil se deu sob circunstâncias peculiares. A partir de um núcleo original, que não passava de dezenas, praticamente o espaço de uma geração foi cumprido sem que houvesse mudanças expressivas no número de interessados nessa abordagem. Nos últimos 20 anos, em especial nos últimos 10 anos, contingências favoráveis, dentre elas o advento da ABPMC como fator de disseminação e aglutinação, mudou esse panorama, trazendo à abordagem um número expressivo de jovens estudantes e estabelecendo assim, pela primeira vez, o problema da formação. Antes muito poucos, era mais fácil para a comunidade verbal mais refinada modelar nos poucos interessados, um a um, os desempenhos que caracterizariam um falante dessa língua. Hoje, com um número de interessados na casa dos milhares, esta tarefa apresenta desafios bem maiores.</p>
<p>Os colegas americanos tem se preocupado com isso já há alguns anos e a solução que encontraram foi constituir o BACB (Behavior Analysis Certification Board &#8211; http://www.bacb.com/), como uma organização independente das universidades, que certifica, mediante provas e um sistema de educação continuada, o analista do comportamento. Alguns colegas e eu mesmo temos defendido uma solução semelhante, pensando inclusive que esta seria uma função adequada à nossa associação. Dado ao estado ainda incipiente da organização social da prática clínica psicológica, não se pode impedir que alguém autoproclame a afiliação que lhe parecer melhor, como não se pode impedir que alguém, sem a habilitação formal, dirija um automóvel. Mas podem-se certificar aqueles que têm sua habilitação reconhecida pela comunidade dos seus pares, através de uma instituição representativa dela. Isso não protegeria somente os interesses dos praticantes, mas, sobretudo, protegeria o público usuário, permitindo-lhe uma escolha informada.</p>
<p>Outra preocupação que já manifestava no artigo acima citado, diz respeito aos nossos números. Não se sabe por certo quantos somos. A se estimar pelo comparecimento aos nossos encontros nacionais e pela vendagem dos livros da área, somos em torno de 1,5 % da psicologia brasileira. Somos, portanto, a minoria da minoria (já li a estimativa que somos 4% da psicologia norte-americana, outra minoria). Sem um censo, continuaremos sem saber e, não sabendo, fica prejudicado o planejamento para as diversas atividades da área e não se pode saber a taxa de acréscimo/decréscimo do nosso número. No já citado artigo, considerava algumas hipóteses para este estado das coisas e chamava a atenção para a relevância do número de praticantes com relação à produção de reforçamento para novos interessados.</p>
<p>Poucos dentre nós terão a chance de desenvolver sua carreira na academia. Simplesmente, o número de vagas oferecidas é e, tudo indica, continuará sendo, inferior ao número de interessados qualificados. A maioria de nós precisará ganhar o seu pão oferecendo seus serviços no mercado.  Convido o leitor a examinar os editais presentes e passados dos concursos públicos para o provimento do cargo de psicólogo e ele verá que a bibliografia desses concursos é majoritariamente, quando não exclusivamente, mentalista, concentrando-se, ainda, na literatura psicanalítica e, mais recentemente, na literatura de embasamento político-ideológico, que parece ser a principal vertente na qual se desenvolve a psicologia social brasileira.</p>
<p>Cada uma das abordagens principais da psicologia é por si mesma um universo e dominar qualquer uma delas com fluência é tarefa para uma vida. Segue-se que são mínimas as chances de um analista do comportamento dominar em alguns meses, e sem convicção, uma linguagem diferente da sua, equiparando-se, em fluência, a um &#8220;falante nativo&#8221;, digamos assim, uma pessoa que há anos e anos vem se familiarizando com aquela literatura. O resultado prático disso é discriminatório e excludente, no sentido de que as bases teóricas sob as quais se assentam o concurso fazem, na verdade, uma pré-seleção dos candidatos com chances. Num dos editais de concurso que recentemente li, conhecia, mas sem familiaridade, somente um, dos 15 ou mais autores cujas obras compunham o arcabouço teórico das provas que seriam aplicadas. Avalio que as minhas chances pessoais naquele concurso teriam sido praticamente nulas, caso eu desejasse mesmo participar; estaria já excluído, antes mesmo de concorrer. Num concurso para provimento de um cargo público isto é inadmissível, pois se choca com o imperativo constitucional da igualdade de condições aos candidatos.</p>
<p>Não tenho muito interesse por teorias conspiratórias e, assim, não vejo uma ação deliberada por detrás desses fatos. Mais simplesmente, penso que como o mentalismo é a corrente dominante na psicologia brasileira desde sempre (como o é na psicologia ocidental, de maneira geral), são os seus praticantes que estão em posição de formular os programas dos concursos e, ao fazê-lo, o fazem com base no que sabem e no que acreditam. Seja como for, o fato é que isso instala, sim, uma situação de exclusão e, talvez, pior, um círculo vicioso: selecionados somente os daquela linguagem, eles, por sua vez, selecionarão mais do mesmo. No mundo corporativo, como agora se diz, mentalistas selecionarão mentalistas, é claro. Se, por acidente ou boa sorte, um analista do comportamento se encontrar num destes ambientes, provavelmente estará sozinho e sitiado e, nessas condições, o aporte inovador e produtivo que a Análise do Comportamento poderia trazer àquele ambiente estará limitado.</p>
<p>Entristece-me ver pessoas que foram apresentadas à Análise do Comportamento através do meu trabalho às voltas com discursos estranhos às suas convicções e treinamento porque precisam assegurar uma boa oportunidade de trabalho. Frustra-me saber que parte desses, passado algum tempo, estarão falando sobre o comportamento numa linguagem mentalista, porque estarão naquela comunidade verbal e é nas contingências que ela dispõe que precisarão produzir os reforços que necessitam.</p>
<p>Renovo aqui, portanto, o convite que já fiz anos atrás: tenhamos como meta para os próximos dez anos nos tornarmos 10% da psicologia brasileira e nós, os professores da graduação, tenhamos como meta interessarmos e mantermos interessados no estudo e prática da Análise do Comportamento pelo menos 10% dos alunos de cada disciplina da área que ministrarmos. A meta é razoável: numa turma de 20, precisaríamos de somente dois para atendê-la. Se lograrmos este objetivo e se a Análise do Comportamento tiver realmente o potencial produtivo e transformador que julgamos que tem, isso será suficiente para que possamos, enfim, participar com melhores chances do cesto das práticas psicológicas oferecidas à seleção.</p>
<p>Finalmente, se se deseja manter</p>
<p>o projeto original da Análise do Comportamento, o da construção de uma ciência e de uma tecnologia de bases naturalísticas, será sempre necessário fundar o discurso filosófico e teórico-conceitual na produção empírica. Há alguns anos pude acompanhar, numa das nossas listas virtuais, um vigoroso e criativo debate sobre a punição, no qual se ajuntavam elaborados argumentos filosóficos, conceituais, históricos e, sobretudo, ideológicos e nenhum dado empírico, nenhum número. Um bom e culto discurso, bem ao gosto da nossa cultura discursiva e estranha à experimentação, mas nenhuma ciência.</p>
<p>Em que pese ambas serem partes igualmente importantes para o empreendimento científico, existe uma grande diferença entre uma &#8220;boa fala sobre a ciência&#8221; e uma &#8220;boa ciência&#8221;. É a minha esperança que nos movamos sempre da primeira para a segunda, embora, se o propósito for produzir um discurso científico e não um discurso filosófico, a segunda é que pode dar consistência a primeira e deveria, portanto, precedê-la e fundamentá-la.</p>
<p>3 &#8211; Como o senhor vê a aplicação do que vem sendo produzido na pesquisa básica em Análise do Comportamento hoje, no Brasil? Existe um diálogo satisfatório entre os profissionais da pesquisa básica e da pesquisa aplicada?</p>
<p>Ciências naturais básicas tipicamente geram ciências aplicadas. Por exemplo, a medicina é uma aplicação da biologia e de outras ciências básicas afins, tais como a química, assim como a engenharia é uma aplicação da física, da química, da geologia e de outras ciências básicas afins. Estas aplicações constituem conjuntos articulados e interdependentes de processos tecnológicos desenvolvidos com base nos princípios e relações estabelecidas e validadas nas ciências básicas. O caráter mais ou menos científico que possam requerer dependerá, fundamentalmente, da consistência conceitual e metodológica que esses processos tecnológicos guardarem com a ciência ou ciências-mãe, se assim se pode chamá-las.</p>
<p>Na pesquisa básica, o cientista dispõe controles artificiais para reduzir o fenômeno de interesse às suas características essenciais, a fim de estudar, à luz de um ordenamento teórico, suas particularidades básicas. Assim fez Galileu Galilei (1564-1642) com o plano inclinado, para estudar o movimento e assim fez B. F. Skinner (1904-1990) com sua caixa experimental, para estudar o comportamento. Em princípio, suas conclusões estão circunscritas ao contexto especial na qual as produziu e somente no seu âmbito têm validade máxima.</p>
<p>Por sua vez, o cientista aplicado não pode dispor os mesmos controles e delimitações no seu ambiente de investigação e ação profissional que, tipicamente, é o da ocorrência &#8220;natural&#8221; do fenômeno, ou seja, o fenômeno em interação plena com todas as variáveis que podem de alguma forma influenciá-lo. O conhecimento que a sua investigação eventualmente produzirá precisará ser útil neste ambiente não-controlado ou então não será de fato útil.</p>
<p>Nem todas as ciências aplicadas beneficiam-se em igual medida da similaridade estrutural e funcional entre o arranjo que se deu ao fenômeno selecionado para a investigação no contexto da pesquisa básica e a ocorrência do mesmo fenômeno num contexto não-controlado. A medicina e a engenharia, por exemplo, beneficiam-se enormemente da relativa invariância dos seus fenômenos de interesse nos contextos básico e aplicado e/ou da natureza paramétrica da maior parte deles.  A Análise do Comportamento, por sua vez, precisa operar num universo muito menos consistente do que o do universo inanimado, de vez que grande parte dos fenômenos do seu interesse tem componentes sócio-verbais e são, no geral, de natureza não-paramétrica.</p>
<p>Mais criticamente na ciência do comportamento e nas aplicações dela derivadas, a questão do nível de mensuração atingido num e noutro contexto (o básico e o aplicado) é de especial importância. O que de fato se pode medir é tempo e espaço, ou seja, os registros do relógio e do metro e mais nada. Raramente essas dimensões físicas estão inequivocamente acessíveis à mensuração do investigador aplicado.</p>
<p>Dessa forma, os inúmeros problemas que típica e recorrentemente presidem a transposição dos achados da pesquisa básica para a aplicação e as dificuldades históricas e recorrentes de comunicação entre estes dois campos de interesse são ampliados para o estudioso do comportamento e as ligações entre o quadro conceitual mais preciso, nascido da interpretação dos dados obtidos no contexto básico, e a sua aplicação, podem ser bastante tênues. Por vezes, parece que tudo que se pode fazer é sobrepor essa grade conceitual formal ao fenômeno aplicado, inferindo, por analogia (e não por homologia) relações que podem ou não estarem presentes. Nessas condições, têm-se explicações verossímeis, mas não necessariamente verdadeiras.</p>
<p>Reconhecida essa problemática, uma discussão potencialmente mais produtiva a empreender pode ser a delimitação das reais possibilidades de diálogo que estes dois campos de interesse podem ter, tendo como ponto de partida o reconhecimento mútuo dos seus propósitos imediatos diferenciados, dos seus respectivos  pontos fortes e pontos fracos e das limitações inerentes aos seus contextos específicos de ação. O fato é que, tomados por si mesmos, dificilmente cada um deles poderia atender, com integridade, à função social e humana mais plena da tarefa científica: o empreendimento de construir um conhecimento confiável sobre o mundo com a finalidade de agir sobre ele, transformando-o. O primeiro, o da pesquisa básica, por correr o risco de aprisionar-se na torre de marfim da contemplação estéril dos seus próprios feitos e o segundo, o aplicado, pelo risco de produzir folclore no lugar de conhecimento, artesanato no lugar de tecnologia e verossimilhança no lugar de verdade.</p>
<p>Seja como for, penso que o pior rumo para o qual possa se encaminhar esse problema é o da cessação do diálogo, por mais difícil e frustrante que ele possa ser. Nesse particular e como investigador aplicado, expresso sem receio a minha convicção da primazia da pesquisa básica, pois, se é fato que raramente, se alguma vez, o fenômeno se apresentará em seu ambiente &#8220;natural&#8221; com as mesmas características e particularidades com as quais ocorre no ambiente do laboratório, também é fato que ele não desobedecerá,  na sua apresentação não-controlada, as leis básicas que regem a sua ocorrência e que foram expostas no laboratório. Assim, entendo que a pesquisa básica, por si mesma, produzirá conhecimento confiável, venha a  ser este conhecimento aplicado ou não. Por outro lado, sem se apropriar da, e sem incorporar a produção da pesquisa básica, a aplicação ficará privada daquilo que a fundamenta e lhe dá validade científica; poderá até produzir, acidentalmente, técnicas úteis, mas não uma tecnologia.</p>
<p>4 &#8211; Onde, em sua opinião, a Análise do Comportamento tem mostrado melhores resultados e produção científica? Ela deixa a desejar em algum campo? Se sim, a que acha que isto se deve?</p>
<p>A Análise do Comportamento trouxe à humanidade a extraordinária possibilidade de estudar as ações humanas com os mesmos recursos epistemológicos e metodológicos que, utilizados na química, na física e na biologia (e nas suas aplicações), transformaram o mundo em que vivemos e a maneira pela qual vivemos nele.</p>
<p>[E aqui, entre chaves, faço uma digressão. Transformaram o mundo e a nossa maneira de viver nele, mas não  necessariamente - ou não sempre - para melhor, pois "melhor" é um conceito moral, de aplicação política, e sobre a moral e a política a ciência natural, qua ciência natural, não tem como se pronunciar. A ciência natural desenvolve-se como um dos artefatos culturais criados pela humanidade e se mantém, certamente, pelos reforços que tem produzido. O uso que dela se faz e se fará é um problema para a moral e para a política. Neste particular, pode-se estudar a moral e a política, como comportamentos humanos que são, à luz da Análise do Comportamento. No entanto, assim como o conhecimento das particularidades da gravitação não assegura ao cientista que os domina a capacidade de levitar, provavelmente um conhecimento científico naturalístico da moral e da política, ou, mais amplamente, das ações humanas, não assegurará aos seus detentores qualquer superioridade moral e nem lhes garantirá a prática de uma política de qualidade ética superior. A vida humana é por demais rica, plástica e complexa, tudo indica, para ser contida e explicada num subrepertório verbal único. Ainda assim, a ciência natural e a tecnologia dela derivada pode ajudar, e muito, na construção de um mundo melhor. É formidável dispor de antibióticos para as infecções, vacinas para a poliomielite, manejo auto-sustentável das florestas, pontes que não caem, óculos para os dele necessitados, previsão do tempo para a agricultura e a navegação, luz elétrica e água quente encanada, telefones, internet e i-pods, anestesia cirúrgica e chocolate suíço. É igualmente formidável, convenhamos, a possibilidade de se instalar um repertório socialmente desejável através do reforçamento positivo; manejar comportamentos socialmente indesejáveis através da extinção e da oferta de equivalentes funcionais ao invés da punição; aliviar o sofrimento de uma depressão através da ativação comportamental, sentir-se no comando da própria vida desenvolvendo um repertório de autocontrole e amar dispondo, deliberadamente, contingências mútuas positivamente reforçadoras e inclusivas.]</p>
<p>Expondo as reais variáveis das quais a ação humana é função, a Análise do Comportamento ofereceu à humanidade a primeira possibilidade consistente de sermos, cada um de nós, sujeitos da nossa própria história, através da disposição judiciosa, por nós mesmo, das contingências que nos afetam e nos afetarão.</p>
<p>O modelo desenvolvido por nossos pioneiros oferece três sólidas unidades de análise &#8211; o respondente (S-R), o operante (R-Sr) e o operante discriminado (S-R-Sr), que se definem não em termos lógicos ou estruturais, mas em termos do seu relacionamento funcional e, mais importante ainda, são cada uma delas uma descrição de relações entre eventos naturais, entre partes do mundo físico.  Abriu-se, assim, a possibilidade de se atingir um alto nível de mensuração no estudo dos fenômenos psicológicos e, portanto, uma possibilidade real de uma ciência natural das ações humanas. Segue-se, dessa perspectiva, que os resultados de maior potencial produtivo são aqueles que melhor se prestam à verificação empírica e os em que deixam a desejar são aqueles para os quais ainda é difícil obter fundamentação empírica suficiente.</p>
<p>5 &#8211; O que acha da existência de diferentes nomes e modelos de Terapia Comportamental existentes hoje?</p>
<p>Não se pode, é claro, impedir ou controlar o uso da palavra &#8220;comportamental&#8221;, que é uma palavra do léxico português de livre uso por qualquer falante e as práticas verbais de uma dada comunidade, sujeitas às contingências de reforçamento que ela dispõe, não influenciam por necessidade práticas verbais de outra comunidade. O que se pode fazer é, numa comunidade verbal específica, dispor contingências estritamente definidas para o uso de alguns nomes, isto é, contingências que reduzam o número de respostas elegíveis para reforçamento. Porém, mesmo dentro de uma comunidade verbal razoavelmente delimitada, como a analítico-comportamental, por exemplo, variações nas práticas e nas descrições ocorrerão e, até que as especificidades dessas variações sejam recusadas ou se diferenciem notavelmente das práticas e declarações originais, elas provavelmente manterão, com propriedade, o nome comum.</p>
<p>Uma prática comum nas comunidades verbais para aumentar o controle discriminativo de um nome é adicionar mais e mais adjetivos a um substantivo que se deseja manter e que, por suas variações, perdeu, por assim dizer, sua substância. Esse recurso pode ser usado continuadamente, havendo mesmo propostas terapêuticas que adicionam quatro ou mais adjetivos ao substantivo &#8220;terapia&#8221;.</p>
<p>Dar nomes às coisas ou processos é um operante verbal e, como todos os operantes verbais, responde a múltiplas determinações. Por essa plasticidade, um dos mais poderosos e refinados instrumentos de controle do comportamento humano já desenvolvido pela humanidade é a manipulação do comportamento verbal, o que se vê de maneira especial na retórica e na nomeação.</p>
<p>Em parte, o termo &#8220;comportamental&#8221; tateia, de fato, um espectro amplo de práticas e declarações que indicam ter mesmo particularidades comuns de concepção ou de procedimentos e, nesses casos, não se poderia recusar a propriedade do uso do termo.</p>
<p>Em alguns casos, o qualificador &#8220;comportamental&#8221; parece ficar sob controle da concepção teórica ou de parte dela, que aceita o comportamento, por si mesmo, como objeto válido para a intervenção clínica, mas que considera também outras determinações, muitas vezes determinações conceituais ou ficcionais, operando concomitantemente. Além de alguns modelos híbridos, esse é também o caso dos modelos ditos mediacionais.</p>
<p>Noutros casos, fica-se sob a impressão de que o termo &#8220;comportamental&#8221; estaria sob controle de parte das práticas ou procedimentos interventivos utilizados, que foram originalmente desenvolvidos com fundamentação teórica analítico-comportamental, mas que foram apropriados por sua utilidade imediata, despidos da sua fundamentação teórica de origem ou submetidos à outra fundamentação.</p>
<p>Noutros ainda, estes já de elaboração mais individual e compondo aquilo que em filosofia de ciência se chama &#8220;ciência pessoal&#8221;, o termo comportamental indica ser utilizado porque, em retrospectiva, alguma teorização ou prática que já era intuitivamente utilizada naquela aplicação veio a ser, posteriormente, demonstrada ou teorizada com mais consistência pela Análise do Comportamento.</p>
<p>Existem também casos nos quais se fica sob a impressão de que o qualificador &#8220;comportamental&#8221; foi acrescentado a este ou aquele substantivo sob controle de variáveis bem mais prosaicas, como, por exemplo, um interesse de mercado, para diferenciar um &#8220;produto&#8221; que se pretende comercializar em troca de pecúnia ou prestígio, ou na busca de acrescentar reconhecimento social ao &#8220;produto&#8221;; uma singela vaidade pessoal, como para ser o &#8220;criador&#8221; desta ou daquela nova terapia; um uso inconseqüente ou ingênuo da palavra ou, ainda, uma definição da palavra &#8220;comportamental&#8221; diferente daquela que utilizamos.</p>
<p>Seja como for, há inconvenientes na multiplicação de nomes quando estes ficam sob controle total ou parcial  de variáveis estranhas aos aspectos públicos da condição estimuladora ou quando a comunidade verbal dispõe contingências vagamente definidas para o seu uso. Nesse caso, o &#8220;nome&#8221;, na função de estímulo discriminativo, perde sua precisão de orientar o responder e o resultado é ambigüidade de controle. Coloquialmente, o resultado é confusão.</p>
<p>Neste mar de nomes, talvez o que se possa fazer de melhor é especificar qual &#8220;comportamental&#8221; é o &#8220;comportamental&#8221; que se deseja dispor como controle. Eu, por exemplo, descobri recentemente que ainda permaneço, orgulhosamente, como um estudioso e praticante da Terapia Analítico-Comportamental de primeira geração &#8211; vejam só que antigüidade! &#8211; entendendo como tal aquela que insiste em considerar como  categorias de análise somente as relações expostas no laboratório operante, ou seja, as da contingência de três termos, e que insiste em examinar somente os processos básicos (reforçamento, discriminação e generalização) para compreender o fenômeno clínico. E que, além disso, adere ou se esforça por aderir às dimensões propostas por Donald Baer, Montrose Wolf e Todd Risley já no primeiro número do JABA. Aproximei-me das novidades, das assim chamadas &#8220;novas gerações&#8221; de terapia consideradas comportamentais (e continuo me aproximando), mas até o ponto em que me aproximei, ainda não fiquei convencido. Tenho para mim que, até a presente data, o único modelo explicativo produzido pela psicologia que pode permitir a mensuração dos fenômenos psicológicos é o oferecido pela Análise do Comportamento e, sem a possibilidade de mensuração, ainda que potencial, não se pode fazer ciência.  Sem se constituir numa prática científica, a terapia psicológica permanecerá na fase artesanal em que se encontra: bons artesãos &#8211; bons terapeutas &#8211; acumularão um portfólio no qual predominarão sucessos, mas apresentarão também alguns fracassos, e artesões menos hábeis acumularão fracassos, mas terão tido também alguns sucessos. Ambos não saberão com precisão o porquê e a comunidade de referência somente com muita dificuldade poderá ajudá-los.</p>
<p>A palavra &#8220;mensuração&#8221;, quando aplicada à clínica, costuma provocar arrepios. Há aqueles que singelamente recusam &#8211; por escolha teórica, por ideologia ou por posição filosófica &#8211; a comensurabilidade do fenômeno clínico em quaisquer dos seus aspectos e, assim, inevitavelmente prendem a atividade clínica psicológica no terreno do artesanato. Algumas vezes a impressão que se tem é que, para esta visão-de-mundo nas suas formas mais extremadas, o ato de medir tivesse o poder de alterar a natureza daquilo que é medido,tornando-o menos do que é ou diferente do que é. Seria como se, por exemplo, medir a quantidade de açúcar que se põe num alimento pudesse alterar por alguma forma a natureza da doçura enquanto experiência do mundo ou o tornasse o açúcar menos doce ou, ainda, tivesse o poder de transformar o açúcar em alguma outra coisa.</p>
<p>Evidentemente, medir um fenômeno não é esgotar as possibilidades de conhecê-lo nos números que se obtém; medir um fenômeno é uma forma de obter um tipo de conhecimento sobre ele, que permite alguns tipos de ação que não são possíveis sem medidas. Este tipo de conhecimento é parte necessária daquilo que se chama ciência e, ainda que sem números se possa fazer boa filosofia e boa arte, dificilmente se poderia fazer boa ciência. Defendo que esta condenação da prática clínica psicológica ao limbo científico das práticas filosóficas ou artesanais, se assim se pode dizer, não é necessária para que se preservem intactos aspectos mais sutis da rica interação humana cliente-terapeuta (produções e interações sócio-verbais e seus concomitantes emocionais) e do patrimônio representado pela experiência clínica do terapeuta, que constituem, sim, componentes essenciais da tarefa clínica; podem-se mantê-los e até mesmo enriquecê-los logrando, ao mesmo tempo, avançar na direção da construção de uma prática cientifica da clínica.</p>
<p>6 &#8211; Existe atualmente um movimento dos Analistas do Comportamento no sentido de separarem a abordagem da Psicologia? Se sim, e isto de fato acontecesse, quais poderiam ser as conseqüências para a abordagem?</p>
<p>Se a pergunta for reformulada assim: &#8220;Existem atualmente contingências em ação que controlem respostas dos Analistas do Comportamento no sentido de separarem a abordagem da Psicologia?&#8221; minha resposta é um definitivo sim. Há um bom tempo. Aqui, no Brasil, e no exterior.</p>
<p>Periodicamente, o tema ganha relevância na nossa comunidade, quase sempre na informalidade das discussões virtuais. A discussão ganha calor e, anticlimaticamente, desaparece, para logo depois voltar. Essas  contingências tem sido o suficientemente complexas para selecionar respostas antagônicas e o suficientemente poderosas para eliciar fortes respondentes nas discussões. Como analistas do comportamento, sabemos que se um tema é discutido recorrentemente, então é porque as contingências que o governam mantêm-se atuantes. Ignorá-las não as fará desaparecer.</p>
<p>Na prática, essa separação já se dá. Enquanto grupo, nosso contato com o establishment da psicologia, digamos assim, tem sido tipicamente formal e político-institucional. Mantemos nossos próprios encontros (Monoglotas, como devem ser, defendo) e programas de formação pós-graduada, editamos e lemos nossos próprios livros, nossa participação nos fóruns oficiais da psicologia é reduzida e as nossas pesquisas em pouco ou em nada afetam a psicologia mentalista e vice-versa.</p>
<p>Por outro lado, os problemas políticos e institucionais de uma separação formal não se afiguram pequenos. Haveria o problema legal de regulamentar uma nova profissão, o que precisaria ser conduzido através do Congresso Nacional. Haveria o problema da montagem e aprovação de cursos superiores específicos, programas de pós-graduação e linhas de financiamento para nossas pesquisas, para não falar no problema mercadológico de conseguir um número suficiente de interessados para manter tudo isso. Haveria também o problema da construção e disseminação da nova imagem profissional junto à população acadêmica e a população leiga. Em suma, haveria todos os problemas relacionados à construção de uma nova rede de relações políticas, institucionais, burocráticas, acadêmicas, científicas e sócio-culturais.</p>
<p>Permanecendo psicólogos, todos esses problemas estão já historicamente equacionados, ainda que ao preço  de nos constituirmos como uma espécie de enclave monista dentro da psicologia dualista. Algo como falar o basco sem grandes interesses em compreender o árabe, mas morar e viver num país que fala o árabe e não tem grandes interesses em compreender o basco. Essa situação, por sua vez, manterá ativas as propriedades da contingência que controlam o anseio por um caminho próprio para a Análise do Comportamento.</p>
<p>Assim, penso que, por todas essas diferenças e incompatibilidades, a separação formal provavelmente ocorrerá, mais cedo ou mais tarde. Em alguns estados norte-americanos, temos a informação de esta separação já existe como fato legal.</p>
<p>Uma saída potencialmente factível para esse impasse parece-me ser a representada pela proposta da &#8220;behaviologia&#8221; ou &#8220;behaviorologia&#8221; (espero que, um dia, alguém descubra uma palavra melhor do que essas duas), que circulou e circula em alguns grupos de analistas do comportamento norte-americanos. Em poucas  palavras, a &#8220;behaviologia&#8221; é nada mais, nada menos, do que a proposição da constituição de um novo campo disciplinar, uma nova ciência, que integraria numa só comunidade verbal o estudo do grupo de fenômenos atualmente estudados separadamente pela Análise do Comportamento, pelas Neurociências, enquanto investigação do sistema nervoso real e não do sistema nervoso conceitual, e pelos Etólogos clássicos, campos de investigação que já compartilham notáveis semelhanças quanto aos supostos pré-analíticos, quanto à metodologia investigativa e quanto aos critérios de validação do conhecimento. Nessa hipótese, a separação se daria, mas com muito, muito mais substância do que através de uma separação meramente política.</p>
<p>A idéia é instigante e, embora se possa antecipar um longo tempo para a consolidação de uma empreitada como essa, pode valer à pena lançar, desde já, as cabeças de ponte, que mais não seja do que para não matar no nascedouro uma idéia promissora. Esta é uma possibilidade e uma tarefa para os jovens. Vi que alguns dos meus alunos do estágio em Análise do Comportamento que oferecia na graduação, circulavam muito bem e com conforto entre estágios na Análise do Comportamento, na Neurociência e na Etologia. Falavam-me, todos eles, entusiasmados, da complementaridade que julgavam haver nessas diversas experiências. Como professor, observava informalmente o que me parecia uma evolução favorável no repertório científico desses alunos. Quem sabe algum dos jovens leitores dessa entrevista se interesse e procure colegas naquelas outras áreas com a finalidade de desenvolver projetos de pesquisa em comum, idealmente sob a orientação conjunta e dialogada dos seus professores?</p>
<p>7 &#8211; Poderia deixar algumas dicas ou conselhos aos terapeutas Analítico-Comportamentais iniciantes?</p>
<p>O que se pede aqui é que se ofereçam algumas regras. Este é, seguramente, o pedido mais difícil e delicado dessa entrevista. Aí vai a primeira: &#8220;Sempre me ofereça o julgamento de mentes equilibradas, de preferência a leis. Códigos e manuais criam comportamento padronizado. Todo comportamento padronizado tende a prosseguir sem questionamento, acumulando força inercial destrutiva.&#8221; (Frank P. Herbert, 1920-1986).</p>
<p>Para as que se seguem, peço ao leitor que mantenha presente a primeira e que possa discernir o momento de  desconsiderá-las, incluindo, é claro, o momento de desconsiderar a primeira.</p>
<p>Alexander Pope (1688 &#8211; 1744) produziu uma importante regra sobre a aquisição de conhecimento que, numa tradução livre, pode ser redigida assim: &#8220;Um pouco de conhecimento é uma coisa perigosa; beba profundamente, ou nem mesmo prove (&#8230;)&#8221; [A little learning is a dangerous thing; drink deep, or taste not (...)]. A marca distintiva da ciência natural é que ela produz efeitos reais acentuados no mundo real e é por demais perigoso &#8220;ter uma boa idéia&#8221; de como operar uma central nuclear ou saber pilotar um avião &#8220;mais ou menos&#8221;. A Análise do Comportamento obedece às regras do jogo da ciência natural nas suas investigações e conclusões. Assim, dela beba profundamente ou nem mesmo prove.</p>
<p>David Hume (1711-1776) escreveu:</p>
<p>&#8220;Se tomarmos entre as mãos um livro qualquer&#8230; perguntemos: contém ele algum raciocínio abstrato a respeito de quantidade ou número? Não. Contém ele algum raciocínio experimental a respeito da natureza e existência de fato? Não. Então, lancemo-lo ao fogo, porque não poderá conter senão sofisma e ilusão!&#8221;.</p>
<p>No que diz respeito à ciência, sou uma pessoa de imaginação limitada: se algo me é dito e se me pedem que acredite naquilo sem a confirmação dos meus sentidos, não consigo crer.</p>
<p>Finalmente, como um destilado da minha experiência, não se apaixone por uma teoria (ou uma filosofia, ou uma ideologia). Essas abstrações são péssimas amantes. Guarde suas paixões para pessoas.</p>


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		<title>Desenvolvimento infantil: uma leitura comportamental</title>
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		<pubDate>Thu, 27 May 2010 05:51:10 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Neto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Dentro da Psicologia, diversos autores postularam fases ou estágios (ou estádios, como alguns autores colocam) do desenvolvimento; nas quais, cada fase destas, engloba um conjunto de comportamentos, cognições e sentimentos que o indivíduo pode apresentar. Nestes estádios ou fases, geralmente agrupados por 1) estruturas psíquicas da personalidade; 2) estruturas cognitivas ou redes de pensamento possíveis; [...]


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			<content:encoded><![CDATA[<p>Dentro da Psicologia, diversos autores postularam fases ou estágios (ou estádios, como alguns autores colocam) do desenvolvimento; nas quais, cada fase destas, engloba um conjunto de comportamentos, cognições e sentimentos que o indivíduo pode apresentar. Nestes estádios ou fases, geralmente agrupados por 1) estruturas psíquicas da personalidade; 2) estruturas cognitivas ou redes de pensamento possíveis; e, por fim, 3) idade cronológica da pessoa.</p>
<p style="text-align: left;"><img class="aligncenter" src="http://3.bp.blogspot.com/_lVW-QTf4SN0/SYoopvespPI/AAAAAAAAANw/Ik2Fpyk_pF0/s400/crianca-brincando1.jpg" alt="" width="400" height="300" /><br />
A exemplo de autores que teorizam dentro do primeiro tipo de divisão dos estágios do desenvolvimento, podemos citar Freud e Erickson, com suas teorias do desenvolvimento psicossexual e psicossocial, respectivamente. No segundo modelo, o autor mais proeminente talvez seja Piaget, o qual postula sobre os estádios do desenvolvimento cognitivo. Quanto à divisão por idade cronológica, podem ser citados Hurlock e Gesell, os quais se referem ao comportamento dos três anos, comportamento dos quatro anos, e assim por diante.</p>
<p>Bijou e Baer (1980) levantam certas críticas a estes modelos de teoria do desenvolvimento e apresentam a proposta de Kantor, autor interbehaviorista, que explica o desenvolvimento não com base em estruturas da personalidade ou cognitivas, mas no tipo de interação que o indivíduo é capaz de estabelecer com o ambiente. Os autores explicam que embora estas divisões pela idade cronológica ou teorias da personalidade sejam bastantes práticas e objetivas, elas são muito arbitrárias para alguém que deseje realizar um estudo mais detalhado das relações entre períodos sucessivos. Advertem também que interações significativas não ocorrem de maneira sincronizada o bastante para que se fale de comportamentos esperados por cada fase da vida, e que, mais do que esta fase, são as relações que a criança estabelece com seu meio que favorecem ou não o aparecimento de certos tipos de comportamento.</p>
<p>Conforme explicam os autores, ao eliminarmos as teorias que dividem o desenvolvimento pela idade cronológica ou teorias da personalidade, nos resta dividir e delimitar o fim de cada estágio de acordo com dois outros tipos de critérios. O primeiro baseia-se em fatos observáveis, manifestações comportamentais, eventos sociais e maturação biológica. O segundo, por sua vez, divide o desenvolvimento de acordo com o tipo de interação que o indivíduo é capaz de estabelecer com o meio que o cerca. É esta segunda perspectiva a adotada por Kantor.</p>
<p>Bijou e Baer (p. 30) apresentam os três estágios propostos por Kantor. São eles:</p>
<p>1-    Fundamental: “aquele no qual o indivíduo comporta-se como um sistema unificado – um organismo –, mas é bastante limitado pelas suas características orgânicas”. As interações que o indivíduo estabelece nesta fase são basicamente reflexas, e são de certo modo comuns a todos da espécie. Além dos reflexos, são também apresentados movimentos aleatórios, descoordenados, aparentemente desligados ainda de estimulação ambiental e, basicamente, sob controle orgânico. Quando confrontados com o meio, estes movimentos serão modelados de modo a tornarem-se coordenados e adquirirem funções no ambiente. Deste modo, a criança passa a ser capaz de estabelecer outros tipos de interações ao longo do tempo, passando ao próximo estágio.</p>
<p>2-    Básico: A movimentação aleatória e reflexa inicial vai dando lugar a movimentos coordenados, sistemáticos, os quais agem sobre o ambiente com certa finalidade. Torna-se mais independente de seus cuidadores, sendo capaz de executar tarefas cada vez mais complexas. “É nesse momento em que a criança passa por experiências que não são comuns a todas as crianças (&#8230;), e as habilidades e conhecimentos adquiridos na fase anterior – e nesta também &#8211; tornam-se mais elaboradas”, à medida que a criança vai experienciando e explorando o mundo.</p>
<p>3-    Societário: é neste estágio em que a criança começa a se socializar e explorar as regras sociais, instrução formal, elementos culturais e simbólicos cada vez mais complexos. Novamente, esta habilidade vai se desenvolvendo e tornando-se cada vez mais refinada à medida que a criança vai experienciando o mundo.<br />
Bijou e Baer (p. 31) ainda lembram que, em geral, podemos dizer que o primeiro estágio tem início no pré-natal e vai até a idade em que comumente se chama de fim da infância. O segundo estágio, por sua vez, começa neste ponto e vai até a idade escolar ou pré-escolar. Já o terceiro, no qual a criança torna-se um ser social, começa neste ponto e vai até a idade adulta.</p>
<p>Como é possível observar, a divisão em estágios do desenvolvimento se dá, em uma perspectiva comportamental, de acordo com o caráter predominante das interações que o indivíduo estabelece naquele período. Estes marcos são, nas palavras de Bijou e Baer (p.31), simples acidentes sociológicos, e não essências do desenvolvimento. É bastante comum que se observem características de múltiplos estágios em uma criança só, pois um esvai-se no outro à medida que a criança é estimulada.</p>


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		<title>ENTENDA AS MUDANÇAS NO CÓDIGO DE ÉTICA DA MEDICINA</title>
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		<pubDate>Thu, 15 Apr 2010 15:53:59 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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		<category><![CDATA[Código de Ética Médico]]></category>
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		<description><![CDATA[Esequias Caetano de Almeida Neto
A função do código de ética não é normatizar a natureza técnica do trabalho dos profissionais de uma determinada classe; mas, por outro lado, assegurar um padrão de conduta que fortaleça o reconhecimento social daquela categoria; expressando assim, normas que determinam a direção das relações entre os profissionais que a compõe [...]


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			<content:encoded><![CDATA[<p>Esequias Caetano de Almeida Neto</p>
<p>A função do código de ética não é normatizar a natureza técnica do trabalho dos profissionais de uma determinada classe; mas, por outro lado, assegurar um padrão de conduta que fortaleça o reconhecimento social daquela categoria; expressando assim, normas que determinam a direção das relações entre os profissionais que a compõe e destes com a sociedade. Um código de ética deve, portanto, ser pautado no respeito à pessoa humana e em seus direitos fundamentais (1); estando, deste modo, de acordo com a declaração universal dos direitos humanos.</p>
<p>Partindo do princípio acima apresentado, o Conselho Federal de Medicina (CFM) colocou em vigor neste dia 13 de abril de 2010 o Novo Código de Ética da Medicina, o qual, de acordo com o presidente do órgão, tem por objetivo melhorar a relação da classe médica com a população em geral (2). Muitas das mudanças já eram previstas em lei; mas, com a alteração no próprio código, o CFM passar a ter subsídios para que se abram processos éticos dentro do próprio órgão regulamentador da profissão. A penalidade para o profissional que descumprir o que está estabelecido pode chegar, inclusive, à perda do direito de exercer a profissão; se denunciado. Ao final deste artigo, orientarei sobre como agir caso você presencie o descumprimento de alguma das regras do código de ética por parte de um médico ou instituição de saúde.</p>
<p>Dentre as mudanças realizadas, está a proibição de consórcios ou cartões de desconto para procedimentos médicos. Com isto, ficam proibidos aqueles planos de longo prazo para pagamento de cirurgias plásticas, tão comuns hoje em dia (3). Proíbe-se também que os médicos permitam aos pais a escolha do sexo dos bebês em processos de inseminação artificial – aliás, a partir de agora, toda e qualquer manipulação genética é proibida aos médicos, exceto na Terapia Gênica ¹.</p>
<p>Se o objetivo da mudança é melhorar a relação da classe médica com a população, sendo o paciente o grande contemplado pelas mudanças (2), conforme afirma o presidente do CFM, vale compreender um pouco melhor os artigos do código. Neste texto, comentarei as partes mais relevantes para a população usuária do serviço público de saúde, o SUS – não me atendo somente ao que há de novo nele.</p>
<p>Acima já comentei algumas das mudanças realizadas no código de ética da Medicina. Falarei agora de outros artigos relevantes ao usuário da saúde, discutindo o que mudou neles:</p>
<p><strong>É vedado ao médico:</p>
<p>Art. 1º. Causar dano ao paciente, por ação ou omissão, caracterizável como imperícia, imprudência ou negligência</strong></p>
<p>Esta regra já existia no código de ética antigo, mas é bom comentar. O médico não pode, por exemplo, deixar de atender qualquer pessoa, dentro de um hospital, que necessite de cuidados emergenciais (acidentado, infartado, ou que tenha sofrido Acidente Vascular Cerebral – conhecido como derrame, por exemplo), independente de sua especialidade, caso não haja outro médico especialista em exercício no momento.</p>
<p><strong>Art. 8º Afastar-se de suas atividades profissionais, mesmo temporariamente, sem deixar outro médico encarregado de seus pacientes internados ou em estado grave. </strong></p>
<p><strong>Art. 9º Deixar de comparecer a plantão em horário preestabelecido ou abandoná-lo sem a presença de substituto, salvo por justo impedimento.</strong></p>
<p>Um das grandes queixas, principalmente dos usuários do SUS – inclusive estão entre os fatores que motivaram as mudanças no código de ética (3), é a falta de médicos nos plantões. As filas, já enormes, se agravam ainda mais por causa da impontualidade médica.</p>
<p>O código de ética antigo já estabelecia que o médico não pode deixar seu plantão e nem pacientes sob seus cuidados sem assistência. A diferença, agora, é que caso o médico não esteja presente, a instituição na qual ele atende será responsável por substituí-lo. Caso não o faça, o diretor técnico do hospital é quem deverá ser denunciado ao CRM. No caso dos hospitais e postos de saúde da rede pública, caso não seja feita a substituição imediata do médico, quem deverá ser denunciado é o secretário de saúde da cidade. O que não pode, é ficar sem médico.</p>
<p><strong>Art. 11. Receitar, atestar ou emitir laudos de forma secreta ou ilegível, sem a devida identificação de seu número de registro no Conselho Regional de Medicina da sua jurisdição, bem como assinar em branco folhas de receituários, atestados, laudos ou quaisquer outros documentos médicos.</strong></p>
<p>Em tese, o código de ética antigo já proibia o médico de emitir receitas ou laudos de forma ilegível. Existem inúmeros casos de pacientes que tomaram remédio errado porque o farmacêutico não conseguiu compreender o que estava escrito na letra.</p>
<p>O que mudou é que, a partir de agora, o médico é obrigado a informar o número de seu registro profissional no documento que emitir (número de seu CRM). Isto facilita a identificação do médico, em caso de denúncia.</p>
<p><strong>Art. 25. Deixar de denunciar prática de tortura ou de procedimentos degradantes, desumanos ou cruéis, praticá-las, bem como ser conivente com quem as realize ou fornecer meios, instrumentos, substâncias ou conhecimentos que as facilitem.</strong></p>
<p>No código de ética antigo já era previsto que deveria denunciar, caso presenciasse, sinais de tortura ou procedimentos degradantes em seus pacientes. Isto vale, inclusive, se estes sinais forem oriundos de condutas dos familiares do paciente. Por exemplo, se o médico perceber que o marido espanca a esposa, ele tem a obrigação de denunciá-lo. Isto não é opcional. O médico é obrigado a denunciar.</p>
<p><strong>Art. 34. Deixar de informar ao paciente o diagnóstico, o prognóstico, os riscos e os objetivos do tratamento, salvo quando a comunicação direta possa provocar-lhe dano, devendo, nesse caso, fazer a comunicação a seu representante legal.</strong></p>
<p>O código de ética antigo também estabelecia que o médico não pode esconder o diagnóstico, prognóstico ², riscos e objetivos do tratamento a que submete seu paciente. O problema é que, muitas vezes, quando vai explicar ao paciente, ele usa um amontoado de termos técnicos que quem não estudou medicina não compreende. É direito do paciente exigir uma explicação compreensível.  E é dever do médico fornecê-la. Pena é que poucos pacientes exigem.</p>
<p>Além disso, o código de ética médica estabelece também que o médico tem a obrigação de informar seu paciente sobre as condições de trabalho que ponham em risco sua saúde (Art. 12), bem como sobre os determinantes sociais, ambientais ou profissionais de sua doença (Art. 13). Tudo isto, de maneira compreensível. Caso o médico não fale, é direito do paciente perguntar. Caso o paciente se interesse por ler seu prontuário, o médico é obrigado a explicá-lo, do mesmo modo, de maneira compreensível (Art. 88).</p>
<p>² &#8211; prognóstico refere-se à previsão de evolução ou desfecho de uma doença ou caso clínico.</p>
<p><strong>Art. 41. Abreviar a vida do paciente, ainda que a pedido deste ou de seu representante legal. </strong></p>
<p>Esta regra também já existia. Contudo, no novo código, fica estabelecido que o médico deve evitar que pacientes terminais passem por tratamentos longos e desnecessários; ou seja, nos casos em que não há como salvar a vida do paciente, é sugerido que o mesmo seja levado para casa, onde serão ministrados medicamentos para aliviar a dor e para que o paciente passe seus derradeiros momentos ao lado da família, com o menor sofrimento possível. Tudo isto, claro, com o consentimento da família (3).<br />
Além dos artigos comentados, ainda vale lembrar que o médico tem o dever de tratar seu paciente com civilidade e consideração, respeitando sua dignidade (Art. 23); e, além disso, ter seu consentimento ou de seu representante legal para a realização de qualquer tipo de procedimento, salvo em caso de risco iminente de morte (Art. 22).</p>
<p>O médico não pode também revelar o que foi conversado com paciente menor de idade, inclusive a seus pais ou representantes legais, desde que o paciente tenha capacidade de discernimento, salvo quando a não revelação possa acarretar dano ao mesmo (Art. 74).</p>
<p>COMO PROCEDER DIANTE DA FALHA ÉTICA DE UM MÉDICO?</p>
<p>Conforme explica o próprio código de ética, são os Conselhos Regionais de Medicina (CRM’s) os responsáveis pela aplicação das sansões éticas aos profissionais que desrespeitem o código. Deste modo, a conduta correta a se adotar caso diante de uma falha ética cometido pelo profissional médico, é entrar em contato com o Conselho de sua região. Veja bem, o contato é com o CRM, e não com a secretaria de saúde.</p>
<p>No site do <a href="http://www.portalmedico.org.br " class="broken_link" >Conselho Federal de Medicina</a> existe, ao lado esquerdo da tela, um menu  com o título “Serviços à População”. Clicando nele, aparecerão outros sub-menús, dentre os quais, encontra-se o formulário para denúncia do profissional médico, todas as orientações sobre informações necessárias e a conduta a se adotar em caso de denúncia de algum profissional.</p>
<p>Denunciemos os profissionais anti-éticos. Só assim poderemos melhorar a qualidade do nosso serviço de saúde. É burocrático o processo, mas é nossa obrigação contribuir para que sejamos bem atendidos. Ao denunciar um médico anti-ético, estará prestando um bem não só para você e sua família, mas para toda a sociedade. Não seja cúmplice das faltas éticas.</p>
<p>Referências:</p>
<p>(1)    Código de ética do Psicólogo: http://www.psicologo.inf.br/codigo_de_etica_psicologo.asp<br />
(2)    Site Portal Médico – CRM &#8211; Revisão do Código de Ética Médica: http://www.portalmedico.org.br/modificacaocem/include/noticias/mostranoticia.asp?noticiaID=14394<br />
(3)    Jornal A Crítica – Campo Grande: http://www.acritica.net/index.php?conteudo=Noticias&amp;id=11688<br />
(4)    Terapia Gênica: http://www.cib.org.br/apresentacao/terapia_genica_alexandra_zilli_word.pdf<br />
(5)    Site Portal Médico – CRM – Novo código de ética da medicina: http://www.portalmedico.org.br/resolucoes/CFM/2009/1931_2009.htm<br />
(6)    Site Portal Médico – CRM – Código de ética antigo: http://www.portalmedico.org.br/novoportal/index5.asp<br />
(7)    Dicionário Michaelis: http://michaelis.uol.com.br/moderno/portugues/index.php?lingua=portugues-portugues&amp;palavra=progn%F3stico</p>


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		<title>Autismo &#8211; um breve histórico.</title>
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		<pubDate>Fri, 05 Feb 2010 16:00:55 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Neto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[&#8220;&#8230; Imagine chegar em um país onde você não entende a língua e não conhece os costumes – e ninguém entende o que você quer ou precisa. Você, na tentativa de se organizar e entender esse ambiente, provavelmente apresentará comportamentos que os nativos acharão estranhos&#8230;&#8221; (citação retirada do Manual de Treinamento ABA &#8211; Help us [...]


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			<content:encoded><![CDATA[<p><em>&#8220;&#8230; Imagine chegar em um país onde você não entende a língua e não conhece os costumes – e ninguém entende o que você quer ou precisa. Você, na tentativa de se organizar e entender esse ambiente, provavelmente apresentará comportamentos que os nativos acharão estranhos&#8230;&#8221; (citação retirada do Manual de Treinamento ABA &#8211; Help us learn &#8211; Ajude-nos a aprender.)</em></p>
<p>Esta frase pode ser utilizada para compreender a maneira de uma criança portadora do Transtorno de Espectro Autista pensar, sentir e se comportar. Muitos dizem realmente que o autista constrói para sí uma realidade paralela, alheia a nossa, e por viver &#8220;lá dentro&#8221; não consegue se comunicar com os outros que vivem no mundo &#8220;real&#8221;. Será verdade? Vamos resumir aqui um pouco da história do diagnóstico de autismo a partir do texto <em>Abordagem Comportamental do Autismo</em>, de autoria de Alexandre Costa e Silva, diretor de relações públicas da Associação Brasileira de Autismo.</p>
<p>.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://2.bp.blogspot.com/_55anICIekBQ/STUwcRyZrXI/AAAAAAAAAIo/ca1B_AUflyY/s400/autismo.jpg" alt="" width="400" height="299" /></p>
<p style="text-align: center;">.</p>
<p><strong>Breve Histórico</strong>.</p>
<p>.</p>
<p>A palavra &#8220;autismo&#8221; deriva do grego &#8220;autos&#8221;, que significa &#8220;voltar-se para sí mesmo&#8221;. A primeira pessoa a utilizá-la foi o psiquiatra austríaco Eugen Bleuler para se referir a um dos critérios adotados em sua época para a realização de um diagnóstico de Esquizofrenia. Estes critérios, os quais ficaram conhecidos como &#8220;os quatro &#8216;A&#8217;s de Bleuler, são: alucinações, afeto desorganizado, incongruência e autismo. A palavra referia-se a tendência do esquizofrênico de &#8220;ensimesmar-se&#8221;, tornando-se alheio ao mundo social &#8211; fechando-se em seu mundo, como até hoje se acredita sobre o comportamento autista.</p>
<p>Em 1943 o psicólogo norte americano Leo Kanner estudou com mais atenção 11 pacientes com diagnóstico de esquizofrenia. Observou neles, o autismo como característica mais marcante; neste momento, teve origem a expressão &#8220;Distúrbio Autístico do Contato Afetivo&#8221; para se referir a estas crianças. O psicólogo chegou a dizer que as crianças autistas já nasciam assim, dado o fato de que o aparecimento da síndrome era muito precoce. A medida em que foi tendo contato com os pais destas crianças ele foi mudando de opinião. Começou a observar que os pais destas crianças estabeleciam um contato afetivo muito frio com elas, desenvolvendo então o termo &#8220;mãe geladeira&#8221; para referir-se as mães de autistas, que com seu jeito frio e distante de se relacionar com os filhos promoveu neles uma hostilidade inconsciente a qual seria direcionada para situações de demanda social.</p>
<p>As hipóteses de Kanner tiveram forte influência no referencial psicanalítico da síndrome que  pressupunha uma causa emocional ou psicológica para o fenômeno, a qual teve como seus principais precursores os psicanalistas Bruno Bettelheim e Francis Tustin.</p>
<p>Bettelheim, em sua terapêutica, incitava as crianças a baterem, xingarem e morderem em uma estátua que, pelo menos para ele, simbolizava a mãe delas. Tustin, por outro lado, acreditava em uma fase autística do desenvolvimento normal, na qual a criança ainda não tinha aprendido comportamentos sociais e era chamada por ela de fase do afeto materno,  funcionando como uma ponte entre este estado e a vida social. Se a mãe fosse fria e suprimisse este afeto, a criança não conseguiria atravessar esta ponte e entrar na vida social normal, ficando presa na fase autística do desenvolvimento. Em 1960, no entanto, a psicanalista publica um artigo no qual desfaz a idéia da fase autística do desenvolvimento.</p>
<p>Naquela época a busca pelo tratamento psicanalítico era muito intensa. Muitas vezes as crianças passavam por sessões diárias, inclusive no domingo. O preço pago era muito alto. Muitas famílias vendiam seus bens na esperança de que aquele método as ajudasse a corrigir o erro que haviam cometido na criação de seus filhos.</p>
<p>Com o advento da década do cérebro, no entanto, estas idéias começaram a ser deixadas de lado &#8211; além de não estarem satisfazendo as expectativas dos pais. A partir de 1980 foram surgindo novas tecnologias de estudo, as quais permitiam investigação mais minuciosa do funcionamento do cérebro da pessoa com exames como tomografia por emissão de pósitrons ou ressonância magnética. Doenças que anteriormente eram estudadas apenas a partir de uma perspectiva psicodinâmica passaram a ser estudadas de maneiras mais cuidadosas, deixando de lado o cogito cartesiano.</p>
<p>Já na década de 60 o psicólogo Ivar Lovaas e seus métodos analítico comportamentais começaram a ganhar espaço no tratamento da síndrome. Seus resultados apresentavam-se de maneira mais efetiva do que as tradicionais terapias psicodinâmicas. E já naquela época as psicologias comportamentais sofriam forte preconceito por parte dos psicólogos de outras abordagens.  Durante as décadas de 60 e 70 os psicólogos comportamentais eram consultados quase que apenas depois que todas as outras possibilidades haviam se esgotado e o comportamento do autista tornava-se insuportável para os pais e muito danoso para a criança.</p>
<p><strong>E como o autismo é visto hoje?</strong></p>
<p>.</p>
<p>É característico do autista apresentar alguns déficits e excessos comportamentais em diversas áreas, conforme melhor explicado adiante. O grau de comprometimento destes déficits podem variar de uma criança para outra e na mesma criança ao longo do tempo. Por este motivo, a expressão Transtorno do Espectro Autista  tem sido mais utilizada em detrimento da palavra Autista.</p>
<p>Manuais diagnósticos como o DSM &#8211; IV TR e o CID &#8211; 10 caracterizam o autismo como um transtorno pervasivo do desenvolvimento no qual existe comprometimento severo em áreas como: diminuição do contato ocular; dificuldade de mostrar, pegar ou usar objetos; padrões repetitivos e esteriotipados de comportamento; agitação ou torção das mãos ou dedos, movimentos corporais complexos; atraso ou ausência total da fala. A National Society for autistic children o encara como um distúrbio do desenvolvimento que se manifesta de forma incapacitante por toda a vida, aparecendo tipicamente nos três primeiros anos de vida. Define como critérios para diagnóstico do autismo o precoce comprometimento na esfera social e de comunicação.</p>
<p>Este Transtorno Invasivo do Desenvolvimento acomete apenas cinco entre cada dez mil nascidos, ocorre em famílias de todas as configurações raciais, étnicas ou sociais. Gauderer (1993) afirma que maioria das crianças com diagnóstico do Transtorno de Espectro Autista tem fisionomia normal, e sua expressão séria pode passar a idéia, geralmente errada, de inteligência extremada. Apesar da estrutura facial normal, no entanto, estão quase sempre ausentes a expressividade das emoções e receptividade presentes na criança com desenvolvimento típico.</p>
<p style="text-align: left;">Nem sempre o autismo está associado a deficiência mental. Às vezes ele ocorre em crianças com inteligência classificada como normal. O chamado &#8220;déficit intelectual&#8221; é mais intenso nas habilidades verbais e menos evidente em habilidades viso-espaciais. É muito comum, no entanto, crianças com este diagnóstico apresentarem desempenho além do normal em tarefas que exigem apenas atividades mecânicas ou memorização, ao contrário das tarefas nas quais é exigido  algum tipo de abstração, conceituação, sequenciação ou sentido.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>Incidência</strong></p>
<p style="text-align: left;"><strong> </strong>.<br />
Existem várias definições e critérios diagnósticos diferentes do que vem a ser o autismo. Em  decorrência disto, é difícil traçar um nível de incidência confiável, pois conforme variam as definições e critérios diagnósticos, variam também a quantidade de pessoas diagnosticadas. Os índices mais aceitos e divulgados, no entanto, trazem uma média de 5 a 15 casos em cada 10 000 pessoas. Pesquisas epidemiológicas utilizando o DSM &#8211; III-R identificam o dobro deste numero. Quando os criterios medicos são deixados de lado em detrimento dos educacionais, a média aumenta para 21 casos em cada 10 000 pessoas. Quando a síndrome é mais rigorosamente classificada e diagnosticada, entretanto, encontra-se uma prevalência de 2 casos para cada 10 000 pessoas.
</p>
<p style="text-align: left;">Independentemente de qual critério diagnostico seja adotado, sabe-se que pessoas do sexo masculino são em geral mais atingidas. De acordo com o DSM &#8211; IV, ele ocorre três ou quatro vezes mais em meninos do que em meninas. Estas, no entanto, tendem a apresentar limitacões mais severas.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>Algumas hipóteses etiológicas</strong></p>
<p>Embora diversos tipos de alterações neurológicas e/ou genéticas tenham sido descritas como prováveis etiologias do autismo, não há nada comprovado ainda.  O transtorno pode estar diretamente associado a problemas cromossômicos, genéticos, metabólicos, e até mesmo doenças transmitidas ou adquiridas durante a gestação, durante e após o parto. A dificuldade em elaborar um diagnóstico de autismo é grande, quando se pensa que diversas síndromes possuem sintomatologia semelhante.<br />
Uma quantidade de 75 a 80% das crianças com diagnóstico de Transtorno do Espectro Autista apresenta algum tipo de retardo mental, o qual pode estar associado a inúmeros fatores biológicos.</p>
<p style="text-align: left;">Alguns autores, como Gauderer  afirmam que algumas alterações encefálicas em fases críticas do desenvolvimento embrionário podem dar origem a algum tipo de transtorno que se enquadre no diagnóstico de transtorno do espectro autista, mas os exames clínicos que vem sendo realizados não demonstram correlação significativo entre estas alterações e o transtorno.</p>
<p style="text-align: left;">
<p style="text-align: left;"><span style="text-decoration: underline;">Este texto trata-se de um resumo discutido do artigo <em>Abordagem Comportamental do Autismo</em>, de autoria de Alexandre Costa e Silva.</span></p>
<p style="text-align: left;">


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		<title>ABPMC contra o ato médico.</title>
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		<pubDate>Fri, 18 Dec 2009 12:38:27 +0000</pubDate>
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		<description><![CDATA[A equipe Psicologia e Ciência manifesta o apoio a luta contra o Ato Médico, publicando aqui o e-mail enviado pela ABPMC (Associação Brasileira de Psicoterapia e Medicina Comportamental) ao grupo Yahoo COMPORT.
O projeto de lei do Ato Médico (PL nº 7.703/2006) foi aprovado na Câmara e  breve será votado no Senado. Representa um retrocesso, ao [...]


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			<content:encoded><![CDATA[<p>A equipe Psicologia e Ciência manifesta o apoio a luta contra o Ato Médico, publicando aqui o e-mail enviado pela <a href="http://www.abpmc.org.br/">ABPMC</a> (Associação Brasileira de Psicoterapia e Medicina Comportamental) ao grupo <a href="http://br.groups.yahoo.com/group/COMPORT/">Yahoo COMPORT</a>.</p>
<p><em>O projeto de lei do Ato Médico (PL nº 7.703/2006) foi aprovado na Câmara e  breve será votado no Senado. Representa um retrocesso, ao dar a 340 mil médicos a exclusividade de exercer atos privativos de 3 milhões de profissionais da saúde (biomédicos, enfermeiros, farmacêuticos, fisioterapeutas, fonoaudiólogos, nutricionistas, profissionais da educação física, psicólogos, técnicos em radiologia e terapeutas ocupacionais).</em></p>
<p><em>Em especial, ambos os projetos de lei estabelecem que caberia aos médicos o  direito de realizar o diagnóstico das doenças (nosológico) e a prescrição terapêutica (tipo de tratamento).</em></p>
<p><em>Na página do senado está sendo realizada uma <a href="http://www.senado.gov.br/sf/senado/centralderelacionamento/sepop/">enquete a respeito do Ato Médico</a>. Envio o link e vote CONTRA. A quantidade de votos a favor tem aumentado muito. Participem.</em></p>
<p><em>Há ainda uma página para <a href="http://www.atomediconao.com.br/">enviar um email aos senadores de seu Estado</a> solicitando que rejeitem o Projeto de Lei do Ato Médico.</em></p>
<p><em>É rápido e simples. Basta digitar seu nome  e e-mail.</em></p>
<p>Vamos lutar contra o corporativismo.  A equipe Psicologia e Ciência conta com o apoio de seus leitores.</p>
<p>Agradecemos.</p>
<p>Esequias Caetano de Almeida Neto.</p>


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		<title>Sobre o Ato Médico</title>
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		<pubDate>Thu, 12 Nov 2009 15:37:03 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Neto</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Ato Médico]]></category>
		<category><![CDATA[Esquizofrenia]]></category>
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		<description><![CDATA[Há alguns dias eu recebí via e-mail uns slides que discutiam Em que o ato médico vai nos afetar?. Eu gostei bastante da argumentação do autor. Abaixo reproduzo a idéia trazida pelos slides, mas com uma discussão um pouco mais voltada para a questão do campo de trabalho dos profissionais da saúde. Quem quiser ler [...]


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			<content:encoded><![CDATA[<p>Há alguns dias eu recebí via e-mail uns slides que discutiam <em>Em que o ato médico vai nos afetar?. </em>Eu gostei bastante da argumentação do autor. Abaixo reproduzo a idéia trazida pelos slides, mas com uma discussão um pouco mais voltada para a questão do campo de trabalho dos profissionais da saúde. Quem quiser ler os slides na íntegra clique <a href="http://docs.google.com/present/edit?id=0AU0EZCgOA7huZGZiczR4dzNfODRmM21rNG1jbQ&amp;hl=en">aqui</a>.</p>
<p>Como todas as outras leis, a lei do ato médico representa parte de um contexto; e como tal, é fruto do momento histórico, cultural e social de quem a cria. O idealizador da lei tal qual foi criada há alguns anos, é médico &#8211; o que, por sí só, já explica boa parte de sua configuração exclusivista com relação as outras profissões.</p>
<p>Como toda lei, nesta também cabem interpretações.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://www.vestibular.brasilescola.com/arquivos/dbca9234388b3f9efa094380ed986ca3.jpg" alt="" width="299" height="400" /></p>
<p style="text-align: left;">Vou discutir uma parte da lei, a que mais tem causado polêmica.</p>
<p style="text-align: left;">O Art. 4º da lei do ato médico diz:</p>
<p style="text-align: left;">São atividades privativas do médico:<br />
I – formulação do diagnóstico nosológico e respectiva prescrição terapêutica;
</p>
<p style="text-align: left;">Diagnóstico nosológico: definido na própria lei como determinação da doença que acomete o ser humano, aqui definida como interrupção, cessação ou distúrbio da função do corpo, sistema ou órgão, caracterizada por no mínimo 2 (dois) dos seguintes critérios:</p>
<p style="text-align: left;">I – agente etiológico reconhecido;<br />
II – grupo identificável de sinais ou sintomas;<br />
III – alterações anatômicas ou psicopatológicas.
</p>
<p style="text-align: left;">De acordo com a lei, somente o médico passa a ter direito de identificar a doença (ou psicopatologia no caso dos psicólogos) com base em seus sintomas, conforme descrito no  CID 10 e/ou DSM-IV, e de determinar qual deve ser a <span style="text-decoration: underline;">terapêutica adotada</span>. A parte grifada cabe duas interpretações:</p>
<p style="text-align: left;">1 &#8211; Cabe ao médico determinar para qual profissional da saúde aquele paciente deve ser encaminhado, e;</p>
<p style="text-align: left;">2 &#8211; Cabe ao médico prescrever qual a terapêutica a ser adotada pelo outro profissional da saúde.</p>
<p style="text-align: left;">Creio que a lei se refere ao primeiro caso. Embora a formação médica seja bastante generalista, ele não possui o conhecimento específico que o profissional de uma outra área X possui com relação a seu campo de trabalho. De todo modo, os outros profissionais da saúde perdem autonomia à medida em que a lei restringe ao médico o diagnóstico e, por assim dizer, a liberação para que eles atendam algum paciente.</p>
<p style="text-align: left;">Quem aqui trabalha, estuda ou faz estágio em locais onde são os médicos que encaminham os pacientes deve saber a quantidade de diagnósticos errados, orientações comportamentais erradas e prescrições/ combinações farmacológicas erradas dadas por médicos. Não estou dizendo, aliás, que os médicos são todos ruins e que os outros profissionais da saúde são todos bons. O que estou questionando é:  será que o médico possui o conhecimento necessário para determinar quando e talvez como todos os outros profissionais da saúde devam atuar?</p>
<p style="text-align: left;">Aliás, mesmo que os médicos tivessem este conhecimento, será que são tão necessários assim? Cito como exemplo a Esquizofrenia, aquela psicopatologia que acometia o personagem Tarso da novela Caminho das Índias exibida na rede globo,  na qual a pessoa delira, alucina, possui afeto desorganizado, etc.</p>
<p style="text-align: left;">A medicina trata esta doença especialmente com base nos neurolépticos, mas isto é necessário? Não. Várias pesquisas demonstram que não é necessária a intervenção medicamentosa na Esquizofrenia. Onde estão as pesquisas? Deixo duas para quem quiser saber um pouco mais sobre o que estou falando. Quem se interessar por ler mais, sinta-se a vontade para pesquisar as referências citadas nestes dois estudos.</p>
<p style="text-align: left;"><a href="http://docs.google.com/fileview?id=0B00EZCgOA7huOWRlYjA1NGUtM2Q1Zi00Y2U5LWFjZGYtZTUxZDk5Yzk4ZDQw&amp;hl=en">Análise Aplicada e o Comportamento Diagnosticado Esquizofrênico.</a></p>
<p style="text-align: left;"><a href="http://docs.google.com/fileview?id=0B00EZCgOA7huNjg0YzliNGQtZGM1Mi00MTVjLTlkMDgtMDc5MDBiZmJkYTRm&amp;hl=en">Comportamento Verbal e Esquizofrenia: estratégia operante de intervenção.</a></p>
<p style="text-align: left;">Embora seja ultrapassada a idéia de que os remédios tem apenas função paliativa, é verdade que eles não promovem a independência da pessoa quando se trata de psicopatologia. Ele controla a doença, suprime os comportamentos indesejados por quem a trata ou convive com o ela; quando o que se pode fazer é ensiná-la a se comportar de formas mais adaptativas e/ou assumir o controle do próprio comportamento tornando-a assim, possivelmente independente da medicação ou terapia. Quem quiser entender melhor o que estou falando leia as duas pesquisas citadas acima.</p>
<p style="text-align: left;">A prescrição de drogas psicotrópicas, no entanto, é um comportamento muito reforçado pelo fato de que ela facilita o controle do comportamento alvo sem que se realize uma investigação mais cuidadosa das variáveis ambientais que o controlam, o que é mais difícil. Sidman (citado por <a href="http://docs.google.com/fileview?id=0B00EZCgOA7huMWVjOTljZWYtMDdkOC00NGM5LTlhZDctNTJhY2JkZTUzYTY5&amp;hl=en">Santos</a>, 2007) já dizia que elas são um meio de contra-controle muito útil por profissionais incapazes de encontrar estas variáveis de controle do comportamento.</p>
<p style="text-align: left;">Cito a Esquizofrenia como exemplo por ser esta uma das psicopatologias mais desafiadoras da Psiquiatria moderna, mas existem diversas outras tão complexas quanto ela, mas que também não precisam de acompanhamento medicamentoso para o tratamento.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>E com relação a necessidade do aval médico para os outros profissionais atenderem?</strong></p>
<p style="text-align: left;">O que se espera de qualquer profissional com curso superior é que ele conheça sua área de atuação e saiba discriminar se deve ou não intervir alí e a maneira como deve intervir, sem precisar de um aval médico.</p>
<p style="text-align: left;">Ter de passar pela avaliação médica antes de ser atendido por qualquer outro profissional da saúde equivale a:</p>
<p style="text-align: left;">1) dizer que os demais profissionais da saúde não conhecem seu campo de trabalho a ponto de não saberem se alguém precisa ou não de sua assistência;</p>
<p style="text-align: left;">2) não conseguem identificar as alterações ocorridas em seu objeto de trabalho, e;</p>
<p style="text-align: left;">3) não possuem responsabilidade, ética e habilidade para discriminar se alguém precisa ou não ser encaminhado para outro profissional.</p>
<p style="text-align: left;"><strong>Para a população de modo geral, o ato médico significa:</strong></p>
<p style="text-align: left;">1) enfrentar uma fila a mais, no caso do SUS, ou;</p>
<p style="text-align: left;">2) pagar uma consulta a mais, no caso dos atendimentos particulares.</p>
<p style="text-align: left;">Todos sabem como são grandes as filas do SUS. Tem gente que espera meses, ou até anos, para conseguir uma consulta. Imagine agora se todos os pacientes das outras 11 profissões da saúde tivessem antes que passar pelos médicos, como esta fila ia crescer? Se a fila cresce, fica mais difícil ainda conseguir marcar uma consulta.</p>
<p style="text-align: left;">Aqueles que não podem esperar pelas filas do SUS ou preferem pagar um atendimento particular também serão afetados.  A velha lei da oferta e da procura também vale nesta situação. Se todos os pacientes que antes procuravam diretamente a um outro profissional da saúde, a partir de agora terá de passar por uma avaliação médica anterior (afinal, só eles diagnosticam e prescrevem a terapêutica de acordo com esta lei), e os médicos podem tranquilamente aumentar o valor da consulta, já que a procura por eles vai aumentar drasticamente.</p>
<p style="text-align: left;">Nos planos de saúde há um tempo já funciona assim. Todo paciente tem de passar pelo médico para, só então, ser encaminhado a outros profissionais da saúde.</p>
<p style="text-align: left;">A lei já foi aprovada pelos deputados, agora está no senado para votação.</p>
<p style="text-align: left;">E você, o que acha da aprovação da lei do Ato Médico? Se você é contra, envie e-mails para os senadores que representam o seu estado. O endereço deles pode ser encontrado <a href="http://www.senado.gov.br/sf/senadores/senadores_atual.asp?o=3&amp;u=*&amp;p=*">aqui</a>. É o seu bolso que vai pagar pela lei do Ato Médico.</p>
<p style="text-align: left;">- &#8211; -<br />
Autor: Esequias Caetano de Almeida Neto.</p>


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		<title>Como os pais podem contribuir com a vida escolar de seu filho?</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Nov 2009 13:18:42 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Neto</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
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		<category><![CDATA[Educação]]></category>
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O final do ano está chegando. Com ele se intensificam a pressão por boas notas e o nível de estresse em casa; especialmente nos casos onde a criança não teve um bom rendimento no decorrer do ano letivo e está correndo risco de não passar. Muitos pais encontram-se totalmente sem saber o que fazer diante [...]


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			<content:encoded><![CDATA[<p style="text-align: right;">
<p>O final do ano está chegando. Com ele se intensificam a pressão por boas notas e o nível de estresse em casa; especialmente nos casos onde a criança não teve um bom rendimento no decorrer do ano letivo e está correndo risco de não passar. Muitos pais encontram-se totalmente sem saber o que fazer diante das notas baixas e possível desinteresse do filho pela escola. Alguns me procuraram via e-mail e pessoalmente, perguntado se existem algumas dicas que, de algum modo, possam contribuir para um melhor acompanhamento do filho. Não existem fórmulas: cada criança é uma criança. Existem, no entanto, alguns pontos podem contribuir para a melhor manutenção da relação pai X filho. Zoega, Souza e Marinho (2004) apresentam 14 destes pontos. Neste texto eu discuto cada dos pontos apresentados por eles, no entanto, da maneira como acho mais adequada a demanda que me vem sendo apresentada. Peço lincença aos autores (ZOEGA, SOUZA e MARINHO, 2004) para usar a idéia deles.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="http://inescarvalho.blog.br/wp-content/uploads/2009/09/1232388927_pais_estudando_com_o_filho_560x420.jpg" alt="" width="300" height="250" /></p>
<p>Seguem as dicas:</p>
<p><strong>1º &#8211; Tornar explícitos os direitos e deveres do filho: desde pequenas, as crianças devem aprender que direitos e deveres andam sempre juntos. Uns não existem sem os outros.</strong></p>
<p>Existem direitos que, pelo simples fato de existir, toda criança tem &#8211; como por exemplo, o amor e cuidado dos pais. Outros, no entanto, devem ser conquistados à medida em que alguns deveres são cumpridos. Caso a criança não cumpra seu dever, ela perde um direito específico (daqueles conquistados), o qual deve ter sido acertado anteriormente. Por exemplo, os pais estabelecem que a criança deve fazer a tarefa de casa e, somente após isto, ela poderá assistir TV, jogar video-game, etc. Caso a criança não cumpra o dever combinado, ela não poderá, sob nenhuma condição ter acesso a seu direito de jogar video game, ver TV, etc.</p>
<p><strong>2º &#8211; Estabelecer uma rotina organizada: rotina refere-se à definição clara e precisa do horário para a realização de cada atividade. </strong></p>
<p>É importante que os pais conheçam a quantidade e tipo de tarefas da criança para que possam organizar de maneira funcional a sua rotina. Estas informações devem ser coletadas com a própria criança e <span style="text-decoration: underline;">também</span> com seus professores (é importante o contato frequente dos pais com os professores). Quanto maior a clareza e quantidade de dados os pais tiverem a respeito do que a criança precisa fazer, mais fácil fica para organizar a rotina dela.</p>
<p>Os horários para cada tipo de atividade (estudar, jogar, comer, etc) devem ser estabelecidos e seguidos de maneira clara &#8211; hora certa pra brincar, pra comer, pra estudar, etc. Os estudos devem sempre ocupar status de prioridade &#8211; os primeiros da lista, o que diminui as chances da criança estar cansada quando for estudar. É interessante que os horários sejam combinados com a criança, respeitando suas preferências.</p>
<p>É interessante que os pais estabeleçam e sigam uma rotina também para sí. As crianças aprendem com muito mais facilidade através da observação.</p>
<p>Ambas as rotinas podem ser organizadas em um cartaz para consulta sempre que necessário, o qual deve ser fixado em algum cômodo da casa.</p>
<p><strong>3º &#8211; Estabelecer limites.</strong></p>
<p>Existem pesquisas que mostram que maioria dos jovens infratores são oriundos de lares onde: 1) ou a disciplina é relaxada &#8211; isto é, os pais relativizam as regras, não colocam limites; ou 2) os pais são autoritários e agressivos (GOMIDE, 2006). Para viverem em sociedade, no entanto, as crianças devem aprender que existem regras a serem cumpridas &#8211; e este aprendizado começa em casa, no respeito às regras estabelecidas pelos pais. A criança deve aprender, então, que a última palavra é sempre dos pais. Os pais não podem, sob hipótese alguma, permitir que a criança assuma o controle das regras da casa.</p>
<p><strong>4º &#8211; Supervisionar Atividades.</strong></p>
<p><strong> </strong>Quanto mais jovem a criança, maior a necessidade de supervisão de suas atividades. Existem pesquisas que apontam, inclusive, que o progresso na aprendizagem escolar está diretamente ligado a supervisão e organização das tarefas do lar (MATURANA, citado por ZOEGA, SOUZA E MARINHO, 2004). Os pais devem tomar cuidado, no entanto, para não fazerem a tarefa pela criança &#8211; sob pena de ensiná-la a delegar suas próprias obrigações a outros, esquivando-se delas.</p>
<p>Este acompanhamento consiste em verificar se a criança cumpre seus horários, se ela realmente faz o que se propôs a fazer, etc.</p>
<p><strong>5º &#8211; Dosar Adequadamente a Proteção e Incentivo à Independência.</strong></p>
<p><strong> </strong>Tarefa difícil: como saber o quanto uma criança pode ser independente e o quanto os pais ainda precisam tomar as atitudes por ela e protegê-la? A independência deve ser incentivada aos poucos, à medida em que a criança mostra-se capaz. Se os pais não permitem que a criança se exponha a certos desafios, ela jamais vai aprender a lidar com eles.</p>
<p><strong>6º &#8211; Prover um ambiente com recursos e instrumentos para estudar.</strong></p>
<p><strong> </strong>O ambiente adequado para estudo envolve ausência ou quantidade mínima de ruídos, distrações, arejado, iluminado e arejado. O estado físico também é relevante. Se a criança encontra-se cansada, estressada, com sono, com fome, com medo, mais dificilmente aprenderá a matéria e o gosto pelos estudos.<br />
<strong><br />
7º -  Estabelecer Interações Positivas.</strong></p>
<p><strong> </strong>Os castigo é uma estratégia muito usada pelos pais para que uma criança não volte a apresentar um comportamento indesejado. Existem, no entanto, dois aspectos que precisam ser mencionados: 1) fazer com que a criança deixe de se comportar de maneira adequada, não a leva, necessariamente, a aprender a comportar-se de maneira adequada; 2) castigos e punições, em geral, funcionam durante um curto período de tempo. Os pais sabem que, muitas vezes, uma criança volta a apresentar um comportamento punido em uma situação posterior (o que não sabem, é que a probabilidade dela apresentar este comportamento é maior na ausência dos pais &#8211; agentes punitivos).</p>
<p>Deste modo, fica claro que castigos e punições não contribuem para a aprendizagem do comportamento adequado por parte da criança (p.e.: bater nela por que ela está jogando video game ao invés de estudar não necessariamente faz com que ela faça de fato a atividade de casa, ela pode simplesmente fingir que fez para voltar a jogar). Além do mais, fazer com que a criança associe estudar com situações ou coisas desagradáveis pode, a longo prazo, fazer com que ela tenha pouco ou nenhum interesse pelos estudos.</p>
<p>É importante que os pais estabeleçam condições que propiciem &#8211; reforçem, no sentido de tornar  &#8220;agradável&#8221; para a criança &#8211; comportar-se da maneira adequada. Marinho (citado por ZOEGA, SOUZA E MARINHO, 2004) explica que maneiras interessantes de criar estas condições, envolvem acompanhar a criança nos estudos e apresentar recompensas imediadas ao estudar (p.e.: muito bom te ver estudando e poder te ajudar); descrever o comportamento que está sendo reforçado (p.e.: se a criança capricha em alguma coisa, dizer algo como &#8220;muito bom, parabéns pela dedicação); enfim, consequências que tornem o estudo algo agradável. Todo o bom desempenho da criança deve ser elogiado e/ou gratificado, de maneira sincera, o que aumenta as chances de que a criança aprenda a gostar daquilo.</p>
<p>É também necessário que os pais entendam que a princípio, não há como uma criança que não gosta de estudar começar a gostar de repente. É preciso &#8220;construir o gosto&#8221; dela pelos estudos. Ela dificilmente irá gostar naturalmente de estudar. Consequências a longo prazo, como formar-se e ganhar dinheiro, não tem tanto poder sobre um comportamento da criança como consequências imediatas, como ganhar pontos em um jogo de video-game. É mais eficaz se, diante de um elogio feito aos pais por um professor ou uma boa nota em uma prova, os pais convidarem a criança para fazer algo que ela goste e não seja costume da família, especificando por que é que ela está sendo convidada para isto (p.e.: legal, gostei de sua nota. Vamos ao cinema para comemorar?).</p>
<p>Quando se trata de elogio, no entanto, um cuidado deve ser tomado: não é aconselhável que se faça uma crítica ou desafio junto ao elogio. Por exemplo, &#8220;gostei de sua nota, mas vamos ver se melhora, tá?&#8221;. Isto é um elogio seguido de crítica/desafio, o que desvaloriza a nota alta da criança. Fica a sensação de que o pai nunca está satisfeito. Os pais devem procurar ressaltar sempre os aspectos positivos do comportamento da criança e, na medida do possível, não punir aspectos negativos. Por exemplo, um boletim com notas variando entre 10 e 6. É mais proveitoso que, ao invés de punirem a nota 6, os pais elogiem as notas mais altas, como o 10, ou o 9.</p>
<p>Quando o pai vai falar para a criança de sua evolução, é necessário muito cuidado também para não compará-la a outras crianças. A comparação deve sempre ser feita com ela própria, mostrando seus resultados anteriores e os atuais. Se por acaso o rendimento tiver caído, é melhor não comparar.</p>
<p><strong>8º &#8211; demonstrar afeto.</strong></p>
<p><strong> </strong>A disciplina e estabelecimento de limites e regras só são efetivos quando os pais demonstram afeto pelos filhos (ZOEGA, SOUZA E MARINHO, 2004). O afeto pode ser demonstrado através da organização de um tempo para passar com os filhos, fazendo junto a eles coisas que eles gostam e sintam prazer em fazer. É importante também que os pais demonstrem que gostam da criança independente dela obter ou não sucesso na escola. O amor deve ser incondicional.</p>
<p><strong>9º &#8211; modelo adequado de envolvimento com as atividades.</strong></p>
<p><strong> </strong>A criança aprende de maneira mais eficaz quando ela vê alguém fazendo do que quando ela ouve que deve fazer. E para que ela aprenda, aquele comportamento observado deve ser consequenciado com reforço (conforme explicado no tópico 7).</p>
<p>Se os pais demonstram envolvimento e responsabilidade pelos estudos e/ou trabalho, mais provavelmente a criança também apresentará. Se eles apresentam gosto pela leitura e demonstram isto para a criança, mais provavelmente ela mais provavelmente apresentará também.</p>
<p><strong>10º &#8211; promover diálogo.</strong></p>
<p><strong> </strong>Os pais devem ter disponibilidade para ouvir a criança, cuidando para não transformar estes momentos em monólogos onde eles apenas a questionam. Existem inúmeras pesquisas que demonstram que correlação negativa entre confiança da criança nos pais e envolvimento em atividades ilegais (GOMIDE, 2006).</p>
<p><strong>11º &#8211; apresentar nível de exigência compatível com o desenvolvimento da criança.</strong></p>
<p><strong> </strong>De nada adianta cobrar da criança um desempenho o qual ela não possui condições de obter. Isto gera estresse e frustração nos pais e na criança.</p>
<p><strong>12º &#8211; relacionar o teórico com a prática.</strong></p>
<p><strong></strong>Quando os pais valorizam o que a criança aprende e conseguem relacionar aquilo com suas experiências o interesse e aprendizagem da criança são mais efetivos.</p>
<p><strong>13º &#8211; incentivar o brincar e a socialização.</strong></p>
<p><strong></strong>A criança que brinca tem um melhor desenvolvimento cognitivo, emocional e social. O dia da criança não pode se transformar em um fazer tarefas contínuo, devem existir momentos para a diversão &#8211; muitos momentos.</p>
<p><strong>14º &#8211; Interessar-se pela vida do filho.</strong></p>
<p><strong></strong>Os pais devem demonstrar interesse pela vida de seu filho em TODOS os momentos, não apenas quando este apresenta bons resultados. É importante que os pais participem das atividades que a escola do filho promove, acompanhe-o em situações onde ele gostaria de ser acompanhado, etc.</p>
<p style="text-align: right;">Autor: Esequias Caetano de Almeida Neto</p>
<p>Referências:</p>
<p>Gomide, P. I. C. (2006). <em>Inventário de Estilos Parentais. Modelo teórico: manual de aplicação, apuração e interpretação</em>. Petrópolis: Vozes.</p>
<p>Zoega, M. R. S; Souza, S. R; Marinho, M.L. (2004). <a href="http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-166X2004000300009&amp;script=sci_arttext&amp;tlng=en"> <em>Envolvimento dos pais: incentivo a habilidade</em></a></p>
<p><a href="http://www.scielo.br/scielo.php?pid=S0103-166X2004000300009&amp;script=sci_arttext&amp;tlng=en"><em>de estudo em crianças. </em></a>Campinas: Estudos em Psicologia.</p>


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		<title>Watson, Behaviorista Metodológico?</title>
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		<pubDate>Sat, 07 Nov 2009 13:01:40 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Neto</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Watson é caracterizado como Behaviorista Metodológico por muitos autores em Psicologia. Muitos inclusive, atribuem esta caracterização da obra de Watson a Skinner &#8211; coisa que Skinner não faz em nenhum de seus textos.

O livro Princípios Básicos de Análise do Comportamento de Márcio Borges Moreira e Carlos Augusto de Medeiros é um exemplo. Na página 217, [...]


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			<content:encoded><![CDATA[<p>Watson é caracterizado como Behaviorista Metodológico por muitos autores em Psicologia. Muitos inclusive, atribuem esta caracterização da obra de Watson a Skinner &#8211; coisa que Skinner não faz em nenhum de seus textos.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" src="../wp-content/uploads/2009/08/john-b-watson-1-sized-204x300.jpg" alt="" width="204" height="300" /></p>
<p>O livro Princípios Básicos de Análise do Comportamento de Márcio Borges Moreira e Carlos Augusto de Medeiros é um exemplo. Na página 217, parágrafo 2 da edição de 2007, onde é feita uma citação do livro &#8220;Sobre o Behaviorismo&#8221;, os autores colocam um parêntese em uma frase referindo-se ao Behaviorismo Metodológico como o Behaviorismo de Watson. Coloco abaixo a frase:</p>
<p>&#8220;<em>O Behaviorismo Metodológico (de Watson) e algumas versões do positivismo lógico excluíam os acontecimentos privados porque não era possível um acordo público acerca de sua validade</em>&#8221;</p>
<p>O texto de  Strapasson e Carrara (2005), intitulado <em>John B. Watson, Behaviorista Metodológico? </em>apresenta uma discussão muito legal a respeito desta idéia.  Os autores dizem, basicamente, que:</p>
<p>A principal reinvidicação de Watson é sim relativa à restrição da pesquisa aos eventos  publicamente observáveis da atividade humana. Tal reinvidicação nasceu em protesto à psicologia introspeccionista da época que, devido ao seu caráter subjetivo, não poderia ser aceita como científica. Watson em seu manifesto Behaviorista defende a Psicologia Objetiva como única possibilidade desta tornar-se uma ciência, conforme explicam Strapasson e Carrara (2005).</p>
<p>Os autores ainda lembram que esta preocupação com o método (outra coisa que pode ter contribuído para ele ser classificado como Metodológico) é tida como característica definidora de seu Behaviorismo. Em detrimento da importância dada a ele para o método, obviamente sendo possível estudar somente o que é observável, em algumas de suas obras ele deixa uma brecha que muitas vezes passa a idéia da possibilidade de existência de um mundo metafísico &#8211; caracterizando-se assim, um dualista. Como exemplo, cito um trecho de uma obra dele que foi publicada em 1913:</p>
<p>&#8220;“<em>Seria então deixado para a Psicologia um mundo puramente físico, para</em> <em>usar o termo de Yerkes? <span style="text-decoration: underline;">Eu confesso que não sei</span>. Os planos aos quais sou mais</em> <em>favorável para a Psicologia levam praticamente a ignorar a consciência no</em> <em>sentido em que o termo é utilizado pelos psicólogos hoje. Eu tenho  virtualmente</em> <em>negado que esse campo da física é aberto à investigação experimental. Eu não</em> <em>quero ir além nesse problema no presente porque ele leva inevitavelmente para</em> <em>dentro da metafísica</em>”. (Watson, 1913, p. 175, apud. Strapassom  e Carrara, 2005)&#8221;</p>
<p>Porém, conforme explicam, ele não era dualista. Watson diz que atividades como o pensamento, até então não observáveis, ainda viriam a ser. Ele assim, atribuía às condições tecnológicas da época a dificuldade de observá-los;  caracterizando-os como comportamentos &#8211; assim como os publicamente observáveis &#8211; mas que ocorrem em escala tão pequena que só a partir do momento em que houver a tecnologia adequada tornar-se-á possível estudá-los (Strapasson e Carrara, 2005).</p>
<p>O próprio Lanshey, aparentemente o primeiro a usar o termo &#8220;Behaviorismo Metodológico&#8221;, não enquadra Watson deste modo. Watson teria de assumir um mundo mental (metafísico) para ser classificado como Metodológico, e isto Watson não faz, lembram os autores. Ele rejeita a discussão metafísica do mesmo modo que outros cientistas naturais:</p>
<p>“<em>O behaviorista gostaria de fixar a premissa, sem discutir suas muitas implicações metafísicas&#8230; O behaviorista&#8230; desvia seu olhar&#8230; da premissa metafísica e pede apenas para que permitam-no fazer observações sobre o que seu sujeito está fazendo sob dadas condições de estimulação. </em><em style="font-family: arial;"><span style="text-decoration: underline;">No lado metafísico ele pede apenas para ser colocado no mesmo cesto dos outros cientistas</span></em> <span style="text-decoration: underline;"><em style="font-family: arial;">naturais</em></span> <em>.</em>” (Watson, 1920, pp. 93-94, apud. Strapasson &amp; Carrara, 2005, grifo acrescentado)</p>
<p>Conforme discutem Strapasson e Carrara (2005), as características do Behaviorismo Metodológico não se aplicam a Watson à medida que sua proposta se tornaria inviável diante do compromisso epistemológico do BM. Watson dizia que o Behaviorismo deveria ser capaz de explicar toda a atividade Humana; coisa que o BM não admite por ter entre suas premissas (compromisso epistemológico) a idéia de que o mundo divide-se entre um mental e um físico, sendo possível apenas estudar o mundo físico.</p>
<p>Apenas nos primeiros escritos de Watson podem ser encontrados traços do Behaviorismo Metodológico, como em sua obra <em>The battle of behaviorism: An exposition and an exposure</em> (1913). Em outros trabalhos, como o livro  <em>Behaviorism</em> e no artigo <em>Is thinking merely the action of language mechanisms </em>é possível perceber um viés metafísico materialista com algumas tendências revisionistas. No amadurecer de sua obra, no entanto, Watson foi se afastando cada vez mais do que se chama de Behaviorismo Metodológico.</p>
<p>Só para citar, alguns autores mais famosos que de fato podem ser considerados defensores do Behaviorismo Metodológico são Stevens, Spancer e Borin, além de Lanshey.</p>
<p>Compreender o pensamento de Watson é importante, afinal ele é o pai do Behaviorismo. O Rodrigo me disponibilizou uma coletânea de textos sobre ele, dentre os quais, estão os que me referenciei para escrever esta matéria. Estes textos foram usados em um curso a respeito de Watson ministrado na USP em 2008; estou me colocando a disposição para enviá-los a quem tiver interesse. Quem quiser recebê-los, envie um email solicitando para: e.c.neto@hotmail.com</p>
<p>Autor do texto: Esequias Caetano de Almeida Neto.</p>
<p>Artigo Base para a discussão: Strapasson e Carrara (2005). John B. Watson, Behaviorista Metodológico?. Link: http://ojs.c3sl.ufpr.br/ojs2/index.php/psicologia/article/viewFile/9120/9206</p>


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		<title>Conceitos Básicos de AC – Parte 8 – Esquemas de reforço.</title>
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		<pubDate>Tue, 15 Sep 2009 13:38:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Neto</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Beh. Radical]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
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		<category><![CDATA[Análise Experimental do Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Conceitos Básicos de Análise do Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Esquemas de Reforço]]></category>

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		<description><![CDATA[Grande parte de nossas respostas não são reforçadas em 100% das vezes em que são emitidas. Por exemplo, não são todas as vezes em que você liga a sua televisão que você encontra alguma coisa interessante para assistir - o comportamento "ligar a  televisão, neste caso, não é reforçado todas as vezes-, mas mesmo assim você volta a  ligá-la em outra ocasião.


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			<content:encoded><![CDATA[<p>Grande parte de nossas respostas não são reforçadas em 100% das vezes em que são emitidas. Por exemplo, não são todas as vezes em que você liga a sua televisão que você encontra alguma coisa interessante para assistir &#8211; o comportamento &#8220;ligar a  televisão, neste caso, não é reforçado todas as vezes-, mas mesmo assim você volta a  ligá-la em outra ocasião.</p>
<p>Se um comportamento é mantido por reforço, como explicar o fato de que ele volta a ocorrer mesmo não sendo reforçado em todas às vezes?</p>
<p>É aí que entra o que os Analistas do Comportamento chamam de &#8220;Esquemas de reforço&#8221;, conceito que traz consigo a idéia de que não só a apresentação de uma consequência vai alterar a  frequência de ocorrência de uma resposta, mas também, o modo ou esquema em que esta consequência é apresentada irá exercer controle sobre ela.</p>
<p>Na natureza existem diversos esquemas de reforço. Este texto, no entanto, irá se prender apenas aos principais.</p>
<p style="text-align: center;"><img class="aligncenter" title="como-jogar-poker" src="../wp-content/uploads/2009/09/como-jogar-poker-248x300.jpg" alt="como-jogar-poker" width="248" height="300" /></p>
<p><strong>Esquema de Reforço Contínuo (CRF)</strong></p>
<p>No esquema de <strong>Reforço Contínuo </strong>(CRF), todas as respostas &#8211; sem exceção -, são reforçadas. Para compreender melhor, pense naquele namorado apaixonado que realiza todos os pedidos de sua namorada. Ele simplesmente não nega nada a ela. Todas as vezes que o comportamento da namorada&#8221;pedir algo&#8221; é emitido, ele  é reforçado. Este é o esquema de reforço mais adequado para que um determinado comportamento seja modelado.</p>
<p><strong>Esquemas de reforço intermitente.</strong></p>
<p>Agora, imagine um outro casal de namorados em que, nem todos os pedidos da namorada são atendidos pelo rapaz. Ele atender ou não, obedece a alguns critérios, dentre os quais podem estar a quantidade de vezes (insistência) em que a namorada pede, ou o tempo (espera) entre um pedido e o outro. A este esquema, os Analistas do Comportamento chamam de &#8220;Esquema de reforço intermitente&#8221;.</p>
<p>O esquema de reforço intermitente é tido como o mais eficaz na manutenção de respostas já modeladas. Uma de suas principais características, é tornar a resposta mais resistente à extinção; isto é, pode ser emitida mais vezes sem que necessariamente o reforçador tenha de ser apresentado.</p>
<p>Os esquemas de reforço intermitente dividem-se em <strong>Esquemas de Razão</strong> e <strong>Esquemas de Intervalo</strong>. Nos esquemas de razão, a apresentação do reforçador depende da quantidade de vezes em que uma resposta é emitida. Nos esquemas de intervalo, a apresentação do reforçador depende do tempo decorrido entre uma e outra apresentações do reforçador.</p>
<p><strong> </strong></p>
<p><strong>Esquemas de Razão.</strong></p>
<p>Os esquemas de Razão dividem-se em Esquemas de Razão Fixa (FR) e Esquemas de Razão Variada (VR).</p>
<p>Nos esquemas de <strong>Razão</strong> <strong>Fixa (FR),</strong> o organismo deve emitir uma quantidade fixa e invariável de respostas para que o reforçador seja apresentado. A quantidade de respostas <span style="text-decoration: underline;">não varia</span> entre um reforçador e outro.</p>
<p>Pense naquele vendedor de botas de couro que só recebe o seu salário a cada 30 botas vendidas. Antes que ele consiga vender as 30 botas, o seu patrão não lhe paga. Neste caso, temos um esquema de reforço de Razão Fixa (FR = 30), no qual a cada 30 (essa quantidade não varia) botas vendidas o reforçador é apresentado.</p>
<p>Este esquema é caracterizado pela alta taxa de respostas produzidas, uma vez que, como o reforço depende única e exclusivamente do responder do organismo, se ele responder com rapidez, irá produzir reforço também com maior rapidez. Logo após o reforço, o organismo demora um pouco para voltar a responder. Este tempo é chamado <em>pausa após reforço.</em> Esta pausa é atribuída ao fato de que não há produção de reforço imediatamente após um reforçamento anterior, permitindo discriminar de maneira clara que o próximo reforçador não estará disponível imediatamente após a primeira resposta emitida.</p>
<p>No esquema de <strong>Razão Variável</strong> (VR), a quantidade de respostas exigida para a apresentação do reforçador não é fixa. Ela <span style="text-decoration: underline;">varia</span>.</p>
<p>Um cabeleireiro corta cabelos neste esquema. Se ele recebe uma quantia de oito reais por corte, o reforço será contingente ao número de tesouradas que ele dará no cabelo de cada pessoa. No entanto, o número de tesouradas necessárias para cortar o cabelo de cada pessoa varia, o que significa que a razão (quantidade de tesouradas) é variável (VR).</p>
<p>Este esquema é caracterizado por pausas curtas, ou mesmo ausência de pausa após reforço. Isso ocorre porque não há como discriminar se o número de respostas para o próximo reforço é grande ou pequeno, uma vez que é variável. Este esquema é o que produz maiores taxas de respostas, já que exigem um número indeterminado de respostas para a disponibilização do próximo reforço, e por não apresentarem pausas após reforço. Para fazer alguém trabalhar muito e ganhar pouco, este é o esquema mais indicado.</p>
<p><strong>Esquemas de Intervalo.</strong></p>
<p>Nos esquemas de intervalo, a quantidade de respostas emitidas entre a apresentação de um reforçador e outro é irrelevante. Basta que alguma resposta seja emitida, de acordo com o intervalo. O que de fato determina se o reforçador será ou não apresentado, é o tempo decorrido desde a ultima apresentação de reforço.</p>
<p><span style="text-decoration: underline;">Este esquema também se subdivide em Fixo e Variável.</span></p>
<p>No esquema de <strong>Intervalo Fixo</strong> (FI), o período exigido entre a apresentação do último reforçador e a disponibilidade do próximo reforçador é sempre o mesmo. Por exemplo, um atleta em treinamento recebe um beijo de sua namorada a cada 20 minutos de treino. Antes que ele complete os 20 minutos, sob hipótese alguma a sua namorada o beijará. Neste caso, temos um esquema de reforçamento de Intervalo Fixo (FI = 20).</p>
<p>Este é o esquema que produz as menores taxas de respostas. Os motivos pelos quais isso acontece, são 1) não é exigido um número mínimo de respostas para que o reforço seja disponibilizado; ou seja, tanto faz se o organismo responde muito ou pouco. O que importa para que o reforçador seja apresentado, é a resposta ser emitida no momento certo. E, 2) é o esquema que produz as maiores pausas após reforço. A discriminação temporal entre o reforçamento e o não reforçamento é facilitada pela regularidade dos intervalos.</p>
<p>O esquema de <strong>Intervalo Variado</strong> (VI) tem o mesmo raciocínio que o de intervalo fixo, com a diferença de que, no esquema em questão, os intervalos (tempo) entre o último reforçador e a próxima disponibilidade não são os mesmos, ou seja, são variáveis.</p>
<p>Achar uma música agradável no rádio está sob controle deste esquema. De tempos em tempos é possível encontrar, mas nunca se sabe quanto tempo exatamente é preciso ficar procurando pra achar.</p>
<p>Este esquema, apesar de ser um esquema de intervalo, produz um padrão com uma taxa relativamente alta de respostas. Não há como prever quando o próximo reforçador estará disponível. O organismo responderá quase o tempo todo. Caso ele fique muito tempo sem responder, perderá reforços; deste modo, permanecerá respondendo moderadamente o tempo todo.</p>
<p>Esequias Caetano de Almeida Neto.</p>


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