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	<title>Psicologia e Ciência &#187; Robson Brino Faggiani</title>
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		<title>Material para Pais e Profissionais</title>
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		<pubDate>Wed, 16 Jun 2010 16:29:33 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Brino Faggiani</dc:creator>
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A Equipe do site Psicologia e Ciência deu um passo adicional na direção de ajudar pais e profissionais de saúde a lidarem melhor com seus filhos.
O estudante de Psicologia Neto criou, junto com uma equipe da Faculdade de Ciências da Saúde (UNIPAM), orientados pela Profa. Ms. Viviane, uma cartilha que ajuda pais a lidar com [...]


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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft" title="Tratamento" src="http://www.psicologiaeciencia.com.br/tutorialaba/autism_treatment.jpg" alt="" width="240" height="236" /></p>
<p>A Equipe do site Psicologia e Ciência deu um passo adicional na direção de ajudar pais e profissionais de saúde a lidarem melhor com seus filhos.</p>
<p>O estudante de Psicologia Neto criou, junto com uma equipe da Faculdade de Ciências da Saúde (UNIPAM), orientados pela Profa. Ms. Viviane, uma cartilha que ajuda pais a lidar com seus filhos por meio de dicas eficientes. O link: <a href="http://www.psicologiaeciencia.com.br/cartilha_pais.pdf" target="_blank">Cartilha para Pais</a>.</p>
<p>O psicólogo Ms. Robson Faggiani, por sua vez, começou a desenvolver um Tutorial Online para o ensino de Terapia ABA, voltado para profissionais e pais de crianças diagnosticadas com autismo. O link: <a href="http://www.psicologiaeciencia.com.br/tutorialaba" target="_blank">Tutorial ABA</a>.</p>


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		<title>Conceitos básicos de AC &#8211; parte 9 &#8211; Comportamento Verbal &#8211; Definição</title>
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		<pubDate>Tue, 22 Sep 2009 11:33:43 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Brino Faggiani</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
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		<description><![CDATA[O modo como a ‘linguagem’ é definida e estudada na abordagem analítico-comportamental reverte inteiramente as idéias com as quais estamos acostumados e apresenta uma forma prática e científica de investigar a origem, o que mantém e como classificar funcionalmente comportamentos verbais. Não cabe nos objetivos deste texto discutir as críticas aos sistemas tradicionais de entendimento [...]


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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-medium wp-image-1832" title="brasil-330x220-lac-young-people-talking" src="http://www.psicologiaeciencia.com.br/wp-content/uploads/2009/09/brasil-330x220-lac-young-people-talking-300x200.jpg" alt="brasil-330x220-lac-young-people-talking" width="300" height="200" />O modo como a ‘linguagem’ é definida e estudada na abordagem analítico-comportamental reverte inteiramente as idéias com as quais estamos acostumados e apresenta uma forma prática e científica de investigar a origem, o que mantém e como classificar funcionalmente comportamentos verbais. Não cabe nos objetivos deste texto discutir as críticas aos sistemas tradicionais de entendimento da linguagem, portanto, é válido partir direto para o comportamento verbal de acordo com a análise do comportamento.</p>
<p>Dada a extensão do tema, vou dividi-lo em partes. Nesta primeira, vou definir comportamento verbal e comentar algumas de suas implicações. Depois, vou comentar sobre os diferentes tipos de operantes verbais e como eles podem ajudar na prática profissional.</p>
<p>Em consonância com o Behaviorismo Radical, Skinner definiu comportamento verbal como um (1) comportamento operante (2) reforçado pela mediação de um ouvinte (3) especialmente treinado para fazê-lo por uma comunidade verbal.</p>
<p><strong>1 &#8211; Comportamento operante</strong></p>
<p>Definir comportamento verbal como operante significa dizer que a ‘linguagem’ não tem nenhuma propriedade especial: ela é afetada pelo ambiente da mesma forma que qualquer outro comportamento. Essa é uma virada radical na concepção tradicional de linguagem como algo superior ou como uma ferramenta a ser utilizada por aqueles que a dominam. Sendo comportamento, não pode ser utilizada: é a própria ação; e não pode ser superior porque segue os mesmos princípios de qualquer comportamento. Vamos ver algumas implicações disso.</p>
<p>A primeira delas é que temos que analisar cada comportamento verbal isoladamente. Por exemplo, pedir por água não é igual a dizer água diante dela. Cada um desses comportamentos ocorre em um contexto específico e é aprendido separadamente. Pedimos por água controlados pela sede e o reforçador é o próprio líquido. Dizer ‘água’ quando a vemos está sob controle do estímulo água e o reforçamento é generalizado (não está sob controle de algo específico).</p>
<p>Na formulação de Skinner, portanto, a mesma forma verbal “água” pode ter diferentes funções, e ser capaz de falar “água” em um contexto não é sinal de saber falar “água” em todas as situações possíveis. A partir dessa concepção, Skinner criou algumas categorias funcionais para classificar o comportamento verbal (elas serão o assunto do próximo texto).</p>
<p style="text-align: center;"><a href="http://www.psicologiaeciencia.com.br/wp-content/uploads/2009/09/coptoverbal.png" target="_blank"><img class="size-medium wp-image-1833 aligncenter" title="coptoverbal" src="http://www.psicologiaeciencia.com.br/wp-content/uploads/2009/09/coptoverbal-300x172.png" alt="coptoverbal" width="300" height="172" /></a></p>
<p style="text-align: center;">Clique para ampliar</p>
<p>Outra implicação de o comportamento verbal ser operante é o fato de que o repertório de uma pessoa é produto de sua história de reforçamento. O modo como falamos e o quê falamos estão relacionados com os contextos em que fomos ensinados e as respostas que foram reforçadas. Um exemplo: atenção especial a verbalizações de melhora do cliente fazem com que relatos de avanço aumentem, enquanto o aparecimento de queixas diminui. A importância de saber disso é clara: é necessário tomar cuidado para não reforçar somente queixas nem somente melhoras, caso contrário a terapia pode ocorrer de maneira inadequada.</p>
<p><strong>2. Reforçado pela mediação de um ouvinte</strong></p>
<p>Apesar de o comportamento verbal ser operante, ele tem uma especificidade fundamental: é verbal somente o que é reforçado pela mediação de um ouvinte. Ir à cozinha e pegar a água é reforçado pela própria ação de quem se comportou. Pedir por água é reforçado pela ação de alguém que traz a água.</p>
<p>Dada que a especificidade do comportamento verbal é o fato de ele ser mediado, abre-se um grande leque de comportamentos que são considerados verbais pela análise do comportamento. Por exemplo, acenar, piscar o olho, cumprimentar apertando demasiadamente a mão, são comportamentos verbais, pois são reforçados por conta da ação de outra pessoa.</p>
<p>É importante notar que falante e ouvinte são definições funcionais, e não se referem a duas pessoas necessariamente. Assim sendo, uma pessoa pode ser ouvinte de si mesma, reforçando o próprio comportamento. É comum que nos surpreendamos falando conosco mesmo, escrevendo planos em uma agenda ou descrevendo as nossas ações enquanto as executamos.</p>
<p><strong>3. Treinado especialmente para fazê-lo por uma comunidade verbal</strong></p>
<p>Para que possamos dizer que uma pessoa é ouvinte, precisamos estar certos de que ela foi treinada nas especificidades de determinado idioma. Pedir água para um americano poderia não ser reforçado e, portanto, não seria um comportamento verbal. No entanto, pedir “water” resultaria na água. Isso acontece porque a comunidade verbal americana é diferente da brasileira e disso decorre que os falantes e ouvintes dessas comunidades possuem comportamentos verbais próprios.</p>
<p><strong>Síntese</strong></p>
<p>Agora que cada trecho da definição foi apresentado, veja-a novamente: comportamento verbal é um comportamento operante reforçado pela mediação de um ouvinte especialmente treinado para fazê-lo por uma comunidade verbal.</p>
<p>Notem que é uma definição funcional, não fazendo referência a formas específicas de resposta. Uma grande vantagem de se considerar linguagem como comportamento é a possibilidade de analisá-la em suas unidades funcionais e pesquisar maneiras de mudar esse comportamento para o benefício da comunidade. Um terapeuta ou professor experiente podem analisar os comportamentos verbais de seus clientes e alunos, identificando quais assuntos são necessários tratar ou ensinar e que tipo de repertório verbal vale a pena reforçar.</p>
<p>Em seguida, vou descrever os tipos de comportamento verbal e como esse conhecimento pode ser utlizado na prática profissional.</p>
<p>Robson Faggiani</p>


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		<title>Conceitos Básicos de AC &#8211; Parte 7 &#8211; Contexto (Controle de Estímulos)</title>
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		<pubDate>Sat, 12 Sep 2009 19:40:36 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Brino Faggiani</dc:creator>
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		<category><![CDATA[Análise do Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Beh. Radical]]></category>
		<category><![CDATA[Conceitos Básicos de Análise do Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Controle de Estímulos]]></category>
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Compreender a ideia de contexto é um excelente passo para se começar a entender a Psicologia. Nós, psicólogos (sejamos analistas do comportamento ou não) adoramos este conceito. Para ser honesto, a noção de contexto não é querida apenas por psicólogos, mas por todos os cientistas que lidam com aspectos da conduta humana. A paixão pelo [...]


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			<content:encoded><![CDATA[<p><img class="alignleft size-full wp-image-1736" title="alvo" src="http://www.psicologiaeciencia.com.br/wp-content/uploads/2009/09/alvo.jpg" alt="alvo" width="300" /></p>
<p>Compreender a ideia de contexto é um excelente passo para se começar a entender a Psicologia. Nós, psicólogos (sejamos analistas do comportamento ou não) adoramos este conceito. Para ser honesto, a noção de contexto não é querida apenas por psicólogos, mas por todos os cientistas que lidam com aspectos da conduta humana. A paixão pelo termo deriva de um fato muito simples: ele ajuda a tornar clara a complexidade humana.</p>
<p>Dada a amplitude da noção de contexto e sua apropriação por diversas áreas, não cabe neste texto explicar cada um dos seus usos. Ao invés disso, discutirei como contexto é definido e utilizado na análise do comportamento (no entanto, não vou falar sobre cultura).</p>
<p>Vamos começar, então. O primeiro passo é esquecer o nome &#8220;contexto&#8221; e entender o que é &#8220;controle de estímulos&#8221;.</p>
<h2>Controle de Estímulos</h2>
<p>A história começa com pombos e ratos. Acalmem-se, chegaremos até o conceito de atenção. Por enquanto, vamos entender como animais &#8216;inferiores&#8217; podem nos ajudar a compreender comportamentos humanos complexos.</p>
<p>No início dos seus estudos, Skinner colocava ratos e pompos em caixas de condicionamento (popularmente conhecidas como caixas de Skinner). Os animais podiam ganhar alimento ou água caso fizessem alguma coisa que o investigador julgasse bacana. Geralmente, os experimentadores achavam supimpa que os pombos bicassem um disco e os ratos pressionassem uma barra. E assim era. Quando eles emitiam esses comportamentos podiam se regozijar em um delicioso banquete de água e ração. Skinner percebeu que todo comportamento que precedia o banquete ocorria com mais frequência. A relação era relativamente simples: uma resposta (pressionar a barra) produzia um estímulo (o banquete). A comida produzida fortalecia a resposta que a precedia. Esse fenômeno é chamado de reforçamento. Você pode ler sobre ele <a href="http://www.psicologiaeciencia.com.br/conceitos-basicos-da-analise-do-comportamento-parte-5-o-reforcamento/" target="_blank">aqui</a>. Divirta-se.</p>
<p>O conceito de reforçamento abalou a Psicologia. Mas Skinner, que nunca foi um cara distraído, percebeu que havia mais na relação comportamental do que simplesmente o reforço. Ele notou que o contexto (olha ele aí) controlava o comportamento e fez experimentos que demonstraram que isso de fato ocorria. Os experimentos eram muito simples, mas mudaram o mundo dos pombos e ratos. Agora, os animais só podiam desfrutar de seu banquete caso uma luz colorida estivesse acesa. Quando ela estava apagada, os animais não recebiam suas delícias; não importava se dançassem, cantassem ou recitassem Shakespeare, não havia comida com a luz apagada.</p>
<p>Resumindo: com a luz acesa, pressionar a barra produzia água. Com a luz apagada, nada feito. Inicialmente, os animais agiam da mesma forma quer a luz estivesse ligada ou não. No entanto, não demorava muito para que eles passassem a pressionar a barra apenas com a luz acesa. Parecia que os ratos &#8220;sabiam&#8221; que só poderiam mergulhar em ração quando a luz banhasse sua calorosa morada. Skinner assim definiu o ocorrido: &#8220;a luz sinaliza a disponibilidade do reforçador contingente à resposta&#8221;. Traduzindo em palavras mais normais, os estímulos controlam o comportamento por estarem relacionados a eventos reforçadores. Eis uma notação do ocorrido:</p>
<p><em><span style="font-weight: normal;">contexto</span></em><em> &#8211;&gt; </em>resposta<em> &#8211;&gt; <span style="text-decoration: underline;"><span style="font-style: normal;"><span style="font-weight: normal;">resultado</span></span></span></em></p>
<p><em>luz acesa</em> &#8211;&gt; <strong>pressionar a barra</strong> &#8211;&gt; <span style="text-decoration: underline;">luxuoso banquete</span></p>
<p><em>luz apagada</em> &#8211;&gt; <strong>pressionar a barra</strong> &#8211;&gt; <span style="text-decoration: underline;">nada não</span></p>
<p>Diz-se que a resposta de pressionar a barra está sob controle da luz: daí o termo “controle de estímulos”.</p>
<p>Olhando a notação acima, é comum pensar &#8220;até eu que sou mais bobo deixaria de pressionar a barra com a luz apagada&#8221;. Eu não poderia concordar mais. Acontece que essa descoberta simples ajudou a entender o que é a percepção. Vamos a ela?</p>
<h2>Percepção</h2>
<p><img class="alignright size-full wp-image-1737" title="1272437.paquera_ig_estilo_225_300" src="http://www.psicologiaeciencia.com.br/wp-content/uploads/2009/09/1272437.paquera_ig_estilo_225_300.jpg" alt="1272437.paquera_ig_estilo_225_300" width="300" height="225" /></p>
<p>Lá está você, mais jovem, aprendendo o que são garotos(as). Inicialmente, você se comporta &#8220;como uma metralhadora&#8221; e atira seus papos e esforços para todos os lados. Depois de muitas falhas e algumas conquistas, você quase que automaticamente passa a notar um padrão bem claro. As pessoas que te olham e sorriem são aquelas com quem a conversa flui melhor. Com o tempo, sua percepção é aguçada e seus esforços não são mais desperdiçados; seu alvo é claro: a pessoa com sorriso aberto e olhar insinuante. É isso: você percebe os sinais. Já que o rato ganhou uma, eis também para você uma notação do ocorrido:</p>
<p><em>pessoa bacana sorrindo</em> &#8211;&gt; <strong>puxar conversa </strong>&#8211;&gt; <span style="text-decoration: underline;">papo agradável</span> (beijos, até)</p>
<p><em>pessoa bacana séria</em> &#8211;&gt; <strong>puxar conversa</strong> &#8211;&gt; <span style="text-decoration: underline;">tente outra vez</span></p>
<p>Nesse momento, algo deve ficar claríssimo: aprendemos a perceber somente os objetos e eventos relacionados ao que nos é importante de alguma forma. É o que ocorre após a resposta (seu resultado) que produz a percepção. Você não teria aprendido a diferenciar qual o melhor tipo de pessoa para paquerar se não tivesse resultados diferentes em situações diferentes. Foi o papo agradável, no seu caso, e a água, no caso do rato, que tornaram a luz acesa e os sorrisos eventos a serem notados. Se você obtivesse a mesma consequência com pessoas sorridentes e sérias, o sorriso não seria algo notável.</p>
<p>Pense em profissionais de diferentes áreas. Um dermatologista é capaz de dizer muito mais sobre um pedaço da pele do que você. Um psicólogo experiente parece ter uma percepção quase sobrenatural sobre os padrões de comportamento de alguém. Um bom engenheiro pode dizer sobre os pontos fortes e fracos de uma casa apenas observando suas colunas. Os pintores olham para um quadro e são capazes de descrever a direção das pinceladas, a técnica utilizada e o estilo do autor. A percepção aguçada dos bons profissionais é resultado de treino especial para detectar detalhes que outras pessoas não notam; é isso o que os faz especialistas. Mas eu disse que o controle pelo contexto (o controle de estímulos) é estabelecido por sua relação com algo importante. O que os profissionais ganham sabendo se comportar de forma diferente diante de estímulos específicos? Ora, para começar, dinheiro. E, mais importante ainda, sucesso e reconhecimento por algo que fazem bem.</p>
<p>É comum a muitas correntes da Psicologia, e mesmo pessoas leigas, afirmarem que a Percepção é pessoal e moldada pela experiência de cada um. Isso não podia ser mais verdade. Uma árvore é percebida de forma diferente por pessoas distintas. Um lenhador, por exemplo, que aprendeu sobre diferentes tipos de madeira durante sua profissão, provavelmente percebe a árvore em termos financeiros. Um casal de namorados pode perceber a árvore como um espaço romântico para estender uma toalha e dizer palavras de amor. O lenhador e os namorados percebem a árvore de forma diferente, pois ela está relacionada com consequências e respostas distintas para eles.</p>
<p>O exemplo dado acima é satisfatório, mas o comportamento humano é muito mais complexo. O lenhador pode perceber a árvore de forma diferente em contextos diferentes. Quando ele põe sua roupa de trabalho e é pressionado pelo chefe, uma árvore é dinheiro. Por outro lado, se ele está passeando com sua namorada em um parque, uma árvore pode lhe parecer o local perfeito para o amor. Essas aparentes, e falsas, contradições ocorrem porque o comportamento é, geralmente, controlado por muitos estímulos simultaneamente. Eis uma notação do comportamento do lenhador nos dois exemplos dados:</p>
<p><em>no trabalho + árvore</em> &#8211;&gt; <strong>derrubar</strong> &#8211;&gt; <span style="text-decoration: underline;">dinheiro</span></p>
<p><em> com a namorada + árvore</em> &#8211;&gt; <strong>conversar</strong> &#8211;&gt; <span style="text-decoration: underline;">carinhos e palavras de amor</span></p>
<p><img class="alignleft size-medium wp-image-1738" title="SinaisTr_nsitoFeminino" src="http://www.psicologiaeciencia.com.br/wp-content/uploads/2009/09/SinaisTr_nsitoFeminino-300x220.png" alt="SinaisTr_nsitoFeminino" width="300" height="220" />Há algo a ser dito. Vejam como cada contexto controla uma resposta diferente. Por que? Porque se o lenhador levar a namorada para conversar debaixo de uma árvore no meio do trabalho, vai ser mandado embora. Da mesma forma, se derrubar uma árvore no parque quando passeia com a namorada, provavelmente levará um fora. Os diferentes contextos controlam respostas diferentes porque cada contexto está relacionado a um reforçador específico. No caso, ora dinheiro, ora carinho.</p>
<p>Chega de percepção. Como faço para manter a atenção de vocês? Vamos ver!</p>
<h2>Atenção</h2>
<p>Assim como a percepção, a atenção está relacionada a consequências importantes para o comportamento. Vamos ao exemplo que vocês adoram: a paquera. Quando você está em um bar à procura de alguém interessante, você deliberadamente olha para todos os lados procurando o sinal da fortuna: sorrisos. Em outras palavras, você está &#8220;atento&#8221;. Atentar, nesse sentido, nada mais é do que procurar por uma indicação de que algo interessante está disponível. Achar esse sinal é importantíssimo para as pessoas. Para os animais também! O pombo que ganha água quando bica o disco na presença da luz azul e nunca da vermelha, praticamente não se importa quando a luz vermelha aparece. Mas a luz azul é tão interessante para o bichinho que até parece amor. Agora, duvido alguém me contrariar e afirmar que não adora o sorriso de quem se está paquerando.</p>
<p>Outro modo de entender o que é a “atenção” é no caso em que olhamos fixamente para algo (ou nos concentramos em ouvir, saborear, etc). De forma semelhante ao que foi dito anteriormente, essa forma de atentar está sob controle de estímulos relacionados a eventos importantes para nós. Os exemplos são muitos. Alguém que ouve música fica atento a ela porque isso lhe dá prazer. Um segurança olha fixamente para a tela que mostra o exterior do edifício porque caso algo lhe escape ele terá problemas. Prestamos atenção especialmente em alguns textos porque disso depende a nossa boa nota em uma disciplina ou simplesmente porque o texto é prazeroso.</p>
<p>Atenção também pode ser compreendida de outro modo, como uma reação natural a mudanças do ambiente. Parece que o nosso organismo foi filogeneticamente preparado para atentar a novos estímulos  automaticamente. Isso, claro, é uma forma de defesa: evita que sejamos pegos de surpresa. Qualquer barulho ou movimento inesperado chama a nossa &#8220;atenção&#8221; rapidamente, permitindo que nos preparemos para o que pode acontecer.</p>
<p>Os conceito de atenção e percepção têm implicações importantíssimas para a educação. Alunos só prestam atenção a informações que lhes são relevantes em algum nível. O fato de ser comum ouvir alunos reclamando sobre o que aprendem e ouvir professores reclamando sobre a falta de atenção e interesse dos alunos aponta para algo alarmante: estão ensinando conteúdos sem relação com o cotidiano dos estudantes.</p>
<p>Se você é professor, ou apenas alguém que gosta de chamar a atenção para si, lembrem-se da máxima: atenção é interesse. Enquanto você estiver mostrando informações relevantes terá toda a atenção da platéia.</p>
<h2>Conclusão: o Contexto</h2>
<p>Todas as ideias apresentadas acima se relacionam ao tema maior &#8220;contexto&#8221;. Quando dizemos que as pessoas se comportam de acordo com seu contexto, estamos nos referindo ao tipo de eventos descritos como controle de estímulos, percepção e atenção. Há, ainda, mais conceitos que poderiam ser discutidos dentro deste tema, como abstração, inteligência e cultura. No entanto, isso extrapolaria o objetivo central de explicar de forma resumida como a análise do comportamento compreende o contexto (controle de estímulos).</p>
<p>Fiquem à vontade para fazer comentários e tirar dúvidas&#8230;</p>
<p>Robson Brino Faggiani</p>


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		<title>Terapia Comportamental &#8211; Relação Terapêutica</title>
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		<pubDate>Wed, 19 Aug 2009 00:30:30 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Brino Faggiani</dc:creator>
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		<description><![CDATA[O que é relação terapêutica?
São as interações que ocorrem entre terapeuta e cliente durante o processo terapêutico. Tais interações podem ser positivas, negativas ou sem nenhuma carga emocional. Algumas modalidades de terapia, como a psicanálise clássica, defendem que o profissional deve evitar qualquer tipo de proximidade com o cliente. Outras abordagens, como o humanismo (especialmente [...]


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			<content:encoded><![CDATA[<p><strong>O que é relação terapêutica?</strong><br />
<img class="alignleft" title="psicoterapia" src="http://www.psicologiaeciencia.com.br/wp-content/uploads/2009/08/psicoterapia-300x224.jpg" alt="psicoterapia" width="270" height="202" />São as interações que ocorrem entre terapeuta e cliente durante o processo terapêutico. Tais interações podem ser positivas, negativas ou sem nenhuma carga emocional. Algumas modalidades de terapia, como a psicanálise clássica, defendem que o profissional deve evitar qualquer tipo de proximidade com o cliente. Outras abordagens, como o humanismo (especialmente com Rogers) e a terapia comportamental (mais explicitamente a partir da década de 80), argumentam que um terapeuta paciente e atencioso podem beneficiar o cliente.</p>
<p>Em 1953, Skinner já falava sobre a importância da boa relação terapeuta-cliente. No livro &#8220;Ciência e Comportamento Humano&#8221;, o autor defende que o terapeuta deve ser não-punitivo, no sentido de aceitar as peculiaridades (positivas e negativas) das pessoas que o procuram pedindo ajuda. O raciocínio do autor era bastante claro e simples: aqueles que buscam terapia, que estão sofrendo, provavelmente o fazem porque são punidos de algum modo; a aceitação incondicional do terapeuta mostra ao cliente que ele pode ser quem ele é e falar qualquer coisa que precisar. A liberdade proporcionada pela terapia, em teoria, ajudaria na resolução dos problemas apresentados.</p>
<p><strong>A boa relação terapêutica</strong><br />
As pesquisas têm demonstrado que a reflexão de Skinner estava certa. A qualidade da relação terapêutica tem, sim, efeitos sobre o sucesso da terapia. Com base em dados científicos, é possível realizar uma listagem das características do terapeuta que foram mais eficazes em ajudar os clientes: postura empática e compreensiva, aceitação desprovida de julgamentos, autenticidade, auto-confiança, flexibilidade, comprometimento, tolerância e interesse. Com relação a comportamentos terapêuticos específicos, os mais funcionais são: altas taxas de comportamentos gestuais, manutenção do contato visual, verbalizações acerca de pensamentos e sentimentos, postura não-diretiva e orientações ocasionais.</p>
<p>Os dados relatados acima (retirado de Meyer e Vermes, 2001) podem ser tomados como um resumo das posturas terapêuticas consideradas positivas pelos clientes. Percebe-se um padrão bem claro: os clientes preferem terapeutas que os aceitam, compreendem e mostram verdadeiro interesse em ajudar. Por que isso, e como isso funciona na terapia?</p>
<p><strong>Como funciona a relação terapêutica na prática</strong><br />
Apesar da listagem de características do terapeuta que produzem bons resultados na terapia, é necessário considerar que determinados clientes podem ter peculiaridades que necessitam de modos particulares de intervenção. Sendo assim, ao invés de discutir a lista apresentada acima, é mais válido considerar a função da relação terapêutica sem especificar um modelo.</p>
<p>A Psicoterapia Analítica Funcional (FAP) vai nesse sentido. No livro que a apresenta (<a href="http://www.psicologiaeciencia.com.br/os-desafios-da-terapia-e-fap/" target="_blank">veja mais aqui</a>), argumenta-se que a boa relação terapêutica é aquela capaz de simular, na terapia, os problemas do cotidiano do cliente, o que permite lidar com eles em um contexto mais afetivo e reforçador. Em outras palavras, o terapeuta deve ser sensível o suficiente para identificar o tipo de relação terapêutica necessitada pelo cliente. É essa sensibilidade e a relação humana de aceitação e interesse que tem função terapêutica.</p>
<p>Outra forma de pensar a relação terapêutica é a considerando positiva quando há semelhança entre os objetivos do terapeuta e do cliente para a terapia. Se ambos dividem metas, significa que haverá colaboração mútua, ampliando a possibilidade de o tratamento ser bem sucedido. Essa definição de boa relação terapêutica deixa implícito algo bastante interessante: a importância da participação do cliente na terapia (<a href="http://www.psicologiaeciencia.com.br/a-importancia-do-cliente-no-sucesso-terapeutico/" target="_blank">vejam este texto</a>). O profissional deixa de ser pensado como alguém com conhecimento superior que ajudará alguém com problemas. Ambos passam a ser iguais em uma relação, sendo que um deles tem o objetivo de facilitar as descobertas do outro.</p>
<p style="text-align: center;">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;- xx &#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;- xx &#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;- xx &#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;- xx</p>
<p>Isso encerra a série sobre Terapia Comportamental. No entanto, mais textos sobre a Terapia devem ser publicados em breve</p>
<p>Robson Faggiani</p>


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		<title>Terapia Comportamental &#8211; Análise Funcional &#8211; intervenção</title>
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		<pubDate>Fri, 10 Jul 2009 17:01:02 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Brino Faggiani</dc:creator>
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		<description><![CDATA[No último texto falei sobre a análise funcional do ponto de vista da avaliação psicológica. Agora vou comentar sobre como o processo de avaliação fundamenta as bases da intervenção em terapia comportamental.
Para começar, um aviso. Seria mais correto mudar o título deste texto para &#8220;Mudanças de Contingências&#8221; no lugar de &#8220;Análise Funcional &#8211; Intervenção&#8221;. Preferi [...]


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			<content:encoded><![CDATA[<p><a href="http://www.psicologiaeciencia.com.br/terapia-comportamental-analise-funcional-avaliacao/" target="_blank">No último texto</a> falei sobre a análise funcional do ponto de vista da avaliação psicológica. Agora vou comentar sobre como o processo de avaliação fundamenta as bases da intervenção em terapia comportamental.</p>
<p>Para começar, um aviso. Seria mais correto mudar o título deste texto para &#8220;Mudanças de Contingências&#8221; no lugar de &#8220;Análise Funcional &#8211; Intervenção&#8221;. Preferi manter o presente título porque as mudanças de contingências são constamente avaliadas do ponto de vista funcional.</p>
<p><img class="alignleft size-medium wp-image-1338" title="seattle counseling" src="http://www.psicologiaeciencia.com.br/wp-content/uploads/2009/07/seattle-counseling-300x240.jpg" alt="seattle counseling" width="300" height="240" /></p>
<h3>Intervindo no Comportamento</h3>
<p>Após a análise funcional, passamos a ter hipóteses sobre como e por que ocorre o comportamento-problema do cliente. O próximo passo é realizar a intervenção. Há algumas maneiras de fazer isso:</p>
<p><strong>1. Modificando o ambiente</strong><br />
De acordo com os princípios comportamentais, a principal fonte de controle do comportamento é o ambiente. A melhor forma de intervir em terapia comportamental, portanto, seria realizar alterações no cotidiano da pessoa que procura ajuda. Infelizmente, o terapeuta não tem acesso a tudo que acontece ao cliente.</p>
<p>De forma brilhante, a Psicoterapia Analítica-Funcional (FAP) sugeriu uma solução para esse problema: utilizar a semelhança funcional entre os ambientes de dentro e fora do consultório e tentar reproduzir na sessão terapêutica as situações causadoras do sofrimento do cliente. Dessa forma, o ambiente poderia ser mudado ao vivo, enquanto os comportamentos-problema do cliente ocorressem.</p>
<p>Ainda que a solução proposta pela FAP seja excelente e aplicável em várias situações, está longe de solucionar a dificuldade em acessar o cotidiano do cliente. Há, no entanto, outros meios de intervir no comportamento.</p>
<p><strong>2. Modificando regras.</strong><br />
Regras são declarações verbais acerca do funcionamento do ambiente e do comportamento. Desde a infância, somos acostumados por nossos pais, professores e amigos a atentar e seguir instruções verbais. Aprendemos a descrever o mundo e o modo como agimos. Essas descrições afetam nosso comportamento. É comum, infelizmente, que muitas dessas regras sejam inadequadas e produzam comportamentos inapropriados.  Já falei sobre esse assunto <a href="http://www.psicologiaeciencia.com.br/o-pensamento-controlando-comportamento/" target="_blank">neste texto</a>.</p>
<p>Dada a importância das declarações verbais, o terapeuta comportamental pode, como parte de sua intervenção clínica, ajudar o cliente a analisar a pertinência de suas regras e a avaliar se é possível criar regras mais apropriadas. Aqui cabe deixar claro que o terapeuta não muda as regras do cliente: apenas ajuda o cliente a mudar suas próprias regras.</p>
<p><strong>3. Autoconhecimento e autocontrole</strong><br />
Um objetivo fundamental do terapeuta comportamental é ajudar o cliente a compreender e controlar o próprio comportamento, possibilitando a ele pensar sobre seus problemas e encontrar a melhor forma de resolvê-los mesmo depois de terminado o trabalho terapêutico. É possível afirmar que, de modo geral, todas as perguntas do terapeuta têm, em última análise, a função de promover autoconhecimento. Algumas vezes, no entanto, algumas ações específicas são executadas, como pedidos de auto-registro, lições de casa, etc. Outra possibilidade é analisar o comportamento do cliente e mostrar como esse processo é feito, ou seja, dando modelos aos clientes sobre como fazê-lo.</p>
<p>Uma pessoa capaz de compreender a si mesma e a manipular o próprio comportamento, provavelmente não terá problemas que não pode resolver. A tarefa de ajudar o cliente no processo de auto-descoberta é provavelmente a tarefa mais nobre da psicoterapia.</p>
<p><strong>4. Terapia fora da clínica</strong><br />
Alguns clientes podem se beneficiar muito de sessões terapêuticas no &#8216;mundo real&#8217;, especialmente aqueles com problemas de ansiedade, depressão e fobia. Um cliente tímido, por exemplo, que treina como falar com pessoas do &#8216;mundo real&#8217; com a supervisão do terapeuta tem a possibilidade de apresentar uma melhora muito mais rápida do que um treino social apenas na clínica.</p>
<p>A terapia fora da clínica é uma ferramenta relativamente moderna de intervenção e com resultados muito promissores. Particularmente, posso dizer que os meus clientes gostaram muito das experiências no &#8216;mundo real&#8217;. Essa forma de intervenção é uma ótima maneira de driblar o problema da falta de acesso do terapeuta ao cotidiano do cliente.</p>
<p>Outra forma de fazer terapia fora da clínica é com o auxílio de acompanhantes terapêuticos. O objetivo dos acompanhantes é funcionar como uma extensão da terapia no &#8216;mundo real&#8217;. Assim como descrito acima, o trabalho do acompanhante produz resultados muito satisfatórios na resolução dos comportamentos-problema.</p>
<p><strong>5. Participação familiar</strong><br />
Para terminar, é válido comentar a importância da participação da família na psicoterapia. Familiares ajudam de duas formas: além de serem a base emocional do cliente, potencializam as intervenções terapêuticas. O terapeuta hábil em facilitar trocas emocionais entre clientes e familiares tem uma importante forma de intervenção à sua disposição.</p>
<p>Além da familiares, outras pessoas importantes da vida do cliente podem ajudar, como namorados (as), colegas de quarto, etc. O trabalho em comunhão produz resultados espantosos.</p>
<p style="text-align: center;">&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211; xx &#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211; xx &#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211; xx &#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8212;&#8211;</p>
<p>Independentemente da forma de intervenção utilizada, todo terapeuta comportamental é guiado pela idéia de ajudar o cliente a descobrir sobre si mesmo e a mudar seus comportamentos que causam sofrimento. Como será visto em textos posteriores, o terapeuta comportamental utiliza procedimentos de intervenção baseados em descobertas científicas e lida com cada cliente de forma única e particular. Esse cuidado com a individualidade do cliente, ao mesmo tempo em que se analisa seu contexto social, é a pedra angular da terapia comportamental.</p>
<p>No próximo texto da série, vou discutir sobre a Relação Terapêutica para a terapia comportamental. Até lá.</p>
<p>Robson Brino Faggiani</p>


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		<title>Notícias do Dia &#8211; 25</title>
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		<pubDate>Wed, 08 Jul 2009 17:58:14 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Brino Faggiani</dc:creator>
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		<description><![CDATA[Duas notícias:

Um estudo recente mostrou que crianças autistas confiam mais em pistas proprioceptivas do que exteroceptivas para aprender comportamentos motores. Leia aqui (em inglês). Isso pode ajudar a explicar porque autistas têm dificuldade em relações sociais e aversão a mudanças na rotina. A explicação neurológica para o fenômeno afirma que o cérebro de autistas têm [...]


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			<content:encoded><![CDATA[<p>Duas notícias:</p>
<ul>
<li>Um estudo recente mostrou que crianças autistas confiam mais em pistas proprioceptivas do que exteroceptivas para aprender comportamentos motores. <a href="http://www.sciencedaily.com/releases/2009/07/090706113647.htm" target="_blank">Leia aqui</a> (em inglês). Isso pode ajudar a explicar porque autistas têm dificuldade em relações sociais e aversão a mudanças na rotina. A explicação neurológica para o fenômeno afirma que o cérebro de autistas têm poucas conexões neurais. Regiões distantes se comunicam ainda menos, como é o caso das áreas motoras e viso-motoras. Se o estudo estiver correto, pode ajudar no tratamento do autismo: os terapeutas poderiam programar mais atividades que incentivam o relacionamento visual com a área motora.</li>
<li>O Parque do Ibirapuera (São Paulo/SP) está com uma exposição muito bacana: Cérebro &#8211; o mundo dentro de sua cabeça. <a href="http://www2.uol.com.br/vivermente/noticias/um_jeito_divertido_de_descobrir_o_cerebro.html" target="_blank">Veja a notícia aqui</a>.  Programem-se e visitem.</li>
</ul>


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		<title>Notícias do Dia &#8211; 24</title>
		<link>http://www.psicologiaeciencia.com.br/noticias-do-dia-24/</link>
		<comments>http://www.psicologiaeciencia.com.br/noticias-do-dia-24/#comments</comments>
		<pubDate>Wed, 08 Jul 2009 13:39:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Brino Faggiani</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[news]]></category>

		<guid isPermaLink="false">http://www.psicologiaeciencia.com.br/?p=1427</guid>
		<description><![CDATA[Algumas notícias interssantes:

Adoro pesquisas que desafiam o senso comum. Uma pesquisa recentre mostrou que pensamento positivo faz mal para quem tem baixa auto-estima. Veja aqui (em inglês). A lógica é simples: aqueles que possuem pouca auto-estima entram em conflito com pensamentos positivos porque acreditam que eles não são verdadeiros; o conflito faz lembrá-los de suas [...]


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			<content:encoded><![CDATA[<p>Algumas notícias interssantes:</p>
<ul>
<li>Adoro pesquisas que desafiam o senso comum. Uma pesquisa recentre mostrou que pensamento positivo faz mal para quem tem baixa auto-estima. <a href="http://psychcentral.com/blog/archives/2009/06/22/positive-thoughts-make-things-worse-for-poor-self-esteem/" target="_blank">Veja aqui</a> (em inglês). A lógica é simples: aqueles que possuem pouca auto-estima entram em conflito com pensamentos positivos porque acreditam que eles não são verdadeiros; o conflito faz lembrá-los de suas incapacidades. Quem tem alta auto-estima, por outro lado, pode pensar positivamente à vontade.</li>
<li>Nicolelis, neurocientista paulista afirma que o cérebro não fuciona em compartimentos. <a href="http://www1.folha.uol.com.br/folha/ciencia/ult306u578473.shtml" target="_blank">Leia aqui</a>. Segundo Nicolelis, o cérebro não funciona baseado na &#8220;geografia&#8221; dos neurônios e sim nas demandas enfrentadas. A perda de uma função, como a visão, por exemplo, é amenizada com a utilização de novas áreas com novas funções (tato, por exemplo).
<ul>
<li>Nota minha: A notícia não mostra a importância do ambiente na modelagem das novas atividades atribuídas ao cérebro.</li>
</ul>
</li>
</ul>


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		<title>Como lidar com os filhos</title>
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		<pubDate>Thu, 18 Jun 2009 20:59:07 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Brino Faggiani</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educativos]]></category>
		<category><![CDATA[Análise do Comportamento]]></category>
		<category><![CDATA[Birra]]></category>
		<category><![CDATA[Dicas]]></category>
		<category><![CDATA[Interessante]]></category>

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		<description><![CDATA[O bem estar da criança está intimamente ligado com a habilidade de seus pais. Não é incomum encontrar, na clínica infantil, crianças cujos problemas poderiam ser resolvidos caso os pais tivessem alguma instrução sobre análise do comportamento. Este pequeno guia sobre como lidar com os filhos tem o objetivo de prevenir problemas e fornecer ferramentas [...]


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			<content:encoded><![CDATA[<p>O bem estar da criança está intimamente ligado com a habilidade de seus pais. Não é incomum encontrar, na clínica infantil, crianças cujos problemas poderiam ser resolvidos caso os pais tivessem alguma instrução sobre análise do comportamento. Este pequeno guia sobre como lidar com os filhos tem o objetivo de prevenir problemas e fornecer ferramentas aos pais para resolverem possíveis problemas de comportamento dos filhos.</p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-1253" title="pais e filhos" src="http://www.psicologiaeciencia.com.br/wp-content/uploads/2009/06/pais-e-filhos.gif" alt="pais e filhos" width="288" height="315" /></p>
<p><strong>POR QUE NOS COMPORTAMOS?</strong></p>
<p>Para começar, vamos entender por que nos comportamos.</p>
<p>O mais importante a saber é que fazemos o que fazemos porque fomos ensinados. Tudo o que fazemos é aprendido, até mesmo os comportamentos inadequados dos nossos filhos. Se os pais não ajudam o filho na escola, não pedem para eles arrumarem o quarto, não se preocupam se eles saem à noite, com certeza as crianças vão aprender que não precisam estudar, não precisam arrumar o quarto e podem sair para onde quiserem. O fato de que comportamentos são aprendidos é uma boa notícia: significa que podemos ensinar maneiras diferentes de agir. Podemos identificar quais são os comportamentos dos nossos filhos que são inadequados, e criar situações para que eles aprendam melhores formas de se comportar. Para isso, precisamos entender melhor sobre os motivos do comportamento.</p>
<p>Em primeiro lugar, as pessoas se comportam para conseguir algo que querem. Por exemplo: abrimos a geladeira para pegar água, vamos à escola para aprender, convidamos nossos amigos para brincar porque eles nos fazem bem, e assim por diante. Também nos comportamos para evitar algo que é desagradável. Por exemplo: colocamos blusas quando está frio, estudamos para não ir mal à prova, tiramos o sapato se há uma pedra, etc.</p>
<p>Outra propriedade importante do comportamento é que ele é diferente em lugares diferentes. O comportamento na sala de aula difere do comportamento no recreio. As ações diante do chefe diferem das realizada na presença do marido ou da esposa. É importante saber disso porque é comum que nossos filhos se comportem de maneira inadequada com o pai, mas não com a mãe, ou somente na escola e nunca em casa. Se conseguirmos identificar em que situações e com quais pessoas nossos filhos se comportam de forma errada, mais facilmente podemos corrigir esse comportamento.</p>
<p>Vamos usar o exemplo da criança que faz arte na presença do pai e não da mãe. Podemos supor que parte do problema está no fato de que o pai não deve estar estabelecendo regras para a criança, enquanto a mãe consegue impor limites. Agora imaginem uma criança que só estuda na véspera da prova. Muito provavelmente ela faz isso porque os pais não a incentivam a estudar um pouco a cada dia. Se a criança cuidada pela avó faz birra somente quando a mãe, que trabalha o dia todo, chega em casa, isso pode significar que ela está tentando chamar a atenção da mãe com a birra. Esses exemplos mostram a importância de saber em quais situações e com quais pessoas as crianças se comportam inadequadamente. A identificação desses momentos é fundamental para planejar a mudança do comportamento.</p>
<p><strong>A RESPONSABILIDADE DOS PAIS</strong></p>
<p><img class="alignright size-full wp-image-1254" title="Pai e filho estudando" src="http://www.psicologiaeciencia.com.br/wp-content/uploads/2009/06/Pai-e-filho-estudando.jpg" alt="Pai e filho estudando" width="314" height="208" />Os pais, se desejam ajudar os filhos a corrigir comportamentos problemáticos, devem assumir a responsabilidade pelo que está acontecendo. O que os filhos fazem está relacionado com o comportamento dos pais. Portanto, há sempre algo que pode ser feito para o bem das crianças. É fundamental que os pais assumam a responsabilidade porque eles são as pessoas mais importantes para os filhos e é principalmente na convivência familiar que a criança se desenvolve.</p>
<p>Agora que já foi falado sobre os motivos do comportamento, os pais precisam saber que existem quatro formas diferente de lidar com as ações dos filhos.</p>
<p>A primeira e mais recomendável forma de lidar com os comportamentos dos filhos é premiar as ações positivas com elogios, carinhos, presentes, passeios, comidas preferidas, etc. O comportamento positivo premiado tende a ocorrer novamente. Esse prêmio, no entanto, não deve vir após uma ameaça e deve ocorrer da forma mais natural e menos planejada possível. O prêmio também não deve ser apresentado sempre, mas apenas de vez em quando. Crianças que ouvem palavras de incentivo dos pais crescem felizes, saudáveis e autoconfiantes. Os melhores pais são aqueles capazes de dar atenção aos filhos. É preciso tomar cuidado para o prêmio não virar chantagem. Repito: o prêmio (seja carinho, passeio, etc) deve ser o mais natural e menos planejado possível. Pais que premiam sempre e fazem todas as vontades dos filhos podem estar criando crianças mimadas que terão problemas de se adaptar à realidade. Crianças que têm tudo o que querem não desenvolvem autoconfiança e têm dificuldades em lidar com a frustração.</p>
<p>A segunda forma de lidar com os comportamentos dos filhos é não fazer nada. Há pais que, independentemente do que os filhos fazem, seja bom ou ruim, nada fazem: não dão prêmios ou broncas, não fazem carinhos nem deixam de castigo. Pais que não se importam para o que os filhos fazem podem estar criando adultos com dificuldade de aprendizagem, com baixa auto-estima e baixa autoconfiança. Essas crianças podem se tornar adultos apáticos, incapazes até mesmo de conhecer suas próprias preferências.</p>
<p>A terceira forma é motivar o filho com algum tipo de ameaça. Por exemplo, há pais que criam regras como “se você não estudar, vai ficar de castigo” ou “ou você arruma o quarto ou vai apanhar”, e assim por diante. Essa forma de lidar com as ações dos filhos apenas empurram o problema para frente, mas não o resolvem. Filhos que crescem recebendo ameaças não são capazes de entender o porquê devem se comportar de maneira positiva. Serão adultos desconfiados e com medo de errarem.</p>
<p>A quarta forma é brigar ou bater nos filhos sempre que eles fazem algo errado. Apesar de parecer a mais funcional das formas, é a menos recomendada. Filhos que apanham ou são xingados pelos pais se tornam adultos violentos, sem nenhum amor próprio e sem autoconfiança. Alguns estudos correlacionam a violência na infância com criminalidade. Por isso, bater ou xingar é a pior maneira de lidar com os filhos. Sempre que possível, os pais devem evitar punir suas crianças. Como dito anteriormente, é muito melhor ensinar os filhos por meio da premiação.</p>
<p><strong>DO QUE AS CRIANÇAS GOSTAM</strong></p>
<p><img class="alignleft size-medium wp-image-1255" title="crianças pulando" src="http://www.psicologiaeciencia.com.br/wp-content/uploads/2009/06/crianças-pulando-300x228.jpg" alt="crianças pulando" width="300" height="228" />Agora que os pais sabem a melhor forma de lidar com os comportamentos dos filhos, é válido falar sobre o que as crianças gostam. Se os pais souberem o que é importante para seus filhos, é mais fácil que cuidem deles com atenção e carinho.</p>
<p>Segue uma lista de coisas que as crianças gostam:</p>
<p>1. Brincar: a brincadeira é fundamental para as crianças aprenderem a se relacionar socialmente e conhecer seus limites. Por meio das brincadeiras, elas desenvolvem sua inteligência, imaginação e passam a aprender a diferenciar suas preferências das de outras pessoas.</p>
<p>2. Receber carinho e atenção: tanto meninas quanto meninos gostam de receber carinho e atenção dos pais. Carinho faz com que as crianças se sintam felizes, possibilitando que cresçam com saúde, auto-estima e autoconfiança.</p>
<p>3. Ser ouvido: permita que seus filhos contem histórias, ainda que fantasiosas. Ser ouvido faz com que a criança se sinta valorizada.</p>
<p>4. Poder decidir: meninos e meninas adoram tomar decisões. Uma vez por semana, deixe seu filho escolher o jantar. Permita que ele escolha qual canal assistir, qual refeição comer, etc. Isso é ótimo para autoconfiança dele e ajuda no crescimento saudável.</p>
<p>5. Aprender coisas novas: crianças são curiosas por natureza. Elas gostam de explorar o ambiente, fazer perguntas, etc. Ajudem-nas nisso. Crianças incentivadas a aprender se tornam mais inteligentes e capazes. Portanto, respondam as dúvidas dos seus filhos.</p>
<p>6. Não ser comparado: não é correto comparar um dos seus filhos com seus irmãos ou com outras crianças. Cada pessoa é única e deve ser tratada assim.</p>
<p>7. Ser valorizado: meninos meninas adoram quando os pais prestam atenção no que fazem e elogiam seu trabalho. Elogiar e prestar atenção é uma boa maneira de criar auto-estima e autoconfiança.</p>
<p><strong>COMO VOCÊ DEVE TRATAR SEU FILHO</strong></p>
<p><img class="alignleft size-full wp-image-1256" title="crianças estudando" src="http://www.psicologiaeciencia.com.br/wp-content/uploads/2009/06/crianças-estudando.jpg" alt="crianças estudando" width="180" height="270" />A melhor forma de evitar dificuldades é prevenindo sua ocorrência. Um lar pacífico evita crianças com problemas de comportamento. Hoje em dia, a pressão do trabalho é grande. Os pais chegam em casa estressados e cansados e não têm vontade, ou tempo, de estar com os filhos. É compreensível. No entanto, isso não pode servir como desculpa para uma má educação. Se os pais se esforçarem e criarem um ambiente agradável em casa, vão chegar do trabalho com mais energia, pois vão encontrar paz e o carinhos dos filhos. Se os pais não dão atenção ao lar, o caos se forma e chegar do trabalho pode se tornar desagradável. Portanto, investir na paz em casa é benéfico tanto para os pais quanto para os filhos.</p>
<p>Seguem algumas dicas para um ambiente saudável e para lidar adequadamente com as crianças:</p>
<p>1. Seja honesto e direto com seus filhos. Às vezes as crianças fazem perguntas desconcertantes, ou querem saber o motivo de certas proibições. O melhor caminho a tomar é explicar para os filhos as razões de tudo. Se uma criança entender por que deve olhar para os dois lados antes de atravessar a rua, é muito mais provável que faça isso com cuidado do que se simplesmente ouvir a regra e levar bronca no caso de não segui-la.</p>
<p>2. Tenha certeza de que ensinou o comportamento correto. Muitas vezes exigimos que nossos filhos façam as coisas do nosso jeito, mas não ensinamos exatamente como é esse jeito. Então, antes de brigar com seu filho, tenha certeza de que você deixou claro para ele qual é a maneira correta de se comportar.</p>
<p>3. Todas as pessoas são diferentes. Lembre-se sempre que cada pessoa é única e tem gostos e preferências particulares. Antes de dar uma ordem, de brigar com seu filho, de dizer que ele não faz nada direito, pense nas preferências dele. Não é justo exigir que todas as pessoas sejam iguais a você. É saudável respeitar as particularidades das pessoas.</p>
<p>4. Seja firme, mas não punitivo. Já foi falado sobre o problema de ser punitivo, mas não dos benefícios de ser firme. Ter firmeza significa não voltar atrás nas suas decisões. Uma proibição deve se manter uma proibição até que a situação mude de alguma forma. Pais que voltam atrás em suas decisões podem gerar filhos sem limites. Por exemplo: é muito comum que os pais deixem o filho de castigo, mas o tirem com antecedência por ficarem com dó da criança. Ser firme, nesse caso, consiste em não tirar a criança do castigo até que a determinação inicial tenha sido cumprida.</p>
<p>5. Passe um tempo com seu filho. Após chegar do trabalho, ou nos fins de semana, passe um tempo com seu filho. O ideal é conversar um pouco e brincar com ele. Se não for possível, pelo menos jantem no mesmo horário e assistam ao programa favorito da criança. Filhos que não passam tempo com os pais podem desenvolver problemas em relacionamentos e dificuldade em confiar em outras pessoas.</p>
<p>6. Interesse-se pelas tarefas da escola. É comum que os pais pensem que o filho tem a obrigação de estudar. Isso é só parcialmente correto. Os filhos devem, sim, freqüentar a escola, mas ao invés de serem forçados, devem ser incentivados a isso. Pais que se interessam pelo que aconteceu na escola, que vistam as tarefas escolares, que ajudam os filhos a estudarem para as provas e que participam dos eventos da escola, estão contribuindo não só para a formação imediata do filho, mas para seu futuro de interesse pelos estudos. Não é preciso saber sobre o que os filhos estão estudando. Mostrar interesse basta para incentivar a criança.</p>
<p>7. Sejam coerentes. Há pais que dividem os papéis. Um deles é o liberal e o outro, o chato. Isso deve ser evitado. O ideal é que os pais entrem em acordo sobre os limites dos filhos e sobre possíveis punições ou prêmios. Pais discordantes podem deixar o filho confuso, além do fato de que as crianças podem passar a preferir um do pais ao outro, o que não é desejável nem saudável.</p>
<p>8. Imponha limites. Crianças precisam saber até onde podem ir. Tratar bem o filho não é sinônimo de deixá-los fazer o que bem entenderem. Os limites são importantes, pois protegem os filhos de fazerem algo perigoso ou que pode ser socialmente considerado ruim. Por meio dos limites, as crianças aprendem que há regras no mundo e que é preciso obedecê-las como todos fazem. Os limites devem ser pensados para não serem muitos nem poucos. Crianças com muitos limites crescem com medo de errarem e arriscarem. Crianças com poucos limites podem se tornar sem valores morais.</p>
<p>9. Reconheça seus erros. Ninguém é infalível. Se você cometeu algum erro com seu filho, não tenha medo de admitir. Além de fazer bem para você e para a criança, isso vai ensiná-la a se responsabilizar por seus atos.</p>
<p>10. Converse também sobre assuntos delicados. Muitas crianças têm curiosidade sobre sexo, morte ou outros assuntos do tipo. O ideal é não esconder delas o que são essas coisas, e falar sobre esses temas de uma forma apropriada para cada idade. Uma criança de 7 anos não precisa saber tudo sobre sexo, mas é bom que saiba o que é isso. Já uma criança de 16 anos precisa saber tudo sobre sua sexualidade. Apesar de esses assuntos serem tabus, eles precisam ser tratados. A honestidade e clareza com a criança pode prevenir problemas futuros.</p>
<p>11. Seja um modelo. Filhos imitam os pais. É injusto exigir do filho um comportamento que os pais não demonstram.</p>
<p>12. Procure ajuda. Caso essas dicas não ajudem, procurem ajuda de um profissional. Problemas graves, como abuso de drogas, podem requerer auxílio de uma pessoa especializada no problema. Não há vergonha em pedir ajuda. Pelo contrário, é nobre querer ajudar o filho.</p>
<p>Essas dicas encerram este pequeno guia. Caso tenha contribuições para complementá-los, deixe-as nos comentários. Caso queria, conheça o serviço de <a href="http://www.psicologiaeciencia.com.br/treino-de-pais/">Treino de Pais</a>.</p>
<p>Robson Faggiani</p>


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		<title>Problemas nos estudos da neurociência</title>
		<link>http://www.psicologiaeciencia.com.br/problemas-nos-estudos-da-neurociencia/</link>
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		<pubDate>Wed, 06 May 2009 14:05:08 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Brino Faggiani</dc:creator>
				<category><![CDATA[Artigos]]></category>
		<category><![CDATA[Ciência]]></category>
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		<description><![CDATA[Eu, particularmente, tenho uma relação de amor e ódio com a neurociência. Penso que é uma disciplina fantástica, que vai desvendar fenômenos importantes do funcionamento humano. Por outro lado, penso que é uma disciplina que tende a esquecer a onipresença do ambiente sobre o controle do comportamento. Sobre isto, falarei em outro texto.
A bola da [...]


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			<content:encoded><![CDATA[<p>Eu, particularmente, tenho uma relação de amor e ódio com a neurociência. Penso que é uma disciplina fantástica, que vai desvendar fenômenos importantes do funcionamento humano. Por outro lado, penso que é uma disciplina que tende a esquecer a onipresença do ambiente sobre o controle do comportamento. Sobre isto, falarei em outro texto.</p>
<p>A bola da vez é uma recente pesquisa que coloca em cheque estudos que utilizaram imageamento cerebral como principal método de coleta de dados. De acordo com essa pesquisa, muitas das correlações entre comportamentos e ativações neurais (verificadas via imageamento cerebral) está incorreta. Ou seja, é bastante provável que muito do que se conhece sobre o funcionamento do cérebro está errado.</p>
<p>A fonte da notícia está <a href="http://redepsicologia.com/estudos-de-imagiologia-cerebral-postos-em-causa" target="_blank">aqui</a>. A pesquisa (em inglês) está <a href="http://www.pashler.com/Articles/Vul_etal_2008inpress.pdf" target="_blank">aqui</a>.</p>
<p>Como bem colocado pelo autor da notícia, a pesquisa não invalida o método de imageamento. Ela apenas mostra que é necessário tomar cuidado redobrado na análise dos dados obtidos.</p>
<p>Robson Faggiani</p>


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		<title>Terapia Comportamental &#8211; Análise Funcional &#8211; avaliação</title>
		<link>http://www.psicologiaeciencia.com.br/terapia-comportamental-analise-funcional-avaliacao/</link>
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		<pubDate>Thu, 30 Apr 2009 14:05:39 +0000</pubDate>
		<dc:creator>Robson Brino Faggiani</dc:creator>
				<category><![CDATA[Educativos]]></category>
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		<description><![CDATA[Pode-se dizer que a análise funcional é o centro da terapia comportamental. Está em todos os passos da terapia: envolve o &#8220;diagnóstico&#8221; do problema do cliente, o planejamento das intervenções terapêuticas, a sua execução e a avaliação dos resultados obtidos. Além disso, o conceito de análise funcional está ligado à noção de psicopatologia para a [...]


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			<content:encoded><![CDATA[<p>Pode-se dizer que a análise funcional é o centro da terapia comportamental. Está em todos os passos da terapia: envolve o &#8220;diagnóstico&#8221; do problema do cliente, o planejamento das intervenções terapêuticas, a sua execução e a avaliação dos resultados obtidos. Além disso, o conceito de análise funcional está ligado à noção de psicopatologia para a análise do comportamento. Por causa da amplitude do tema, vou dividi-lo em dois. Neste primeiro será discutido o caráter diagnóstico da análise funcional. O texto seguinte será sobre intervenção.</p>
<h2><span style="color: #800000;"><span style="color: #000000;"><img class="alignleft size-medium wp-image-1586" title="grammarians" src="http://www.psicologiaeciencia.com.br/wp-content/uploads/2009/04/grammarians-300x236.jpg" alt="grammarians" width="270" height="212" />Análise Funcional</span><br />
</span></h2>
<p>O objetivo da análise funcional é identificar o comportamento-alvo da intervenção (aquele que está inadequado) e os elementos do ambiente que estão ocasionando e mantendo esse comportamento. Interessam (1) o produto do comportamento, (2) seu contexto de ocorrência e (3) as operações motivadoras subjacentes a esse comportamento. Soma-se a esses dados a história de vida do cliente. Em posse das informações, o terapeuta descreve as relações comportamentais objetivamente, permitindo ao cliente interessado acompanhar os passos do diagnóstico e do tratamento.</p>
<p>O diagnóstico é dado em termos de relações comportamentais. Ou seja, especifica-se quais elementos do ambiente estão produzindo o comportamento inadequado. Esse tipo de diagnóstico relacional opõe-se a avaliações tradicionais, que classificam e descrevem o problema do cliente em termos de mal funcionamento mental. No lugar de classificar um problema como depressão, por exemplo, o terapeuta comportamental mostra como o modo de agir chamado de depressivo está relacionado a más condições de vida específicas, passíveis de serem alteradas.</p>
<p>Além disso, o diagnóstico relacional deixa implícito a possibilidade de que as queixas, e problemas, do cliente podem variar no decorrer da terapia; afinal, novas condições de vida geram novos comportamentos. A análise funcional, portanto, considera o comportamento algo fluído e variável; afirma que classificações em termos de doenças podem mascarar essa fluidez, resultando em tratamentos focados em sintomas e não nas relações indivíduo-ambiente.</p>
<p><span style="color: #000000;"><strong>Forma vs Função</strong><br />
Uma das características importantes da análise funcional é a compreensão do comportamento em termos de suas funções, e não em termos de sua forma (ou topografia). Ou seja, mais importante do que avaliar a resposta em si, ela é considerada no contexto em que está inserida e o que produz para o cliente. Essa estratégia de análise possibilita uma organização mais eficaz do comportamento, pois procura os elementos ambientais por trás das aparências.</span></p>
<blockquote><p><em>Exemplo 1. É possível dar adeus de várias formas diferentes: acenar com a mão, dizer &#8220;tchau&#8221;, dizer &#8220;até logo&#8221; ou fazer um movimento com a cabeça. Todos esses comportamentos têm formas diferentes, alguns utilizam a voz, outros partes do corpo, mas todos possuem a mesma função: dar adeus. Sendo assim, diz-se que todos esses comportamentos são funcionalmente equivalentes.</em></p>
<p><em>Exemplo 2. Imagine dois garotos. Um deles estuda porque quer ir bem na prova. O outro estuda porque se não o fizer, fica de castigo. A forma, a aparência, do comportamento de estudar é igual para ambos os garotos, mas a função é diferente. A função de estudar, para o primeiro garoto, é aprender. Para o segundo, é evitar problemas. Portanto, esses comportamentos não são equivalentes.</em></p>
<p><em>Exemplo 3. Um cliente, na sessão terapêutica, diz que está cansado demais para falar sobre sua semana. A forma da resposta é dizer &#8220;estou cansado&#8221;, mas uma análise funcional pode revelar que o indivíduo não está de fato cansado, e que seu comportamento tem a função de evitar falar sobre algum problema doloroso ocorrido durante a semana.</em></p></blockquote>
<h2><span style="color: #000000;">Como analisar funcionalmente</span></h2>
<p>Não é possível explicar, caso a caso, como realizar uma análise funcional. No entanto, vale a pena mostrar os passos de uma análise funcional (por enquanto, apenas do processo de avaliação).</p>
<p style="text-align: center;">1. Observação do Comportamento<br />
|<br />
2. Identificação do Comportamento-Problema<br />
|<br />
3. Identificação do Produto do Comportamento<br />
|<br />
4. Identificação do Contexto de Ocorrência do Comportamento<br />
|<br />
5. Identificação das Operações que Motivam esse Comportamento<br />
|<br />
6. Ampliar a Análise Funcional do Comportamento</p>
<p>Para mostrar o funcionamento da análise funcional, vale a pena utilizar o exemplo 3 acima: o cliente que chora na terapia. Vamos ver passo a passo.</p>
<p><strong>1. Observação do Comportamento</strong><br />
Nesse exemplo, o terapeuta já tem um certo conhecimento do cliente. Conhece suas dificuldades particulares. Sabe, por exemplo, que o cliente frequentemente evita falar sobre si mesmo.</p>
<p><strong>2. Identificação do Comportamento-Problema</strong><br />
Normalmente, há vários comportamentos que merecem intervenção. Nesse exemplo, um dos comportamentos-problema identificados é &#8220;evitar falar sobre si mesmo&#8221;. Essa é o comportamento descrito funcionalmente, mas ele pode ocorrer de diversas formas diferentes (com variada topografia): dizer &#8220;estou cansado&#8221;, chorar, faltar à sessão, desviar o assunto, etc. Todas essas formas têm para o cliente a mesma função de evitar conversas sobre si mesmo.</p>
<p><strong>3. Identificação do Produto do Comportamento</strong><br />
Os comportamentos de evitação, quando efetivo, produz consequências que o mantêm: o indivíduo escapa de falar sobre si mesmo; evita falar sobre assuntos dolorosos, deixando o cliente longe do sofrimento. Apesar de cumprir seu objetivo, esse comportamento impede o cliente de lidar com seus problemas.</p>
<p><strong>4. Identificação do Contexto de Ocorrência do Comportamento</strong><br />
Geralmente, o contexto em que esse comportamento ocorre é a presença de situações nas quais o cliente é incentivado a falar sobre a sua vida. Sabendo disso, é fácil fazer com que o comportamento de evitação aconteça ou não.</p>
<p><strong>5. Identificação das Operações que Motivam esse Comportamento</strong><br />
Provavelmente, a motivação do cliente que evita falar sobre si mesmo é o medo de revelar seu passado e seus pensamentos. É possível supor que coisas desagradáveis ocorreram em sua vida. Alternativamente, é possível que o cliente, no passado, tenha sido ridicularizado quando se expôs.</p>
<p><strong>6. Ampliar a Análise Funcional do Comportamento</strong><br />
Em posse das informações obtidas nos passos anteriores, o terapeuta é capaz de ampliar a análise funcional, acrescentando ou retirando comportamentos e elementos ambientais importantes para compreender o cliente. Por exemplo, se for descoberto que a evitação ocorre por conta de fatos desagradáveis, o foco da análise e da intervenção deve ser os pensamentos e sentimentos do cliente sobre esses fatos. Caso a evitação ocorra porque o cliente foi ridicularizado quando se expôs no passado, o foco de análise e intervenção deve ser o comportamento social.
</p>
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<p>Isso encerra esse primeiro texto sobre análise funcional.</p>
<p>Caso queira saber mais sobre a idéia de não classificar o cliente em termos de doenças mentais, <a href="http://www.psicologiaeciencia.com.br/psicopatologia/" target="_blank">este texto sobre psicopatologia</a> pode ajudar. Para se aprofundar mais na idéia, recomendo <a href="http://www.iaccsul.com.br/robson-faggiani/36-colunista-robson-faggiani/56-o-entendimento-contextual-da-doenca-mental" class="broken_link"  target="_blank">este texto sobre normalidade e anormalidade.</a></p>
<p>Robson Faggiani</p>


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